Ankh - By Krieger

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Mensagem  Krieger em Qui 15 Abr 2010, 11:59

Bom, essa é a história cliché de um vampiro em busca de vingança. Não quero falar muito pra não dar spoiler, mas digamos que ele vai acabar descobrindo grandes verdades ao longo do caminho.

Pretendo lançar os capítulos desta história semanalmente. Lembrando que esse é um grande pretendo porque ainda tenho que revisar e completar os que eu já escrevi, terminar de escrever os outros, tenho que postar outros capítulos da minha outra história (No-Lifers) e no meio disso tudo eu ainda tenho que estudar pra faculdade e ter um mínimo de vida social, que não faz mal a ninguém. lol!

Enfim, espero que gostem (afinal, esse personagem tem muito de mim) e que comentem.
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Ankh - By Krieger Empty Prólogos

Mensagem  Krieger em Qui 15 Abr 2010, 12:08

Prólogo: Sobre ser um vampiro.

Como é ser um vampiro no Rio? Essa sim é uma ótima pergunta.
Normalmente os poucos humanos que sabem ou acham que sabem da nossa existência desejam se transformar em um de nós ou têm muito medo (eu os considero extremamente sábios). Ainda tem, é claro, o terceiro tipo de humanos que está ciente de nossa existência. São pessoas que não acreditavam em nossa existência até aproximadamente três segundos antes de suas mortes prematuras. São três segundos críticos, quase dá para ouvir a adrenalina jorrando no sangue deles (o que torna a refeição muito mais saborosa). Os mais religiosos usam o pouco tempo que lhes resta rezando para um Deus que nada faz para salvar-lhes a vida. Os mais desesperados choram copiosamente e pedem perdão pelo que quer que eles tenham feito. De qualquer forma, os meus preferidos são aqueles que me oferecem dinheiro para que eu não os mate de maneira violenta – o que me dá ainda mais vontade de matá-los – e, ao escutar a minha resposta negativa, olham-me nos olhos, franzem a testa e soltam entre os dentes alguma frase de efeito como “espero que você queime no inferno, filho da puta”. Minha vida já é um inferno, não há inferno pior.
Não que ser um vampiro seja ruim, pelo contrário, é muito melhor do que ser um mero humano. Nós somos mais rápidos que carros, proporcionalmente mais fortes do que formigas e mais famintos do que um maconheiro com larica. Para complementar, nosso olfato é tão bom quanto o dos tubarões e nossa visão é levemente inferior a da águia. Nós não morremos com a luz do Sol, a não ser que nos descuidemos, água benta não tem nenhum efeito em mim que a chuva não tenha e eu acho alho muito cheiroso. Então, como minha vida se transformou em um inferno? Essa é outra boa pergunta, e – acredite se quiser – está intimamente entrelaçada com a pergunta anterior, pelo menos no meu caso.


Prólogo II: Sobre outro grande mistério da ciência.

É muito complexo bolar um jeito de passar essa informação adiante, imagino que seja como explicar o que é sexo para uma criança de 10 anos, ou algo do tipo, você simplesmente não sabe por onde começar. As duas maneiras de aproximação do tema seriam começar pela minha história enquanto humano, ou pelo mecanismo da transformação. Escolho então esta última, por ser a menos ortodoxa.
Muitas pessoas tentaram, e algumas quase acertaram a natureza da transformação vampírica. Para converter um humano em vampiro é necessário apenas contato com a saliva do vampiro e com o sangue humano, nossa saliva sozinha não causará nenhum problema se ingerida (a não ser, talvez, uma pequena indigestão – já que ela é um composto levemente ácido), mas quando misturada ao sangue de qualquer ser humano gera uma reação química que altera todos os compostos do sangue fazendo com que o coração bombeie-o mais rápido, dilatando as artérias e veias, transportando mais oxigênio diretamente ao cérebro, destravando algo entre 40 e 100% do potencial cerebral humano. Segundo certos vampiros mais “experientes” esse potencial tem um aumento de mais de 20 vezes nos próximos sete dias (quando, finalmente a nossa corrente sanguínea se estabiliza) e, após uma drástica diminuição de agressividade, vai aumentando em aproximadamente cinco vezes por ano. Tenham em mente que isso altera não só a capacidade mental, mas também física do indivíduo a níveis extraordinários.
Por que cargas d’água então vampiros bebem sangue? Simples, o único jeito de um vampiro conseguir energia suficiente para manter-se vivo é bebendo aproximadamente cinco litros de sangue fresco. Acontece que o corpo humano tem aproximadamente cinco litros de sangue, consumo do qual obviamente mata a vítima.
“Senhor vampiro, então por que o senhor não transforma todos eles para salvar suas vidas?” Poderia me perguntar você, frágil, indefeso e insignificante humano, com sua visão estreita sobre as coisas do mundo.
Simples, vampiros são mais inteligentes que os humanos. Inteligência leva, naturalmente, ao egoísmo.
“E o que tem isso a ver com qualquer coisa?”
Quanto maior o número de vampiros correndo por aí, menor o número de humanos para nós comermos.
Esta é a parte científica da transformação vampírica.


Prólogo III – Sobre ser e de repente não ser mais

Humano. Essa palavra é realmente muito complexa para o nosso vão entendimento. O que é ser humano? Se ser humano é simplesmente ter evoluído de um ser unicelular vindo da água paralelamente a outros mamímeros, então eu ainda sou humano. Se colocarmos como condição que devemos morrer após um certo número de anos, já não sou mais.
A verdade é que, independentemente de suas crenças, ou seja lá o que, eu ainda sou parcialmente humano. Não nasci vampiro. Sou um discriminado social. Um "meio-a-meio", ou como sou chamado pelos que são nascidos vampiros, eu sou um "mordido".
Enfim, por mais que eu quisesse dizer o contrário, esta história não transcorreu há mil, quinhentos, duzentos, ou mesmo cinquenta anos atrás. Sou um vampiro novo, tinha apenas vinte e cinco anos quando fui transformado, dez anos atrás. Já fez as contas? Pelo menos para algo serve seu cérebro inferior? Por via das dúvidas, digo-lhe que tenho, hoje trinta e cinco anos de idade, embora ainda aparente estar na faixa dos vinte e poucos. Outra vantagem de ser um vampiro é que quando você, mortal, estiver com seus oitenta anos, morrendo em uma cama de hospital, eu ainda terei vinte e cinco (e muito possivelmente seduzirei uma de suas netas).
Indo mais diretamente ao assunto, minha história começa quando eu tinha vinte e cinco anos, um ignóbil e cretino humano, que nem acreditava em vampiros ou qualquer outra coisa do tipo. Trabalhava, na época, como professor de História em uma escola próxima à minha casa, no Méier, enquanto estudava para o meu doutorado. Enquanto andava naquelas ruas violentas da minha "cidade maravilhosa", trajando minha camisa preta de botões abertos, revelando outra camisa preta por baixo, uma calça jeans, tênis pretos e meus tradicionais óculos escuros (sempre fui um tanto fotofóbico), mexia com meus anéis. Tinha mania de brincar com eles ou com meu ankh, que usava envolto em meu pescoço, tinha sempre que estar mexendo com alguma coisa. Obviamente que não se pode estar completamente atento às pessoas ao seu redor quando se anda distraidamente pelas ruas. Se eu tivesse prestado atenção, teria reparado que a figura estranha que geralmente andava atrás de mim, usando sempre o mesmo casaco azul marinho, de capuz, óculos escuros espelhados e calças acolchoadas, mesmo nas mais quentes tardes cariocas, não estava lá hoje.
Abri a porta de casa, onde eu morava com meu irmão gêmeo e meus três irmãos menores. Meus pais morreram quando eu tinha 22 anos em um acidente de carro e eu, junto com meu irmão gêmeo, fiquei responsável pelos nossos três irmãos menores (um de 6, um de 10, e um de 15 anos). Depois de três anos, nós já tínhamos nos acostumado com o fato de que nós cinco éramos a única família de nós cinco. De qualquer forma, eu abri a porta e nada poderia me preparar para o que eu iria ver.
Estirado no chão da sala estava o corpo do meu irmão gêmeo, com um buraco de bala no lado direito do peito. Eu corri e me agachei ao seu lado, esperando que ainda estivesse vivo. E realmente estava.
"Vai ficar tudo bem." Menti soluçando entre lágrimas.
"Rápido... ele... está... com... crianças... cuidado." Depois de ouvir essas exatas palavras, eu senti uma imensa dor. Como se a maior conexão espiritual que eu já tivera, não estivesse mais ali. Eu senti a morte do meu irmão. A única alma realmente ligada à minha partindo para a escuridão. Como se do nada eu ficasse completamente vazio por dentro. Só uma coisa importava, salvar meus três irmãos mais novos. Passei no meu quarto esperando que o bandido não estivesse lá. Lutando contra a tremedeira que me acometia, em parte por tristeza, parte por puro ódio, acertei a senha do meu cofre. Lá dentro, eu guardava minha .38.
Depois disso eu vasculhei quarto por quarto da minha casa, até que no quarto do meu irmão de 15 anos, achei seu corpo caído ao chão com dois tiros no peito. Seu laptop ainda ligado rodando seu jogo preferido, no chão, uma poça de sangue. Ele tinha sua katana de estimação em uma de suas mãos. Tentou lutar contra o invasor, e acabou morto por isso.
Foi no corredor do banheiro principal que eu ouvi barulho de choro. Uma onda de ódio maior ainda me perpassou. Que tipo de doente pervertido se tranca em um banheiro com duas criancinhas? Foi enquanto eu corria pelo corredor, que minha mente começou a funcionar rapidamente. Ele invadiu minha casa e matou o homem mais velho que viu por ser uma ameaça. Mas por que não arrancou seu cordão de ouro com um diamante na ponta? Ele matou meu irmão adolescente porque este tentou reagir, mas por que não levou seu caríssimo laptop? Por que não tentou abrir meu cofre e roubar meu dinheiro? A resposta me veio num relâmpago, ele não estava atrás de dinheiro. Devia ser algum psicopata ou maníaco sexual atrás de meus irmãos menores.
Olhei pela fechadura do banheiro, vi uma massa azul diante de mim. Mudando um pouco o ângulo, vi meus irmãos chorando na banheira. Ótimo. Pelo menos ainda estão vivos. Chutei a porta fazendo um enorme estrondo, e atirei nas costas dele com uma de minhas balas hollowpoint antes que ele pudesse ao menos se virar. O assassino caiu no chão, o sangue espalhou-se em todas as direções, pintando em rubro as alvas paredes e salpicando meu rosto.
"Vocês estão bem?" Perguntei ainda desesperado aos meus dois irmãos mais jovens. Meus dois únicos irmãos. Eles sacudiram a cabeça positivamente, abalados de mais pra falar, e eu fui abraçá-los.
"Vai ficar tudo bem, ele já foi. Ele não pode mais nos fazer mal." Disse-lhes sem reparar que às minhas costas o homem já se levantava.
"Ha! Ha! Ha! Que ceninha mais comovente." Disse o assassino já completamente erguido. "Aposto que você está odiando o fato de ter largado sua arma no chão. Levante-se e vire vagarosamente na minha direção."
"Como isso é possível?"
"Ha ha ha ha ha! Essa foi a mesma pergunta que seu irmão me fez depois que atravessou meu coração com uma espada." Seu tom de voz jocoso fez meu sangue ferver. Tentei socar seu nariz, mas ele se deslocou com velocidade sobre humana e deslocou meu ombro utilizando apenas seu polegar. Caí no chão gritando de dor e surpresa.
"Você achou que ia me acertar? ME ACERTAR?!" Depois disso, ele pegou meu irmão de dez anos com uma de suas mãos e o ergueu. "Você tem algo a dizer ao seu irmãozinho antes de eu matá-lo?"
"NÃO!"
"Péssima escolha de palavras." E ele quebrou o pescoço de meu pequeno irmão como se fosse um mero graveto.
"Seu filho da puta!" Solucei enquanto chorava. "Você vai morrer por isso, seu..."
"Ha! Como você vai matar algo que não morre? Vamos! Pegue sua arma, atire no meu coração, tente me parar!" Gritou o invasor em um frenesi megalomaníaco. Sem perceber que eu já tinha os dedos da minha mão esquerda envoltos no cabo da minha arma. Eu a apontei para a sua cabeça.
"Vamos, atire! Eu vou levantar e matar vocês dois!"
Sem parar para pensar, eu atirei no meio da testa dele. Corri como um louco e peguei meu irmão mais novo com meu braço esquerdo. Antes de chegar à porta da frente, ouvi uma explosão e senti uma dor aguda no meu ombro esquerdo. Ao cair no chão, constatei que a bala tinha atravessado meu ombro e acertado a cabeça de meu irmão menor. Não posso descrever como é a sensação de ter o último membro da sua família morrer em seus braços. Eu estava sentado com as costas na parede e na minha frente estava o monstro do casaco azul manchado de sangue, desta vez sem o capuz e sem os óculos. Seus olhos eram vermelho-sangue, seus cabelos eram loiros, e ele tinha um sorriso nojento em seu odioso rosto.
"Você vai morrer, assim como seus irmãos. Só que eu não serei tão generoso com você como eu fui com eles. Você estragou meu casaco preferido. Você quebrou meus óculos. Ha! Agora é hora da verdade. Você me trouxe aqui. Eu vinha te seguindo há mais de um mês. O ankh que você carrega pendurado no seu pescoço me atraiu. Você não tem ideia do que ele realmente quer dizer para o meu povo. Imagine minha surpresa ao ver um completo banquete aqui. Cinco pessoas vivendo sob um mesmo teto, sendo três crianças! Minha família será muito bem alimentada esta noite. Meu banquete será você. Só pelo trabalho que me deu, será consumido com vida!"
Após esse longo monólogo, ele se aproximou de mim, rindo da minha desgraça. Ele passou o dedo indicador na ferida que a bala fez no meu ombro esquerdo, sujando seu dedo de sangue, e em seguida, o lambeu por completo. Cuspi na cara dele, num último ato de coragem. Ele calmamente limpou a cara e enfiou o dedo inteiro no buraco deixado pela bala. A dor foi insuportável, enquanto ele girava seu dedo dentro do meu corpo. Cheguei bem perto de desmaiar, quando ele anunciou que o fim estava próximo. Ele finalmente retirou seu dedo de dentro da minha ferida e me olhou nos olhos. A última coisa que me lembro é de ver duas rodelas vermelhas, e depois ele desceu e começou a sugar o sangue do meu ombro. Depois disso, eu estava morto.
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Mensagem  [WM] Morgado em Qui 15 Abr 2010, 13:19

Ai cara esta show^^
Continua escrevendo ai^^
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Mensagem  Krieger em Qui 15 Abr 2010, 14:08

Obrigado pela força! Postarei a próxima parte quinta que vem. Abraço.
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Mensagem  ThaYuu em Qui 15 Abr 2010, 16:22

0.0 *boquiaberta* o que eu posso dizer?! Está perfeito! Estou louca pela continuação! *nossa, o pessoal aqui gosta mesmo de vampiros hein?!* ^^/
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Mensagem  Krieger em Sex 16 Abr 2010, 00:36

Obrigado pela força, ThaYuu-chan! Como já disse, devo postar a próxima parte na próxima quinta. Se minha ansiedade ganhar (e geralmente ganha), eu posto um pouco antes!
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Mensagem  [WM] Morgado em Qui 22 Abr 2010, 10:57

cadê o próximo? XDXDXD
paciência nunca foi uma virtude minha O.O
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Ankh - By Krieger Empty Capítulo I

Mensagem  Krieger em Qui 22 Abr 2010, 13:15

Capítulo I - Sobre o início da história.

Eu abri os olhos. Foi a sensação mais estranha do mundo. Como se fosse a primeira vez que eu realmente abrisse os olhos. Estava tudo escuro, e ainda assim eu via tudo com extrema perfeição. Eu vi uma minhoca andando na minha frente, contei 93 grãos de terra na parte exposta dela. Não entendi ao certo como fui capaz de tal coisa. Onde eu estava? A resposta veio instantaneamente. No meu caixão. Eu tinha morrido. Mas o que aconteceu? Eu teria que guardar minhas dúvidas pra depois, agora eu estava com fome. Uma fome que fazia meu estômago arder, minhas veias doíam. Cada centímetro do meu corpo doía. Como eu ia sair dali? Dei uma pequena pancada na tampa do meu caixão com minha mão esquerda. Reparei que não tive problemas para mexer aquele braço, no qual fui baleado. Após exatamente 0,43 segundo da minha batida na madeira, aproximadamente uma tonelada de terra caiu sobre mim. O estranho é que eu não senti nada do peso que deveria sentir. Não sufoquei até a morte. Cavei para cima com as minhas mãos com a mesma facilidade que se tem nadando em uma piscina.
Depois que saí da terra, olhei para mim mesmo, estava um trapo. Estava vestindo um terno que agora estava completamente imundo e um tanto rasgado. Ouvi um barulho insurdecedor, era um carro passando na rua. Ouvi um estalar atrás de mim, senti um cheiro forte de mato, ouvi o "tum tum" de um coração batendo acelerado, senti o cheiro de suor e me virei. O homem diante de mim se surpreendeu com meu movimento brusco. Tratava-se de um velho, vestindo um macacão pardo, com uma camisa suja que fora um dia branca por baixo e carregando uma pá de maneira agressiva. Seus olhos se arregalaram, suas pupilas dilataram, o doce cheiro do medo pairava no ar. Não é todo dia que se vê um defunto sair da tumba. Ele gritou e tentou me acertar com a pá. Grande erro. Coloquei instintivamente meu braço na frente do objeto que descia sobre mim, o cabo da pá impactou meu antebraço, não senti dor alguma, a pá quebrou em duas. Desferi um soco na ponte do nariz dele, o sangue jorrou para todos os lados. Eu afundara o crânio do meu agressor.
O cheiro de sangue me fez perder os sentidos por um momento. Senti uma dor aguda no peito e sabia que algo tinha mudado. Minhas unhas cresceram e ficaram pontudas, virando verdadeiras garras, meus dentes caninos cresceram e ficaram mais afiados que bisturis. A fome me consumia e eu desci sobre aquele corpo que ainda se contorcia em espasmos no chão e mordi seu pescoço.

...


Havia matado um homem. Não só matado, como sugado praticamente todo o seu sangue. Só voltei a mim quando a dor da fome passou por completo. Meus dentes voltaram ao normal e minhas unhas também. Senti uma onda de remorso. Para não faltar com a sinceridade, ainda sinto uma certa dose de remorso. Entendo agora que precisava da vida e do sangue dele para sobreviver, e como valorizo minha vida muito mais do que a dele, esse remorso resume-se hoje apenas ao fato de ter tirado a vida de um inocente.
Quero deixar claro que foi naquela hora que percebi, finalmente, o que tinha me tornado. A força, a velocidade, a audição, a visão e o olfato. A fome de sangue. Aquele vagabundo que invadira meu lar e destruira minha família. Tudo fez sentido naquele momento. Eu era um vampiro. De repente, tudo era possível. E se eu havia me transformado, meus irmãos certamente teriam uma chance.
Olhei ao meu redor e vi minha lápide. À direita estava a lápide de meu irmão gêmeo, à esquerda, as de meus irmãos mais novos. Gritei por eles. Nada aconteceu. Decidi que seria melhor cavar até encontrá-los. Passei exatos 35 segundos cavando o túmulo de meu irmão gêmeo e abrindo o seu caixão. Lá estava ele. Como se estivesse dormindo. Vestindo seu terno, idêntico ao meu. Comecei a chorar lágrimas de sangue. Parte de mim já sabia que ele ainda estava morto. Não senti em momento algum sua presença. Beijei-lhe a testa em um último ato de despedida, tendo a tristeza substituída, quase completamente, pelo mais puro ódio. Eu iria me vingar de quem tinha feito aquilo. Eu mataria o assassino de meus irmãos, se é que ele poderia morrer. Se não pudesse, eu o faria odiar a imortalidade. Ele seria mais castigado do que Prometeu. Nos melhores dias, invejaria a alma mais castigada das profundezas do inferno, se é que isso realmente existe.
Enfim, eu fechei gentilmente o caixão de meu irmão e o cobri com toda a terra que havia desfalcado. Agora restava apenas a questão de esconder o corpo do coveiro em um lugar onde ninguém fosse procurar. Meu túmulo estava vazio, então eu cavei até achar meu caixão e o coloquei lá. Ninguém descobriria o mistério de seu desaparecimento agora.
O cemitério onde fui enterrado fica em um lugar que eu pouco conhecia na época, no Cacuia, na Ilha do Governador. Estranho. Meus pais haviam sido enterrados no cemitério do Caju, por que cargas d'água eu fora enterrado no Cacuia? A namorada do meu irmão gêmeo morava na Ilha! Ela provavelmente organizara o nosso funeral e enterro, já que não tínhamos família que morasse perto, ou que se importasse. Eu tinha que achar a casa dela, mas como explicaria que eu saíra de meu caixão? Isso levantaria suspeitas. De qualquer forma, eu não sabia que horas eram, e imaginei que seria uma boa ideia eu meu esconder do Sol. Ele sempre foi o maior inimigo de todos os vampiros, ou pelo menos, é o que as histórias diziam. Como meu criador não ia me ensinar absolutamente nada, era bom eu me guiar pelo que eu conhecia dos velhos filmes.
Olhei meu relógio (sim, graças ao deus da sorte, fui enterrado com ele) e constatei que eram nove horas da noite. Ainda tinha muitas horas antes do nascer do Sol e a noite era uma criança. Aproveitei-me do cemitério vazio para testar meus novos poderes. O cemitério tem uns cento e cinquenta metros de um lado ao outro, eu os atravessei em 5,36 segundos sem me esforçar muito. Dei um soco na árvore mais grossa que vi na minha frente, ela tombou. Minha mão não sofreu um simples arranhão.
Enquanto brincava de pular árvores, percebi que ainda não tinha para onde ir. Qualquer distração era demais. Era extremamente difícil me concentrar em uma coisa só, tendo uma eternidade pela frente, vários poderes inexplorados e vingança... Vingança... Me lembrei dos meus irmãos nesse ponto. Foi muito fácil me distrair e esquecer. Vasculhei o bolso interno do meu blaser para achar algo que eu já sabia que estava lá. Meu ankh.
"Você não tem ideia do que ele realmente quer dizer para o meu povo", me dissera aquele assassino insuportável. O ankh, ou "cruz ansata", era um dos símbolos de Hórus, deus egípcio do Sol e da ressurreição e sua representação gráfica nos hieróglifos significava a palavra "vida". Segundo a mitologia egípcia, o loop na sua parte superior significa a união entre o masculino e o feminino, os deuses Osíris (senhor de todos os deuses do Egito) e Ísis (deusa associada às colheitas), os pais de Hórus. Para mim, ele significava a minha morte e a de meus irmãos, e o meu renascer como vampiro. Seja lá qual fosse seu significado para os vampiros em geral, ele simbolizaria apenas "medo" e "morte" para aquele filho da puta e seu coven.
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Mensagem  [WM] Morgado em Qui 22 Abr 2010, 15:20

ai cara....esta genial...
e olha que eu não costumo falar isso XD
muito boa mesmo ^^
fico a esperando ansiosamente o próximo capítulo ^^
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Ankh - By Krieger Empty Capítulo II

Mensagem  Krieger em Qui 29 Abr 2010, 02:05

Capítulo II - Sobre meu segundo encontro com vampiros.

. Eu corria tanto quanto meu corpo permitia, e isso era bastante rápido. Mesmo assim, é difícil correr sem saber exatamente aonde está indo, especialmente nas ruas de um bairro desconhecido. Àquela altura, já quase não havia mais gente andando pelas ruas, eram três da manhã. As pessoas que me viam, não conseguiam compreender o que era, tudo o que eles viam era um vulto azul marinho (por causa do terno). Eu percorria um caminho aleatório, buscando encontrar uma casa vazia que fosse. Meu tempo estava acabando e eu já considerava matar outra pessoa, quando ouvi um leve deslocamento de vento e batidas cardíacas, quando olhei para a direita, surpreendi-me ao ver um homem correndo ao meu lado.
. "Pare!" Mandou ele. Assustado, eu resolvi parar.
. Ele ainda correu mais alguns metros para perder momentum, e se virou na minha direção. Eu o analisei, ele tinha cabelos loiros, usava óculos escuros mesmo sendo noite, e vestia um terno preto, com gravata preta e camisa social preta por baixo. Ele caminhava ao meu encontro com toda a calma do mundo. Parou a uns dois metros de distância e disse:
. "Você vai ter que me acompanhar."
. "Como é?!" Nunca respondi bem a ordens dadas no imperativo-afirmativo, sem falar que aquele momento era como se eu estivesse entrando na preadolescência, estava passando por várias mudanças, tanto físicas quanto mentais, o que me fez ficar bem mais agressivo do que o normal.
. "Você entendeu muito bem, afinal, conhece bem as regras. Não pode correr assim perto de humanos, a não ser que vá matá-los."
. "Olha só, eu não entendo nada disso. Não tenho ideia do que você está falando." Respondi um tanto impaciente.
. "Ah! Além de desregrado, é comediante! Que desculpa mais esfarrapada!"
. "Escuta aqui, será que você pode sair da minha frente logo? Preciso achar um lugar para me esconder do Sol, que deve nascer em menos de uma hora e meia."
. "Se esconder do Sol? Por que você quer se esconder do Sol?"
. "Er..." Hesitei envergonhado. "Para não virar cinzas..."
. "Virar cinzas?! Vem cá, quem é o seu 'It'?"
. "Meu o quê?"
. "Pelos deuses! Isso explica esse cheiro de cemitério. Você foi enterrado?"
. "Claro! É isso que fazem quando você morre."
. "Olha só, eu não tenho como explicar agora, então você vai ter que confiar em mim. Venha comigo, que meu IT, aquele que me transformou, vai te orientar."
. Tive uma sensação estranha ouvindo ele dizer isso, como um instinto adormecido, que me compelia a confiar nesse estranho. Senti que ele dizia a verdade, e mesmo que não estivesse, eu não tinha muitas opções.
. "Ok." Disse eu. "Vamos lá."

...

. Depois de correr quatro quarteirões e de andar o resto do caminho em um Uno sem fazer lá muitas perguntas, eu e meu companheiro, que não se apresentou, chegamos a uma belíssima casa. Logo abaixo da plaqueta, onde estava escrito o número "IV" em algarismos romanos, se encotrava um escudo negro com um dragão de prata em alto-relevo, idêntico ao anel que o vampiro loiro que me acompanhava usava no dedo indicador da sua mão direita. Ele abriu o portão sem dizer nada e indicou com a cabeça que eu o deveria seguir.
. A sala era linda. Mesmo não tendo janelas. As paredes eram negras, e os móveis, em geral brancos, eram iluminados por uma lâmpada vermelha. Estatuetas de divindades gregas, egípcias e nórdicas, eram abundantes. Quase me espantei quando meu acompanhante me perguntou:
. "O que acha da decoração?"
. "Verdadeiramente deslumbrante, embora um tanto exagerada."
. "Heh! Fica difícil não exagerar, acumulando várias centenas de anos em artefatos, livros e outras coisas."
. "De fato. De qualquer forma, você não vai me convidar a sentar enquanto você vai chamar seu criador, ou seja lá como você o chama?"
. "Isso não será necessário." Disse uma voz até então desconhecida, com um timbre grave. "E perdoe meu jovem 'Sa' pelos seus modos. Por favor, sente-se."
. Eu o vi entrar na sala, saindo de uma abertura que dava em um corredor, onde eu imaginava que ficavam as escadas. Ele era alto, magro, de cor parda e careca. Usava robes negros, com o capuz abaixado e andava com os olhos fechados. No dedo indicador da mão direita, usava um anel idêntico ao do meu salvador, que levou o seu próprio dedo indicador à testa e fez um sinal de cruz, seguido de um sinal elíptico e em seguida beijou seu anel. O vampiro careca, mesmo de olhos fechados, sorriu e retribuiu o sinal feito por seu "Sa", o que quer que fosse isso.
. De qualquer forma, aquele vampiro passava uma aura que fez com que todos os meus pelos se arrepiassem. Meu corpo todo entrou em alerta. Eu sabia que estava diante de algo muito mais poderoso do que eu mesmo. Eu abri a boca para falar, mas foi ele quem falou primeiro:
. "Sei que está ansioso para me bombardear com perguntas sobre a sua transformação, sobre quem eu sou, sobre meus deuses antigos, sobre nossos hábitos que lhe parecem estranhos, sobre o assassino de seus irmãos, que também é seu It e sobre como eu sei tudo isso.
. "Vou responder a duas dessas perguntas agora, mas logo em seguida, levarei você para dormir até amanhã à noite, quando responderei a todas as suas dúvidas após nos alimentarmos.
. "Eu sou conhecido como Drakul, e não, não sou Vlad III Dracul. Nós recebemos nomes novos quando renascemos, mas não explicarei mais sobre isso neste momento.
. "A outra coisa que vou dizer é que sei toda a história de sua vida e suas dúvidas atuais porque tenho acesso quase livre à sua mente, que ainda não foi treinada para se defender de invasores. Tendo dito isso, vou te guiar para o meu 'quarto de hóspedes', embora sinta que você será mais do que um mero hóspede aqui."
. Tive vontade de falar algo, mas fui interrompido mais uma vez.
. "Por favor, não fale absolutamente nada. Confie em mim quando lhe digo que não é o momento."
. Nós chegamos até o final do corredor, onde havia uma porta negra. Quando ele a abriu, senti uma incrível sensação de frio. Era um freezer. Mais do que isso, era um freezer com uma cama e um armário.
. "Garanto que esta será a melhor noite que você já teve em todos os seus anos de vida." Disse-me o misterioso leitor de mentes enquanto eu entrava no quarto. "Boa noite." E fechou a porta.
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Ankh - By Krieger Empty Re: Ankh - By Krieger

Mensagem  Krieger em Qui 29 Abr 2010, 02:07

Gente, resolvi colocar os pontinhos marrons para marcar parágrafos, já que antes não havia qualquer diferença entre parágrafos e mudanças de linha por falta de espaço.

Que a Força esteja com vocês.
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Mensagem  [WM] Morgado em Qui 29 Abr 2010, 09:46

Uhhh......Drakul *-*
Quero saber logo como essa historia continua XD
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Ankh - By Krieger Empty Re: Ankh - By Krieger

Mensagem  Jaum em Qui 06 Maio 2010, 16:25

Por um segundo pensei na Ordo Drakul
Muito bom
kra quer paragrafos ??
precione alt e depois digite 255então solte o alt e ai vc vai ter um espaço vazio que não vai sumir quando vc enviar o texto.
espero que vc leia isso porque demorei anos para adquirir essa sabedoria secreta ( perguntei pra joy e ela disse na hora...¬¬)

Muito bom, continua ai, por favor .
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Ankh - By Krieger Empty Capítulo III

Mensagem  Krieger em Qui 06 Maio 2010, 23:36

Capítulo III - Sobre os Dons sobrenaturais

  Já dei uma curta, porém detalhada, explicação da parte científica da transformação vampírica. Não mencionei, no entanto, qualquer coisa sobre a parte sobrenatural da nossa existência. E não pense que tudo é ciência, ou pelo menos que a ciência contemporânea explica tudo. Como, por exemplo, como eu quebrei árvores ao meio com socos no cemitério, ou como eu corro a sabe-se lá quantos quilômetros por hora. Estou dizendo isso antes de continuar a minha história, porque quero que mantenham a mente aberta ao lerem as próximas linhas. Mas não nos adiantemos! Deixe-me retomar de onde parei.
  Tive um sono repleto de sonhos naquela noite, e mesmo assim, não mexi um músculo sequer deitado na minha cama (o que era estranho já que, quando humano, sofria de apneia). Foi como se minha mente estivesse verdadeiramente separada do meu corpo. Sonhei com meus irmãos e com meus pais, sonhei com as bebedeiras dos tempos da faculdade, sonhei com muitas das mulheres com as quais tive intimidade, sonhei com futebol, sonhei com jogos de pôquer com os amigos e com tudo o que houve de bom na minha vida antes da morte dos meus pais. Mas como na vida, as coisas boas sempre tendem a ter mais significado do que as boas, o sonho que mais me marcou, foi o que tive logo antes de acordar.
  "E então, já sabe o significado disso que carrega no peito?" Me perguntou o vampiro do casaco azul, mostrando seus dentes afiados com seu sorriso.
  "Claro que já. Meu It me explicou." Respondi calmamente. Não precisava me irritar com ele, afinal, aquele merda estava prestes a morrer.
  "Eu sou seu It! Eu te fiz!"
  "Cale a boca! Se eu sou o vampiro que sou hoje, você nada teve com isso! Você matou minha família, tentou me matar e ainda me abandonou!"
  "Que peninha do Sa abandonado. Você se deixa ser manipulado. Eles fazem de você como bem entendem. Se você está vivo hoje, deve isso a mim! E como você reconhece isso? Me traindo!"
  Voei nele, ele desviou por um triz e ficou tudo escuro.
  Acordei na minha cama, na casa de Drakul. Meus olhos levemente umedecidos de sangue.
  "Uma hora você se acostuma." Disse uma voz ao meu lado, que me fez sentar na cama num pulo. Era Drakul, que continuou falando tão calmamente quanto antes. "Você dormiu bastante, o Sol já se pôs há mais de uma hora. Eu já tive minha refeição de hoje. Agora é sua vez, vou te responder tudo o que precisa assim que você comer algo."
  Não havia reparado na minha fome até ele falar, mas minhas veias doíam.
  "Drakul, eu não quero matar ninguém. Também não poderia matar um animal inocente. Há alguma alternativa para o sangue?"
  "Alternativa para o sangue? Não. Mas há uma garrafa de cinco litros em cima da minha mesa de jantar. E não se preocupe, eu não drenei nenhum inocente. Foi um homem que tentou me assaltar com uma 9mm."
  Achei a solução bem agradável. Bandidos não merecem nada senão a morte. Sempre foi essa a minha opinião. Saí do quarto, guiado por Drakul em pessoa. Ele ainda usava o mesmo manto negro da noite anterior, com o capuz sobre sua cabeça, de forma que eu não pude ver seu rosto em momento algum. No meio do caminho, me lembrei de perguntar algo:
  "Posso escov...?"
  "A porta que se encontra à minha direita, é um lavatório. Já providenciei uma escova de dentes para você." Me interrompeu Drakul, antes que pudesse terminar a frase.
  Entrei no banheiro, e ao olhar o espelho, tomei um susto. Meus olhos não mais eram castanhos como os de minha mãe. Nem vermelhos como os do vampiro de casaco azul. Meu reflexo tinha olhos prateados. Seriam cinza, se não brilhassem tanto. Olhei de perto, mudei o ângulo e cheguei à conclusão de que não era uma ilusão de ótica.
  "'Os olhos são o espelho da alma', diz um ditado humano. Muitos de nós acreditamos que seja esse o motivo da mudança de cor." Disse Drakul. Pelo tom de sua voz, sabia que ele estava sorrindo. Provavelmente por causa do meu susto.
  Escovei os dentes e o segui até a escadaria. Não havia apenas uma escada de subida, havia uma de descida também. Aquela casa possuia um porão. Depois de chegarmos ao segundo andar, paramos frente a uma porta dourada.
  "Esta é a sala de jantar." Disse-me Drakul, abrindo a porta. "Entre."
  Ele fechou a porta atrás dele. Quando entrei, senti um cheiro delicioso. Era tudo o que eu mais desejava. Amarrado na mesa havia um homem. Ele parecia dormir. Não estava morto, visto que seu coração batia.
  "Não se preocupe, ele não vai acordar. Este é o ladrão do qual eu lhe falei. Não seja hipócrita, eu senti a aprovação nos seus pensamentos na hora que eu te disse que havia drenado o sangue de um bandido. Quero que mire na jugular e que depois de furar, tire os dentes, beba tudo rápido. Vai se sentir bem melhor depois disso."
  Olhei o homem deitado sobre a mesa. Ele era um bandido, eu estaria fazendo um verdadeiro serviço social. E além disso, estaria saciando minha fome. Olhei sua jugular, fiz meus dentes crescerem e desci. Assim que senti o sangue subir, tirei os dentes e chupei-o.
  "Enquanto você bebe, eu vou explicar algumas coisas. Sobre várias das dúvidas que você tem na cabeça. Primeiro: o vampiro que te transformou, o do casaco azul, se chama Istfy. Ele te transformou ao misturar a saliva dele com o seu sangue. Ele chupou o dedo não foi? E não te drenou por completo. Ele e o Abt, a família dele, gostam de usar a violência de rua para encobrir seus crimes. A polícia acha que o assassinato da sua família foi mais um roubo.
  "Segundo: não vou te dizer onde ele mora por enquanto, você não é forte o suficiente.
  "Terceiro: Nós nos tratamos por nomes em egípcio antigo. 'Abt' quer dizer 'família', 'It' quer dizer 'pai', 'Sa' quer dizer filho, e assim por diante. Fazemos isso por ser acreditado que os primeiros vampiros vieram do Egito Antigo.
  "Quarto: Eu também tive um sonho revelador hoje. Nós, vampiros os temos com uma certa frequência. Estou disposto a te aceitar como parte de minha Abt, mesmo não tendo te criado, quero você como meu Sa.
  "Quinto: Se você aceitar, e eu já vi que vai, eu tenho que te treinar nos próximos quatro dias, quando a sua transformação termina. Nós, vampiros temos os chamados Dons. Todo vampiro possui os três Dons, o Dom do Físico, o Dom da Mente e o Dom de Ka. A palavra 'Ka' quer dizer 'alma' em egípcio, a propósito.
  "Mesmo que todos possuamos os três, todos nos especializamos em um deles. Um vampiro com o Dom do Físico, pode chegar a se transfigurar em animais, outros preferem fazer sua constituição muito mais forte, sendo mais rápidos e resistentes. Um vampiro com o Dom da Mente, pode utilizar até a telecinese e colocar pensamentos em sua cabeça. Antes que pergunte, esse não é meu Dom, qualquer um pode ler uma mente desprotegida, como a sua, ainda mais tendo alguns séculos. O Dom de Ka tem a ver com controlar o seu próprio espírito, e através dele, controlar as coisas ao seu redor. Os elementos, para ser mais específico."
  Terminando de beber todo o sangue que pude do assassino, sem sequer sujar minha boca, olhei para ele e disse:
  "Você espera que eu acredite que alguém controla elementos?"
  O corpo em cima da mesa começou a pegar fogo, mas estranhamente, a mesa em si não ficou sequer chamuscada. O fogo era completamente azul. O cheiro era insuportável, mas em questão de segundos o corpo desapareceu por completo, deixando apenas cinzas sobre a mesa. Drakul bateu palmas e o fogo se apagou.
  "Demora um tempinho para dominar, mas é o melhor sistema de limpeza do mundo." Disse-me ele descendo seu capuz, como na noite passada, para revelar seus olhos fechados. "Você já tem três dias de vida. Dentro de quatro, no máximo cinco, estará completamente transformado. Seu Dom específico já deveria se revelar. Tenho que levá-lo para a noite, mas antes tenho que explicar-lhe as regras, as Leis Vampíricas, os limites da nossa imortalidade e um pouco de história e mitologia. Vou começar pelas Leis."
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Mensagem  Krieger em Qui 06 Maio 2010, 23:41

Valeu pela força Jaum! Pela força e pela dica, aliás! Abraço!

Que a Força esteja com você!
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Mensagem  [WM] Morgado em Sex 07 Maio 2010, 09:44

Muito bom cara
estou ansioso para o próximo XD
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Ankh - By Krieger Empty Capítulo IV

Mensagem  Krieger em Qui 13 Maio 2010, 02:33

Capítulo IV - Sobre as informações básicas.

  Conversamos por cerca de uma hora sobre tudo o que limita um vampiro. Resumindo um pouco, a Abt de Drakul era conhecida como "Ordem do Dragão". Ele era fã da história "Drácula" de Bram Stoker (mesmo sendo fantasia) e por isso assumira seu nome.
  Enfim, a principal função da Ordem era policiar os vampiros do Rio de Janeiro para garantir que as Leis do Conselho Internacional dos Vampiros (CIV) fossem seguidas à risca na Cidade Maravilhosa. Este serviço era dado à Ordem do Dragão por ser a Abt pertencente ao vampiro mais velho da cidade, Drakul. Todas as Famílias respeitavam a Ordem.
  Segundo Drakul, não havia prisões para vampiros, pois a única pena aceitável para qualquer Lei quebrada, era a morte. As Leis em si eram bastante simplórias, visto que quase todas revolviam em torno de um princípio básico: não nos revelar aos humanos. Havia também Leis Regionais, que variavam de cidade a cidade de acordo com a Abt mais antiga e as regras de cada Abt, que nunca deveriam conflitar com as Leis do CIV, ou com as Regionais. Botando no bom e velho português carioca, era uma burocracia do caralho, mas completamente necessário para a existência dos seres noturnos.
  Depois de me explicar este justíssimo (sem sarcasmo) sistema de manutenção das Leis, Drakul resolveu conversar sobre os meios de se matar um vampiro. Ou melhor, o meio. Só há um. A luz solar é a única coisa que pode realmente matar um vampiro. Acontece que em 1985, cientistas vampiros (sim, eles existem) acharam um jeito de fabricar uma injeção dada diretamente no coração, que nos protege, sendo eliminada pela nossa pele. Imagine um filtro solar fator 5000. Ele foi feito de tal forma que o nosso corpo não só não o rejeita, como também o assimila, passando a produzi-lo naturalmente a partir do nosso sistema regenerativo, ou seja, quanto mais se elimina, mais se produz.
  Como o Conselho executa os vampiros então? Acontece que para regenerar a cabeça, um vampiro precisa ligar a própria de volta ao pescoço, coisa que só aqueles que possuem o poder telecinético dado pelo Dom da Mente poderiam fazer, e mesmo assim, eles precisariam de uma quantidade boa de sangue (lembre que o ele nos dá energia). Há também as estacas. Elas não matam, obviamente, mas há uma estaca feita de acrílico (às vezes de vidro, ou mesmo de prata) que é furada da ponta até o cabo, completamente oca. Quando ela é fincada no coração de um vampiro, faz o sangue jorrar longe e rápidamente o enfraquece. É uma coisa verdadeiramente linda de se ver, se você não for o dito vampiro, claro. O agente do Conselho finca a estaca no vampiro criminoso a ser detido e assim que ele estiver enfraquecido o suficiente, arranca-lhe a cabeça, desmembra, queima tudo separadamente, e guarda as cinzas em várias caixas de concreto de baixo da terra, onde nenhum sangue vai encostar. Já as cabeças são guardadas num depósito em um dos países-sede do Conselho (Egito ou Grécia).
  Quando Drakul falou em "mitologia", pensei que ele fosse falar sobre algum tipo de religião dos vampiros, algum deus-morcego, ou algo do gênero, mas a realidade era algo um tanto quanto inesperado, eu diria até inimaginável. Não fosse pelo fato de eu ter que sugar sangue para existir, eu diria que aquilo era verdadeiramente ridículo e absurdo! De qualquer forma, o que Drakul me contou, eu não classificaria como "mitologia", mas sim como "história".
  Todos os deuses de quase todas as religiões antigas existiram. Eles eram vampiros. Acho que devo explicar isso melhor. Nossa existência nem sempre foi segredo. As sociedades antigas tinham plena noção de que nós estávamos lá. Por causa da ingenuidade dos povos primitivos, assim como da inteligência superior dos vampiros, os seres da noite foram divinizados. Os vampiros egípcios de forma geral, dominavam a técnica de se transformar em animais garantida pelo Dom do Físico; os gregos geralmente dominavam o Dom de Ka; os vampiros aztecas usavam o Dom da Mente para demandar sacrifícios de sangue de seus servos humanos para eles (convenhamos que era um ótimo jeito de conseguir jantar); os nórdicos eram mais ecléticos, utilizavam o que tivessem nas mãos para ganhar o poder; e assim por diante.
  Drakul me ensinou muito sobre os "deuses" e como eles dominaram soberanos sobre os humanos por muitos anos, até que esses se revoltassem e contra-atacassem. Quem liderava o ataque? Os filhos bastardos de seres da noite com humanas. Esses "meio-vampiros" eram especiais. Para qualquer um que visse, eles eram humanos normais, mas a verdade é que tinham sentidos extremamente aguçados, alguns tinham até traços bem leves de Dons e todos, por algum motivo, sentiam a necessidade de exterminar vampiros. Eles levavam uma leve vantagem por saberem que nós não poderíamos matar todos os seres humanos, ou ficaríamos sem fonte de energia e por causa da luz do Sol. Humanos e "meio-vampiros" arrancavam vampiros de suas casas todos os dias durante o sono. Como resultado, vampiros foram caçados em todos os cantos do mundo e chegaram à beira da extinção, quando Hórus se manifestou. Há um consenso entre os vampiros de que Hórus foi o maior de todos nós. Dizem que ele foi o único vampiro a possuir completo domínio sobre os três Dons. Seus poderes mental e espiritual eram tão imensos, que ele conseguiu expandir sua mente a quase todos os cantos do mundo conhecido na época, apagando os vampiros das memórias humanas e fazendo com que todos os "meio-vampiros" que ele pôde tocar com seu espírito entrassem em combustão e morressem. Os Sa's de Hórus que testemunharam esse feito, disseram que ele se desintegrou depois de tanta energia gasta. Que do poderoso Hórus, sobrara apenas uma pena de falcão. Como ele conseguira tanto poder era ainda um mistério para todos, e como os antigos "deuses" se aproveitaram do Supremo Sacrifício (como ficara conhecido o ato de Hórus) para entrar no anonimato, não se sabe o quanto é verdade sobre as antigas mitologias e o quanto é mentira. Só se sabe de uma coisa, os doze anciãos máximos do Conselho, são supostamente os doze Sa's de Hórus.
  Depois que terminou de falar, Drakul ficou me analisando, como se esperasse que eu fosse me revoltar com tudo o que havia me contado. De fato, eu estava de olhos arregalados, sentado na mesa sobre as cinzas que restaram da minha última refeição. Nunca imaginara nada daquilo. Mas se era possível que com um pensamento, um ser ateasse fogo em outro, não havia muito que pudesse ser impossível. Nem mesmo aquela história maluca que eu acabara de ouvir.
  "Eu sei que foi muita informação ao mesmo tempo, mas acredito que seu cérebro 'novo' seja capaz de processar tudo o que eu lhe disse. Não só isso, como também temos pouco tempo para treinar você e colocá-lo nas ruas caçando vampiros desordeiros. Não vou encher sua cabeça com teorias." Ao dizer isso, ele me entregou um pequeno pedaço de papel dobrado. "Vá até o endereço indicado. Lá você encontrará Zealott. Diga que você é o novato que vai acompanhar a missão. Quero que vocês vão até o segundo endereço e me tragam as cabeças dos cinco vampiros que moram lá. Eles se segregaram do It que os criou sem autorização e começaram uma Abt própria sem o meu aval, sendo todos condenados à punição eterna. Não se preocupe muito por estar em menor número, Zealott tem experiência treinando novatos. Só tem uma coisa, vocês têm que voltar antes do Sol nascer, já que você só será imunizado depois de ser propriamente batizado como meu Sa. Boa sorte." E com isso, fez um gesto com as mãos indicando despacho. Saí sem dizer uma palavra.


Última edição por Krieger em Qui 13 Maio 2010, 15:28, editado 1 vez(es)
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Mensagem  [WM] Morgado em Qui 13 Maio 2010, 09:45

Ai cara a parte do Deuses ficou muito show XD
Algo que pelo incrível que pareça faz sentido ^^
gostei muito...fico na espera de novos capítulos.
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Mensagem  Jaum em Qui 13 Maio 2010, 11:59

Sweet
Gostei, talvez porque eu goste do horus, mas tá maneiro de verdade. kd o resto ? hein ?

Tem como vc montar pra mim um" vampire's anatomy" ? One that fits with that mith ur using.

Adorei o soro anti sol eterno ^^
Só não gostei dos termos... it abt é foda... hauahuhauah boa sorte, continue criativo.
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Mensagem  Krieger em Qui 13 Maio 2010, 15:37

Morgado e Jaum, meus dois leitores fiéis, muito obrigado pela força dada nesta história! Não fosse toda a positividade de vocês, não sei se ainda postaria religiosamente toda quinta-feira, ou se já teria desanimado.

Jaum, não sei se entendi bem o que vc quis dizer com "vampire's anatomy". Tipo, vc quer que eu monte um esquema completo da anatomia deles mesmo, ou isso é algum tipo de expressão idiomática que eu não conheço? (Eu sei que provavelmente é uma pergunta imbecil, mas perguntar não dói). Hehehe!

Enfim, fiz uma pequena correção no capítulo, onde estava escrito que havia sobrado apenas uma pena de águia de Hórus, eu apaguei e coloquei pena de falcão (gosto de manter os detalhes da mitologia o mais próximo possível, e como escrevi de madrugada, confundi "falcão" com "águia" - escrever com sono é uma merda).

Abraços, e até quinta que vem!

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Mensagem  Jaum em Qui 13 Maio 2010, 15:48

É porque quando se fala de vampiros tudo pode acontecer, eu falei mais de brincadeira ( não sei fazer isso escrevendo). Mas se vc quiser fazer leio feliz, queria dizer algo que explicasse o comum de um vampiro, tipo:
Vampiros:
Resumo.......
fraquezas universais:
fraqueza blah...
vira porurina no sol ( crep)
.
.
.

idades de um vampiro
....
primeiras fases da transformação
anomalias comuns e incomuns
poderes e habilidades únicas


blah blah blah
... entendeu ?

quase um livro de rpr... se fosse de uma especie animal teria altura, peso medio, capacidade de carga, mas sendo vampiro teriam outras coisas ^^
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Mensagem  Krieger em Qui 13 Maio 2010, 16:43

Entendi. Eu já fiz um pouco disso no Prólogo II e mais um bocado no capítulo IV, pretendo ir lançando as informações sobre fraquezas e poderes aos poucos ao longo da história.

Abraço.

Que a Força esteja com você.
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Ankh - By Krieger Empty Capítulo V

Mensagem  Krieger em Qui 20 Maio 2010, 14:12

Capítulo V - Sobre o primeiro trabalho.

  O endereço que Drakul me dera acabou por ser um bar. Por ser sexta-feira à noite, ele estava lotado, baseado no cheiro, lotado de humanos. Eles bebiam cerveja até perderem seus sentidos e falavam toda sorte de besteiras sem pensar em quem estaria ouvindo ou em quem ficaria ofendido com certos impropérios. Não que eu condene isso, ou julgue essas pessoas, aliás, era eu não só fã, como praticante ávido das artes boêmias quando humano.
  O dono do bar percebeu que eu estava olhando ao meu redor buscando algo, como um cão faminto procura por restos de comida. Ele me olhou por detrás do balcão por exatos dez segundos antes de perguntar:
  "Você vai consumir, ou vai ficar olhando todo mundo antes, porra?"
  Meu olhar profundo o fez paralizar. Ele estava com medo. Não tenho bem certeza se aquela reação era provocada por ele saber de certa forma que estava na presença de um ser superior, de seu único predador natural, ou se nunca tinha visto alguém com olhos prateados na vida.
  "Não tenho nenhum dinheiro comigo agora. Fui roubado ali na esquina. Queria pedir um copo de água, enquanto penso em como vou chegar em casa." Foi a melhor história que consegui pensar no calor do momento. O melhor é que graças ao medo, funcionou. Aquilo era fácil demais.
  "Não é de se surpreender! Quem anda de terno na cidade do Rio nessa hora da noite? Principalmente dentro da Ilha do Governador." Disse o dono do boteco me passando um copo com água da torneira.
  "Tomarei mais cuidado, senhor. Obrigado." Respondi bebendo tudo em uma só golada.
  Foi quando ela entrou. Nunca tinha visto nada mais belo em todos os meus poucos anos de vida. Tratava-se de uma loira com os olhos mais incrivelmente verdes que eu já havia visto. Eles pareciam dançar. Senti ao meu redor, uma forte excitação emanando de todos os outros homens presentes no bar. Mesmo sem desviar o olhar, sabia que todos a fitavam. Ela veio andando diretamente em minha direção, sem tirar os olhos de mim e, para minha total surpresa, me beijou.
  Me senti de volta à minha adolescência, quando os hormônios explodiam em reação ao menor estímulo. Ao senti-la pressionar seus lábios nos meus, e me agarrar com tanta vontade, retribui com o mesmo desejo. Depois de bons, não, ótimos trinta e seis segundos, ela me largou, olhou fundo nos meus olhos e disse:
  "Oi, amor. Recebi a mensagem para te encontrar aqui agora. Desculpe a demora, mas eu estava no meio do meu jantar quando o celular tocou. Você está bem? O ladrão te machucou?" Ela perguntou isso fazendo parecer que nos conhecíamos havia anos. Felizmente, meu poder de raciocínio era agora muito maior do que antes, e mesmo então, já não era pouco.
  "Sim querida, eu estou bem. Graças a Deus, aquele filho da puta não me fez nada. Vamos?" Respondi com a mesma naturalidade.
  Agradeci ao barman, que sacudiu a cabeça atordoado, ainda por causa da mulher estonteantemente bela e do beijo que ela me dera.
  "Você é Zealott?" Perguntei, mesmo já sabendo a resposta. "Eu sou..."
  "Não me interessa seu nome humano." Cortou-me ela. "Você é o Novato. Só isso."
  Caminhamos até um Porsche vermelho. Nada aconselhável dirigir um carro desses no Rio, a não ser que seja blindado, ou que o motorista seja um vampiro. Zealott me disse uma vez, bem depois disso, que era um atrativo para os bandidos que lhe serviam de jantar.
  Entrando no carro, ela olhou para mim e disse:
  "Desculpe meu comportamento no bar, mas me pareceu a única possibilidade que eu tinha de manter sua história coerente, o que é muito importante, considerando que você não quer que suspeitem de nada."
  "Não precisa se desculpar." Respondi. "Eu sei que foi totalmente necessário. Mesmo que não seja, sinta-se livre para fazer isso de novo sempre que tiver vontade."
  "Vocês novatos são foda, mesmo. Mas marque minhas palavras, essa foi a última vez que isso aconteceu.
  "Agora falemos do trabalho. Qual é o seu Dom?"
  "Er... Eu ainda não tenho um Dom definido."
  "Puta que o pariu, Novato! Você quer morrer?"
  "Pra falar a verdade, não. Eu meio que gosto da minha nova vida."
  "Cala a boca. Foi uma pergunta retórica, seu imbecil. Dentro do porta-luvas há uma estaca de prata com a ponta bem afiada. Ela é minha. Se você encostar, eu vou usá-la em você e te deixo virar cinzas no Sol. A que você vai usar é feita de vidro, e só é boa para um uso. Depois disso ela geralmente quebra, aí você tem que se virar com as mãos."
  "Como eu vou me virar na mão com vampiros mais fortes do que eu, cujos Dons eu desconheço?"
  "Eu acho que tenho uma foice sobrando..."
  "Ótimo! Eu pego!"
  "Mas há um 'porém'. Se você quiser que eu empreste, você vai ficar me devendo um favor."
  "Que tipo de favor?"
  "Não interessa. Quando eu precisar, você é obrigado a me ajudar. A única coisa que levará prioridade sobre isso será toda e qualquer missão que Drakul tenha passado."
  "Eu só posso concordar depois de ver o estado de conservação da foice."
  "Você realmente aprende rápido, Novato. Talvez venha a sobreviver esta noite." Após dizer essas palavras, ele pegou uma grande maleta no banco de trás, colocou no seu colo, acertou a senha de nove dígitos e abriu-a. Dentro da maleta havia uma estaca de vidro, três facas polidas, duas pistolas e uma foice dindíssima. Era de uma mão apenas, evidentemente, mas arrancaria uma cabeça com facilidade.
  "Pegue a estaca, uma pistola e um cortante qualquer. Todos são de prata, já que ela causa uma certa reação alérgica no nosso povo." Disse-me ela sorrindo. "Mas saiba que se quiser a foice, vai ficar me devendo mesmo um favor. No entanto, ficará com ela para sempre."
  Fiquei por um bom tempo analisando a foice. Até a empunhadura era de prata, no formato de um dragão. Ela tinha duas lâminas, ambas paralelas e viradas para o mesmo lado. Elas eram as asas do dragão, que parecia estar em pleno voo, fugindo da minha mão, com as duas viradas para sua barriga. Foi amor à primeira vista.
  "Vou ficar com ela, então." Disse sorrindo. "Mas não quebrarei nenhuma das Leis para realizar esse favor, nem farei nada contra Drakul, ou contra a Ordem."
  Ela riu, como se as palavras que eu falava fossem imensas besteiras.
  "Combinado, Novato. Mas não pense você que facilitarei sua vida."
  "Tem mais duas condições." Disse eu, pensando de repente em dois buracos que deixara. "Não tirarei minha vida, ou causarei qualquer dano direto ao meu corpo e não deixarei de exercer minha vingança."
  "Tudo bem, Novato, eu não pediria nada do tipo. Preciso de você vivo e contente." Respondeu-me ela. "Agora se você já escolheu o que quer, podemos ir? Temos um trabalho a fazer."
  "Tô até ansioso." Respondi com um sorriso maligno nos lábios. Estava gostando da ideia de matar aqueles malditos criminosos.
  Ela manteve o carro a aproximadamente 80 Km/h a viagem inteira, enquanto me explicava seu plano. Eu achei genial, considerando que tudo dependia de uma coisa incerta.
  Paramos na frente de uma casa pequena e mal-cuidada, próxima à favela do Morro dos Macacos. Eram três e meia. Eles já estariam em casa, segundo nossos cálculos.
  Saí do carro desacompanhado, colocando um boné que Zealott tinha no porta-malas e também uma calça jeans e uma camisa surrada. Havia um gato sentado à frente da porta me observando com seus olhos verdes.
  Bati na porta olhando levemente para baixo, de maneira a esconder meus olhos, que seriam a única falha no plano. Quem atendeu foi um sujeito mulato e forte com olhos amarelos, medindo facilmente mais de dois metros.
  "O que você quer a essa hora da manhã?" Me perguntou com sua voz grave.
  "Senhor, será que eu posso usar seu telefone?" Falei na minha voz mais assustada o possível. "Meu carro quebrou e meu celular está sem bateria. Será que eu posso ligar para o meu pai do seu telefone?"
  Ele deu uma risada curta e disse:
  "Claro, pode entrar e sentar no sofá. Vou pegar um copo d'água pra você e vou avisar meus irmãos que não há nada demais. Eles também acordaram assustados."
  Ele entrou pelo único corredor e entrou em uma das três portas que lá havia. Consegui usar minha audição aguçada para ouvir a palavra "lanche". Sorri. Tudo ia de acordo com o plano.
  Já esperava de pé, quando os três vieram correndo e me cercaram, num piscar de olhos.
  "O que está acontecendo?!" Perguntei parecendo extremamente assustado. "Como vocês chegaram aqui tão rápido?! Isso é INUMANO!"
  Quando disse isso, minha foice veio voando em minha direção, cortando a cabeça de um dos três vampiros que me cercavam, e eu a peguei no ar. Chutei a cabeça caída para longe do corpo, para evitar qualquer regeneração. Antes que pudessem reagir, saquei minha estaca de vidro no coração do outro, que batia acelerado e, por isso, foi fácil de achar. O sangue jorrou pelo buraco da estaca na hora e eu quebrei a parte que ficou de fora, impossibilitando a remoção. Tentei me preparar para o que aconteceria em seguida. Como o último que sobrara, que foi justamente o que abrira a porta, usava o Dom do Físico para ter uma força absurda, mesmo para um vampiro. Levei um soco no peito que me fez voar e atravessar a parede.
  "Novato, você vai bater na porta e dar uma desculpa boa para entrar. Como você ainda tem cheiro de humano, por ainda não ter terminado a transformação e também porque não foi ainda imunizado, não tendo assim o cheiro do soro protetor, se eles não virem seus olhos, devem deixar você entrar. Lá dentro, o que atendeu a porta vai querer chamar os outros para o lanche. Quando fizer isso, haverá apenas dois dentro do quarto e eu terei matado os outros dois do lado de fora. Nesse ponto, estarei esperando você, escondida atrás da janela da sala." Disse-me Zealott ainda no carro.
  "Ótimo. Eu deixarei Ginryu com você..."
  "Você deixará o quê comigo?"
  "Ginryu. Foi como eu batizei minha foice."
  "Porra, Novato! Pare de falar besteiras e volte ao plano! Por que você deixaria sua única arma decente comigo?"
  "Pra não fazer volume nas roupas. Não quero parecer mais suspeito do que é estritamente necessário. Enfim, os três vão me cercar, para garantir que eu não tente fugir. Quando eu disser uma palavra-chave qualquer, você joga a minha foice pela janela, acertando algum pescoço, de preferência. Preciso saber quais são os Dons deles para ter certeza da ordem de execuções."
  "Eu vou matar os dois vigias. Um que tem o Dom do Físico e o usa para se transformar em um gambá e outro que usa o Dom da Mente como sensor, para saber quando há vampiros hostis por perto.
  "Os três que vão restar são: um branquelo de olhos azul-ciano; outro de olhos roxos e um mulato de olhos amarelos. Respectivamente, um que usa o Dom de Ka para criar fumaça; um que usa a telecinese para parar corações com o Dom da Mente; e outro que tem uma força e uma resistência incríveis graças ao Dom do Físico."
  Depois de pensar por pouco tempo, eu disse-lhe:
  "Ótimo. Quando eu der a palavra-chave, você joga a foice no cara da fumaça, eu mato, ou melhor, dou uma segurada no telepata e depois eu luto com o 'negão'. Ele vai me bater assim que o susto da foice ter pego o amigo dele passar, eu vou repetir a palavra-chave e você entra em ação, surpreendendo ele de novo."
  "Surpreender como?"
  Me levantei coberto de pó, vindo da parede que fora destruída, eu estava basicamente cinza. Ele me olhava com ódio, eu sorri para ele de maneira cruel, enquanto minhas costelas se consertavam e bati a poeira das minhas calças.
  "Você é forte." Eu disse para ele, ainda rindo. "Mas eu receio que eu também seja inumano."
  Quando eu disse isso, alguma coisa o acertou em cheio nas costas. Não o ataquei naquele momento porque queria que ele se visse derrotado por inteiro. Eu queria que ele tivesse consciência de que EU o derrotara. Eu sou infantil assim, às vezes, sem falar que com aqueles poderes novos chegando, eu estava me deixando levar por uma onda de emoções novas.
  Ao se virar, aquele brutamontes caiu de joelhos. Havia uma cabeça aos seus pés, a sombra de uma última expressão de espanto ainda marcando suas feições finas. Era uma mulher. Mais do que isso, era a companheira dele, seus cabelos loiros, quase brancos, estavam agora tingidos de vermelho. Sua textura, antes lisa e leve, estava agora pesada e empapada de sangue, um sangue muito parecido com o que o vampiro de olhos amarelos agora chorava.
  Eu cheguei por trás dele, encostei a lâmina da minha foice em seu pescoço, lentamente.
  "Você perdeu, grandão. A Ordem do Dragão te julgou, caçou e agora te executará por seus crimes." Ele não parecia nem me ouvir, sua tristeza havia tomado conta. "Ginryu está com fome."
  Com isso, eu arranquei sua cabeça rapidamente com um só golpe, e a afastei de seu corpo. O gato de olhos verdes veio roçar minhas pernas.
  "Pode voltar o normal, só me resta arrancar a cabeça do cara que eu 'estaquei'. Seria bom você ir juntando os corpos deles para colocarmos no carro. Acho que Drakul vai querer queimá-los, ele mesmo."
  Zealott voltou a sua forma normal e colocou os corpos, já depletos de sangue, no porta-malas e botou as cabeças, também secas, numa caixa no banco de trás do carro. Satisfeitos com o nosso trabalho perfeito, voltamos para a sede da Ordem.
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Mensagem  Jaum em Qui 20 Maio 2010, 16:47

Uou bom demais
eu adoro vampiros...
adoro emboscadas...
adoro não saber o que vai acontecer no próximo segundo ^^
keep going
it's amazing
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Mensagem  [WM] Morgado em Sex 21 Maio 2010, 14:22

Concordo com o Jaun
muito bom cara....Emboscado muito bem feita ^^
fiquei incrível ^^
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