A Ruina dos deuses: A guerra das sombras

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Mensagem  Radamael em Qua 27 Out 2010, 21:50

Eu sei que eles caem um a um...

:p

Quanto ao jogo, vai ser você que vai convencer a Alpha do Grupo a não só me deixar jogar, como ainda abrir mão de mim para eu narrar?
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Mensagem  Jaum em Seg 15 Nov 2010, 10:05

     O casamento foi bonito, meio as pressas, mas incrível na verdade. O único problema era o luto e a incerteza. O luto era desconhecido pela razão dos presentes, mas sem exceção todos sentiam a falta que faria a deusa dos homens que estava sendo destituída de seu cargo num tempo que era para os deuses diferente do que era para os mortais. A incerteza era clara, nenhum rei já foi consagrado sem ter o sangue da família real. Família que dispensava sobrenomes sendo apenas a família real de Antharos, os nobres guerreiros que construíram as fundações do reino sobre o sangue dos inimigos .

     A princesa andava até a esfera azul que marcaria seu marido o aceitando como o novo e legitimo rei. Ela tinha certeza que ficaria tudo bem, sempre ficava com ela. O príncipe estrangeiro estava vestido como o soberano que seria. Brilhava mais que a própria noiva, que estava transbordando irritação por não ser o centro das atenções, mesmo com o vestido que impedia que os homens olhassem para as próprias esposas sem se sentir injustiçados. Os passos de Ishtar faziam um som estranho de metal, exatamente o que se esperaria de um cavaleiro indo matar um dragão ou monstro similar. Este estava a caminho de desposar a flor mais preciosa.

_ Você vai queimar esse vestido depois da noite de nupcias. _ ele disse entre dentes sem tirar o sorriso.

_ Ora, por quê ? _ ela perguntou finalmente radiante.

_ Se não o fizer onde acha que minha mente vai estar todo o tempo? _ disse o príncipe com um sorriso cheio de dentes.

_ Agora mesmo que não vou queimar, talvez...

     O Sacerdote interrompe os sussurros com um pigarro. Sacerdote só no nome,era na verdade um bardo velho que conhecia toda a historia da família e estava morrendo de medo de casar um príncipe que não fosse aceito pela pedra fundamental do reino. Ele gostava da princesa e gostava também do príncipe, mas ainda assim morria de medo de ser o homem que casou a ultima gota de sangue real de Antharos com um par indigno.

_ Senhoras e senhores, nobres convidados, serão hoje apresentados ao soberano desse reino. Ao homem que nos guiará durante esses anos escuros que se aproximam.

     Ishtar foi até a esfera e deixou sua esposa para trás exatamente como foi instruído a fazer. Tocou a esfera e então... nada. Nada mesmo aconteceu. Leighann se irritou saindo de seu lugar e indo até o rei, a esfera começou a brilhar levemente enquanto ela se aproximava e o bardo gorducho suava desesperado, mas sem coragem de impedi-la. Ela tocou levemente o ombro do futuro marido com mais determinação que carinho e então a esfera brilhou com força e marcou dolorosamente o rosto do rei junto com seu braço e sua alma. Ele viu num instante como amaria o primeiro filho de sua esposa mais que o segundo e como mesmo assim o deixaria fugir. Viu como evitaria a primeira ameaça de guerra de seu pai. Viu como comandaria um exercito com Ecktor ao seu lado. No momento seguinte assim como a marca no rosto parou de brilhar as imagens se apagaram e foram esquecidas deixando apenas uma sensação que se repetiria muitos anos depois. O bardo tremia e falhava durante todo resto da cerimônia.
     O agora rei de Antharos tomou sua rainha nos braços e eles saíram por um caminho secreto atrás do grande altar à deusa de quem as pessoas já esqueciam aos poucos. Eles deixaram os convidados terem todo o banquete e toda a comemoração sozinhos porque eles só precisavam um do outro naquele momento, precisavam um do outro e de um grande castelo cheio de servos.
     Assim se fez a primeira rainha de qualquer dos reinos dos homens. A rainha que passou três meses em um dos seus castelos sozinha com o rei. A rainha que esperou que estivesse grávida desesperadamente todas as manhãs. Queria dar um menino ao seu rei que era um marido tão bom quanto era amante, mas era um rei fraco e precisaria de um herdeiro. Por enquanto fraco, mas seria temperado como uma boa espada e seria um rei forte e criaria um herdeiro forte. Herdeiro era a palavra que devia preocupar o rei, mas ele só pensava em guerra, a sombra de uma guerra eminente mantinha-o longe de sua esposa que resolveu aprender enquanto estava sem ele. Aprender a impressioná-lo, aprendeu a falar a língua dos elfos, aprendeu a tecer como uma camponesa, aprendeu o direito das leis, aprendeu a organização das cidades e por ultimo aprendeu a arte da guerra. Era frágil e desajeitada na ultima disciplina, mas não poderia ter professor melhor. O campeão do reino em pessoa treinava a esposa do rei todas as tardes e o próprio rei quando esse se permitia o luxo do treino ao invés da cama da rainha.






     Relampagos púrpura rachavam o céu cor de aço e se apagavam lentamente dando ao mundo o gosto das sombras que surgiam. O ar tremia ao sabor do calor incessante e homogeneo. Abaixo dos protestos celestes a terra er cheia de cortes profundos e montes escarpados, tudo no mesmo tom enegrecido.

     Dois homens ignoravam o calor como se ele não distorcesse tudo que viam, um usava um armadura de placas arroxeada com detalhes finos em dourado, o cabelo em seis tranças que escorriam pelos ombros para o peito e uma capa presa ao resto por dois simbolos da cúpula de prata. A capa era negra por dentro e do mesmo tom da armadura por fora onde tinha gravados simbolos arcanos extremamente complexos assim como os que haviam na espada, essa estava largada no chão, abandonada, observando a frágil e cordial paz entre os dois. O outro homem era destino e os dois poderiam assistir o tempo escorrer por entre as fendas vazias. Mas falaram.


_ É uma pena que Aver tenha sido condenada.

_ Uma pena mesmo. Mas a quantas anda a libertação dos daedrin?

_ Eles estão livres a dezesseis anos e estão bem. Acho que isso é bom.

_ Nenhum deles se ressente ou coisa assim? São um povo meio pacato, não é?

_ Só queria saber o que os dragões querem com eles. _ os olhos do elfo se estreitam, porque o destino sempre está um passo a frente.

_ Eu até sei o "porque", mas o "que" é só com eles. Tente perguntar ao Naive, ele ainda estuda magia do sangue? _ o destino nunca revela nada antes o tempo.

_Talvez eu pergunte sim e ele ainda estuda inexoravelmente a magia do sangue. Sempre tem algum estudo arcano na cúpula.

_ É filgorn, a cúpula é ótima, mas vocês foram longe demais. Mudaram muito as coisas e o mundo não vai suportar para sempre. _ O homem de capuz não alterava jamais o tom de voz sempre a um passo da provocação e sempre jovial.

_ Foi para isso que me trouxe aqui? Quer que eu dissolva a cúpula de prata? Não vou fazer isso, Mildef é meu tio e seu irmão, a cúpula é o sonho dele e o meu também. Nós já estabilizamos o mundo, acabamos com guerras , protegemos as pessoas e até lutamos ao lado dos deuses. Nós fizemos coisas incríveis: cidades que voam, golens inteligentes, criamos novos meios de construir e usar a natureza. Expulsamos os demonios e erradicamos a ameaça extraplanar. Nós somos indispensáveis. Somos irrevogáveis. Nós somos ...

_ Vocês são cachorrinhos dos deuses medrosos. Vocês fecharam o mundo, roubaram o dever dos deuses, espoliaram seus domínios. Condenaram o mundo a mediocridade e destruíram o equilíbrio dos planos. Vocês racharam a realidade e os deuses estão morrendo. Cei vai acabar devorando a existencia e estamos isolados de todo o resto. Já tentou olhar o... _ O discurso perdeu todo o tom provocativo, era apenas uma pessoa enumerando fatos, era exatamente o que tiraria Filgorn do serio.

_ Você dúvida do nosso valor? Nos compara a uma doença. Esqueceu quem me deu as primeiras aulas de magia? Esqueceu quem convenceu os deuses a nos ajudar? Você falou por nós para deuses. Você...

_Escolhas erradas, vai me culpar por ter me iludido com os seus ideais?

_Você devia ter previsto, devia ter impedido.?

_Não se pode deter o destino. Vocês vão destruir tudo. _ e ele finalmente baixou a cabeça como se tivesse sido derrotado.

_ Não. Nós não vamos, somos heróis. _ e o elfo desapareceu num relâmpago sem som.

_Exato, vocês vão salvar o mundo. Você vai. _ e ele estava sorrindo

Nesse momento os relampagos tinham parado e as sombras ganhavam espaço, elas também já podiam ver o grande dia.



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Mensagem  Radamael em Ter 16 Nov 2010, 13:53

E mais uma vez o Destino se preocupando com todos... Não consigo ver por que todos pensam que ele é fdp...

^^

A história é muito boa... E isso aconteceu antes da campanha?
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Mensagem  Jaum em Qua 17 Nov 2010, 19:54

Aconteceu bem antes... quase mil anos antes...
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Mensagem  Giancarlo em Sab 20 Nov 2010, 16:56

Por enquanto só li a primeira parte, o "prologo", por enquanto estou gostando, sua narrativa lembra narrativa em verso digno de passagem.
Em breve continuo lendo e vou comentando ;D
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