Holopainen - by Radamael

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Mensagem  Radamael em Sex 11 Jun 2010, 17:48

Essa história usa o mundo de Harry Potter.

Sim, sim, eu sei... Cliché, e sim, eu sei que a história seria facilmente transformada em algo mais D&D, mas começou assim e assim vai terminar.

Vou postar aqui por idéia do Jaum. Culpem a ele tanto quanto à mim.
Exceto por defeitos na história...

Conta sobre um garoto que vêm de uma família puro-sangue e antiga. Obcecado pelo que ele chama de justiça...

Peço-lhes, por favor que comentem e, principalmente, critiquem... Adoro críticas...
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 1 - Where Heroes Lies

Mensagem  Radamael em Sex 11 Jun 2010, 17:54

O vento não perdoava ninguém naquela fatídica noite. Mais um havia morrido. A matriarca da família morrera nas ruas do vilarejo próximo. Um selvagem duelo a matara no meio da rua central do vilarejo trouxa. Seu marido chegara e matara os três que a cercaram. Somente três Holopainen sobravam: o patriarca, o filho mais velho e o filho recém nascido deste. Isso já se prolongava a tempo demais. A orgulhosa família Holopainen estava sendo caçada. Os maiores aurores do mundo desde a época das cruzadas. Os maiores, os melhores. Sobravam somente três.
O patriarca chorava a morte de sua amada esposa, quarenta anos encerrados de forma tão brusca... Mas seu neto nascera. Seu filho mais velho já havia matado ou prendido diversos daqueles que tentavam encerrar com a linhagem Holopainen, e ainda estava vivo. Ainda havia esperança.
Na tenebrosa noite que sucedeu o dia do assassinato de sua esposa, ele havia decidido acabar com aquilo de uma vez por todas. Enviou aos assassinos o endereço do Castelo Holopan que estava protegido por magias antigas e poderosas. E por um Feitiço Fidélius. Correu para falar com seu filho.
O encontrou no seu quarto, rosto lavado por lagrimas, seus cabelos longos caindo displicentes sobre seu ombro, a roupa encobrindo o físico poderoso. Estava sentado na cama. Quando seu pai entrou, ele virou o rosto deixando-o oculto por um véu negro formado por seus cabelos. Era orgulhoso demais para permitir que seu pai visse suas lagrimas. A esposa de seu filho estava encolhida na cama, no lado oposto ao de seu marido. Em seus braços, envolto por seda branca e pura estava o futuro do clã Holopainen.
- Preciso falar com você, meu filho. Sobre a sua fuga. - Essa fora a gota d’água. Ele sabia disso. Seu filho levantou bruscamente e o encarou nos olhos.
- Um Holopainen nunca foge. Um Holopainen nunca morre por velhice. Um Holopainen nunca morre sem lutar. E nunca morremos sem levar um inimigo conosco. Essa é a sina de nossa família. Somos guerreiros sem par. Espada e Magia. Holopan e varinha. - Por isso ele tinha ocultado as lagrimas: um Holopainen nunca morria de velhice. Sua mãe morrera com honra, levando consigo cinco dos oito que a cercavam. Ela morrera com honra e com luta. Como um Holopainen, mesmo não possuindo o sangue da família. Sua morte não deveria ser lamentada, segundo a tradição.
- Meu filho, as tradições são antiquadas. Nossa família morre por nada. Morre por orgulho. Dumbledore já nos ofereceu abrigo. Nosso palacete em Londres já está preparado. Pegue sua esposa e vá. Eu já preparei tudo. Eles não sabem que você ainda está vivo. Não sabem que você tem um filho. Nossa linhagem continuará! - Ele estava gesticulando muito. Devia ter convencido seu filho antes de quebrar o feitiço. Eles poderiam chegar a qualquer momento.
- Mas pai... - ele continuava o encarando. Ia falar da honra da família.
- O que é mais importante: nunca fugir ou nunca morrer sem lutar? - O velho começava a suar. Ele podia sentir as barreiras erguidas há séculos fraquejarem e serem anuladas, uma a uma.
-Nunca morrer sem lutar! - uma resposta rápida. Era obvio que uma fuga poderia ser encarada como uma retirada rápida para conseguir armas melhores, mas morrer sem lutar era inadmissível.
- Seu filho. Ele é um Holopainen? Ele merece esse nome? - O pai agora apelava para a única coisa que faria seu filho fraquejar.
O vento assobiava pela janela e o clarão súbito de um relâmpago sobrepuja o brilho avermelhado da fogueira. Seu filho o encarava, pasmo.
- É claro que é! Claro que merece! - a raiva começava a avermelhar o rosto do filho. Duvidar da honra do filho era duvidar da honra do pai.
- Então ele deve morrer como um! Com espada e varinha! Com honra! Levando quantos inimigos puder. Agora ele está indefeso! Como espera que ele honre o nome da sua família?
O filho encarava o pai afônico. Sua boca estava aberta em descrença. Foi o golpe mais baixo que ele já vira na vida. Foi um golpe movido pelo desespero.
- Muito bem meu pai. Um excelente ponto de vista. Não havia pensado nisso. Minha esposa e meu filho vão aparatar para Londres. Lá eles ficarão seguros. Eu ficarei e morrerei como um Holopainen. - ele sorria, estava aliviado que seu filho sobreviveria. Os Holopainen não iriam cair.
- Você vai com eles. É uma ordem. Um Holopainen não será criado sem um mestre. Quando seu filho estiver pronto procure a morte honrosa que quiser.
Seu filho parecia frustrado, mas o velho estava irredutível. Sua esposa já se levantara e havia começado a arrumar as malas. Subitamente um estrondo ecoa pelo castelo. A pesada porta de madeira reforçada caíra.
- HOLOPAINEN! - a voz ecoava, ampliada por magia - estamos aqui. Só falta você. Venha para que o mandemos para perto de sua sagrada família.
- Vão! Rápido! - o velho começava a se preparar. Sua varinha riscava o ar em padrões de complexidade crescente.
O filho olha para o pai e o abraça uma última vez. Pega sua mulher e seu filho e segura a chave de portal para a casa em Londres. Um puxão no umbigo o informa da funcionalidade do objeto. Tudo se torna borrado e a última coisa que vê são os acordes finais dos feitiços de proteção e a Espada Holopan na mão de seu pai.
Segurança. O espelho cai no chão quebrando-se com o impacto. O filho corre para fora do quarto aonde chegara. Ele corre até localizar o Espelho da Vidência. Parando em frente ao objeto, ele murmura as palavras de ativação e gesticula com a varinha. O reflexo do espelho se embaça e é lentamente substituído por uma imagem aérea do Castelo Holopan. Guiando o sensor mágico, ele entra no castelo e procura até chegar ao salão principal. Lá seu pai lutava. Seu pai já tinha sessenta anos, mas lutava com um vigor sobrenatural.
Espada e magia. Holopan e varinha. Como um verdadeiro Holopainen ele lutava. Estava cercado por mais de dez bruxos e mais cinco jaziam caídos no chão estuporados, mortos ou imobilizados. Diversas queimaduras cobriam seu corpo e um grande escudo translúcido impedia que as maldições de morte o atingissem. A Espada Holopan dançava na mão de seu pai. Uma nova onda de feitiços o atinge, mas ele continua a lutar. Seu pai estava num enlevo mortal. Outro feitiço o atinge. Ele grita de dor, mas continua lutando. Outra onda de feitiços. Seu pai cai de joelhos e olha ao redor. Fala alguma coisa. O Espelho não passava os sons. Com um súbito giro de varinha, um fogo branco surge num arco, seguindo a varinha. Diversos atacantes são atingidos. O fogo sagrado queima o mal com mais força. Todos os atingidos viram cinzas em poucos segundos. O feitiço consome a energia de seu pai que cai novamente de joelhos. A Espada Holopan cai no chão, sua lâmina sagrada novamente fosca fora das mãos de um Holopainen. Um clarão verde, o escudo estilhaça e seu pai jaz morto no chão. Fora atacado por quinze bruxos. Matara doze. Somente três inimigos sobreviveram à fúria do patriarca Holopainen.
Separado pelo mar, seu filho cai de joelhos e chora. Chora como uma criança. Sente um toque macio em seu ombro e se vira. Sua esposa estava de pé ao seu lado. Como sempre estivera. A mãe de seu filho. Ele abraça sua cintura e volta a chorar.
- Meu pai... - é tudo que ele consegue dizer.
- Eu sei... - é tudo que ela consegue responder.
__________________________________________________________________________________

Anos se passaram desde aquele momento. Os dons da família Holopainen eram fortes no jovem nomeado Mitkov. Com um ano ele já havia aprendido a ler. Com uma pequena ajuda de sua mãe. Aos quatro, o Dom mais característico se manifestara: ele compreendia todos os idiomas. Era capaz de falar com qualquer ser humano. E com qualquer animal.
Quando o Dom das Línguas surgiu, seu pai decidiu que ele estava pronto. E começou o treinamento. Ele ainda não havia manifestado o Dom da Magia, mas isso era questão de tempo. Sua família nunca produzira abortos. E não iria começar com ele. O sangue da criança era o mais puro possível. A família de sua esposa também era de sangue puro.
Sua esposa reclamou quando o treinamento começou. Ele tinha apenas quatro anos. E estava praticando a arte com espadas da família Holopainen. Seu pai o fazia correr. O fazia fazer exercícios. Exercícios leves, sim, mas ainda muito superiores aos das brincadeiras de uma criança da sua idade.
Em seu tempo livre, Mitkov lia. Não conseguia compreender o porque de sua magia ainda não ter aparecido. E tinha apenas quatro anos.
Aos cinco, percebeu que podia mudar de forma. Nada muito brusco, mas mudava. Cor e formato do rosto, cabelo, corpo...
Sua mãe riu quando soube. Seu pai continuava sério. Seu pai estava sempre sério. Ele trabalhava como auror no Ministério. E investia o dinheiro da família. A família Holopainen estava cada vez mais rica.
- É um dom que minha bisa tinha. - Era sua mãe - Ela era uma metamorfomaga. Não pensei que conseguisse passar isso. Eu mesma tenho dificuldade até em transfiguração simples. - e ria.
Seu pai o olhava. Ele estava com os cabelos azuis. E o nariz grande e pontudo. Seus lábios estavam grossos e roxos. Ele sorria. Seu pai não.
- Esconda essa habilidade. Certos dons são mais úteis quando desconhecidos. Diga por que esse dom é útil.
Ele olha para o pai e com um aceno de cabeça suas feições voltam ao normal. Inspira e responde:
- O fator surpresa é importante. Com um dom como esse, o inimigo não poderá saber se sou amigo ou inimigo até ser tarde demais.
- Muito bem.
E se sentaram novamente. Voltaram a comer. O palacete mantinha-se da mesma forma desde que chegaram. Uma eterna lembrança do que seu pai havia perdido.
Dois dias depois recebem a notícia. Dumbledore havia morrido. Assassinado por Severo Snape.
Seu pai se arruma apressado quando recebe a notícia.
- Nós devemos muito a Dumbledore. Vou caçar Snape nem que seja a última coisa que eu faça.
Sua mãe simplesmente olha nos olhos de seu pai e pergunta:
- O treinamento de seu filho está completo? Ele já é capaz de tecer feitiços? Prepara uma boa poção? Adivinha onde estão os inimigos? É perito em se defender contra as Artes das Trevas?
Seu pai olha para sua mãe embasbacado. Tira o sobretudo que havia acabado de colocar e o joga no chão. Fecha e abre as mãos em nervosismo aparente.
- Você quer que eu não faça nada por Dumbledore? Você quer que eu simplesmente fique e espere que tudo se resolva? Quem você acha que vai caçar Você-Sabe-Quem?
Com um suspiro, sua mãe se levanta e abraça seu pai. Os braços de seu pai continuam estáticos ao lado do corpo. Suas mãos abrindo e fechando.
- O Menino que Sobreviveu. É o que todos esperamos. A segunda ascensão d’Aquele-Não-Deve-Ser-Nomeado não sairá impune. Dumbledore com certeza tinha planos de contingência. Ele não pediu sua ajuda. Ele não o convidou para a Ordem da Fênix. Ele sabe que seu filho precisa ser criado. Ele sabe...
O homem a interrompe e sai de seus braços. De repente ele se vira e acerta um soco no espelho que estava a seu lado. Sua mão sangra com os cacos de vidros ainda enfiados em sua carne. Um pequeno grupo de elfos domésticos limpam rapidamente a sujeira e recolho o sobretudo do chão. O homem se senta na poltrona e respira fundo, olhando para o teto onde dezenas de velas flutuavam. O mosaico no teto mostrava um homem armado com uma espada e uma varinha enfrentando um grupo de três pessoas trajadas de negro. Ele fecha os olhos e diz:
- Muito bem. Mas assim que ele possuir todos os dons eu vou recuperar a Holopan.
A mulher sorri e se senta novamente. Ninguém percebe a criança oculta atrás da porta.
A Guerra segue sem o envolvimento dos Holopainen. O pai pede demissão e eles saem do país. Vão passar férias nos Estados Unidos, onde seu pai tinha um escritório em Nova York. Trabalhando exclusivamente com o dinheiro que já tinham, ele começa a investir com mais cuidado e empenho. Compra empresas no mundo trouxa e no mundo bruxo. Faz essas empresas crescerem. Tudo alheio à guerra em Londres.
Pouco menos de um ano depois da morte de Dumbledore, eles levam o filho no Central Park. A mãe insiste que ele brinque com outras crianças. Mitkov estava agora com seis anos. No parque, os pais ficam observando de longe, aproveitando um dos raros momentos em que seu pai aceitava uma distração do trabalho e do treinamento.
Mitkov não gostava das outras crianças. Eram imaturas. Ele olha para os pais e sua mãe sorri em resposta. Ele abaixa a cabeça e se senta no balanço. Sozinho. Ele balança tristemente para frente e para trás. Sua mãe havia proibido até mesmo que ele trouxesse livros. Então ele não tinha o que fazer. Via as outras crianças brincando, mas não tinha vontade de se juntar a elas.
Alguns minutos depois um garoto se aproxima. Alto e com a pele negra como o piche, os cabelos num rastafári bem cuidado. Aparentava a mesma idade de Mitkov. Exceto pela altura. Aproxima-se rindo, seus dentes muito brancos faiscavam sob a luz do sol.
- Por que você está aí sozinho? - o garoto se aproximava sem medo. Sentou-se no balanço ao lado e começou a balançar com energia.
Mitkov o olha, seus olhos negros vagando pelas crianças ao longe.
- Não quero. - simples direto. Detestava barulho. Não gostava de falar muito.
- Vem brincar com a gente. - o garoto o olhava, quase rindo. - Se você for eu te mostro uma coisa legal...
- Que coisa? - Mitkov era acima de tudo curioso. Esse era seu maior defeito.
- Mágica. Eu faço uma mágica pra você. - o garoto sorria enquanto Mitkov o olhava atentamente.
- Se não for um truque barato eu vou! - Mitkov esperava que fosse mais um “coelho da cartola”. Os trouxas não faziam idéia do que era magia de verdade.
- Promete? - o garoto ainda sorria.
- Prometo. - Mitkov odiava promessas. Ele sempre cumpria sua palavra.
Ainda rindo, o garoto olha ao redor e fixa o olhar numa árvore.
- ‘Tá vendo aquela árvore lá? - diz apontando para uma árvore frutífera próxima.
- Estou. - Mitkov olhava ansioso. Esperando algo estranho. E nada, Até que subitamente uma fruta explode. Logo depois a fruta que ele estava olhando explode também. Ele leva dois sustos. Um pra cada fruta.
- Você sabe fazer também! - o garoto o olhava intrigado. - Você também é um bruxo?
Nisso os seus pais aparecem. Surgem como se sempre estivessem ali. Olham para o garoto assustados e seu pai o pega no colo. Seu pai raramente o pegava no colo. Com um giro de seu pai, eles estavam em casa.
- O quê você fez? O que você falou para aquela criança? - seu pai parecia transtornado. - Você falou seu sobrenome? Disse quem você é? Por que as frutas explodiram daquela forma?
- Eu não falei nada... Ele que se aproximou de mim... Ele que explodiu a fruta. Ele só queria brincar comigo... - Mitkov não chorava, mas estava nervoso. Olhava para o chão com medo da fúria paterna. Será que fora ele a estourar a segunda fruta? Será que ele finalmente demonstrava o dom da magia? Ele queria ficar sozinho. Precisava pensar.
Seu pai olha para ele por uns instantes e, dando-se por satisfeito, sai da sala. Mitkov corre para o quarto, procurando não ser visto. Obviamente falha, pois assim que entra em seu quarto, sua mãe o encontra.
- Foi você que estourou a segunda fruta, não foi? - simples e direta. Sem meias palavras. Essa era sua mãe.
Ele só foi capaz de acenar com a cabeça um sim rápido. Sua mãe sorri e lhe mostra uma maçã que trazia oculta atrás do corpo. Coloca a maçã sobre a cômoda e se senta na cama, dando duas palmadinhas ao seu lado, indicando um lugar para o filho se sentar. Ao sentar-se ele sente as mãos da mãe em seus ombros e ouve a voz melodiosa e doce de sua mãe dizendo:
- Tente novamente. Não tem problema se não conseguir. Na verdade ficaria surpresa se conseguisse. Mas não custa tentar. - ela sorria levemente e olhava para a maçã.
Mitkov também olha para a maçã e começa a se concentrar. Olha bem para o meio da fruta. Imagina ela explodindo e, sem perceber, começa a prender a respiração. Quando ele já estava desistindo e ficando sem ar, a maçã subitamente explode, espalhando sumo para todos os lados. Ele respira aliviado e olha para a mãe que estava sobressaltada com a súbita explosão.
Ela se levanta e olha para ele. Lágrimas começam a correr por seu rosto, tímidas a principio, mas ganhando força rapidamente. Ela o abraça forte e somente diz:
- Meu bruxinho...
No dia seguinte, ele é acordado por seu pai. A visão ainda embaçada pelo sono, ele vê a forma difusa de seu pai sentado na beirada da cama. Uma de suas mãos estava no rosto do filho. Seus olhos muito negros vendo a cara de sono do filho. Mitkov começa a despertar e olha para o pai com mais atenção. Olha para o seu despertador em forma de dragão e volta a olhar para o pai com um ar inquisitivo. Passava pouco das três da manhã.
- Soube que você é agora um bruxo... - seu pai parecia preocupado com alguma coisa, mas erguera a mão, impedindo Mitkov de falar. - Você vai estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. A guerra acabou meu filho. Harry Potter derrotou Você-Sabe-Quem. Agora ninguém mais persegue os Holopainen. Agora eu posso descobrir o que aconteceu depois de sairmos do castelo. Posso descobrir o por quê de terem nos caçado com tanto ardor. Cuide bem da sua mãe. - Seu pai se levanta, a expressão severa de seu rosto sumindo lentamente até se transformar num sorriso. Seu primeiro sorriso desde que vira Mitkov pela primeira vez. - Tenho muito orgulho de você, filho. - E, com um giro, some no ar.
__________________________________________________________________________________

A família Holopainen, agora composta por duas pessoas, voltou para Londres, para sua velha mansão. As regras eram muito mais brandas e o jovem Mitkov já estava com dez anos. Mais um ano e ele iria para Hogwarts. Desde que seu pai sumiu, Mitkov não interrompeu seu treinamento. Ainda fazia exercícios regulares e mantinha uma alimentação saudável. Estudava a tarde toda, colocando em dia tudo o que precisaria saber durante o seu primeiro ano em Hogwarts. Comprara uma varinha com nove anos e praticava diariamente. Descobrira outra paixão além dos livros: a música. E passou a dedicar suas noites às suas paixões. Contratara professores particulares para o ensinarem a tocar. Tinha uma profunda paixão por teclados e violinos. Dava graças por ainda não ter o rastreador, pois quando saia com a sua mãe, acabava não resistindo e utilizando a varinha para alguma coisa.
Mas continuava anti-social. Detestava pessoas da sua idade. Eram muito imaturas. Por isso ele lia. E tocava. Sua mãe era uma excelente administradora e fazia faculdades no mundo trouxa. Era raro estar em casa. Geralmente ficava numa casa em Oxford, deixando seu filho com seus professores. Seus dias eram cheios, acordava às cinco horas da manha e tomava um café da manhã reforçado. Às cinco e meia começava seus exercícios físicos, numa academia montada num cômodo isolado da casa. Às oito tinha um professor particular que o ensinava o que ele iria aprender em Hogwarts. Ele fora criado para estar preparado. Então estaria sempre um passo a frente dos outros. A aula preparatória terminava ao meio dia, quando ele almoçava. Depois do almoço, geralmente por volta de meio dia e meia, ele tinha lições de musica. Às três ele tinha aula de Ken do e de esgrima, pois era o mais próximo que teria das aulas que tinha com seu pai. Às oito ele tinha descanso, por ordem expressa de sua mãe. Então ele lia todos os tipos de livros. Em todas as línguas possíveis. Sempre ficara maravilhado com esse dom. Seu pai nunca explicara de onde ele viera e sua mãe não sabia a resposta. Essa era sua rotina. Aos sábados e domingos sua mãe o proibia de estudar e praticar qualquer atividade não recreativa. Então ele adquirira o habito de ler. E tocar. Freqüentemente ao mesmo tempo. Essa era sua vida. Solitária e sem outras pessoas. Ele era só, pois não sabia onde seu pai estava. E não gostava de passar muito tempo com a sua mãe por que ela o obrigava a socializar com outras pessoas. Ele gostava da solidão. Ele esperava que em Hogwarts lhe ensinassem tudo o que precisava para ser auror. Por que seu pai não estava lá para fazer isso. E freqüentemente ele chorava a noite por isso.
Até o dia que chegou uma carta. Escrito em tinta verde-esmeralda e com um lacre vermelho. Suas mãos tremeram de emoção ao ver. E ele sorriu ao ler o conteúdo.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS

Diretora: Minerva McGonagall
(Ordem de Merlin, Primeira Classe).

Prezado Sr. Holopainen,
Temos o prazer de informar que V. Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1º de Setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,

Horácio Slughorn
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Mensagem  Nihal. em Sex 11 Jun 2010, 23:48

Ebaa, Mitkov! \o
Então, essa história é muito boa, já ajuda bastante pelo fato de eu amar HP!, e também o fato de o escritor ser meu amigo. (HAHA, brincadeirinha.) Enfim, eu amei essa fic, desde a primeira até a última linha que eu li. Ele usou o meu amado mundo de Harry Potter e acrescentou algumas coisas um tanto quanto RPGísticas, que fez o enredo ficar quase perfeito. Só não ficou perfeito pq não fui eu que escrevi. HAHA, brincadeirinha de novo. Mas, o ponto é esse. É uma fic interessante, que prende a gente, dá vontade de ler tudo de uma vez só, sem nem uma pausa e nem ter que esperar outro post. (Sim, isso foi uma indireta!). Outra coisa, eu AMEI o nome do personagem principal. Tá certo que o sobrenome vc roubou, mas se pensar por esse lado, nada é completamente original. x)
Enfim, continue postando, na verdade... vc podia é me passar logo a história toda, né? Assim eu continuaria de onde eu tinha parado antes. x)

Beijos.


Última edição por Nihal. em Sab 12 Jun 2010, 01:10, editado 1 vez(es)
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Mensagem  Nihal. em Sab 12 Jun 2010, 00:18

Ah, Mitkov vc também roubou. Lembrei agora, Inimigo do Mundo. HSUAHSUAH, mas a combinação dos dois ficou perfeita. x)
Beijos.
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Mensagem  Jaum em Sab 12 Jun 2010, 18:30

Primeiro, eu tenho que dizer que já li uma parte dessa historia antes e recomendo a todos, até aos ocasionais leitores invisíveis. A trama é muito interessante, mas eu nunca cheguei até o fim então eu não sei se é uma historia de herói ou algo com um final impressionante ou inesperado.
Ps: Nihal = crazy = lovely = a real pain in the ass...
Ps2: Ela escreve muito bem e se algum dia ela for escrever alguma coisa eu leio.
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Mensagem  Radamael em Sab 12 Jun 2010, 19:01

Nihal e Jaum... Valeu pelo voto de confiança...
Vocês sabem que isso ajuda pacas...
Eu somo o meu voto ao fato de Nihal ter que postar o que escreve... Eventualmente eu posto as coisas também...

Quanto a ser uma história de herói ou ter um final surpreendente... Bom... Para ser sincero... Nem eu sei... Ainda não terminei de escrever... :p
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 2 - Lord of the Winter Snow

Mensagem  Radamael em Sab 12 Jun 2010, 19:03

Ele precisava ir ao Beco Diagonal. Iria comprar tudo novo. Exceto os livros. Os seus já tinham suas anotações particulares. Coisas que iriam ajudar em Hogwarts. Mas ele queria uma coruja. Queria falar com a mãe, que estava longe. Queria ir com ela no Beco.
- Rapier! - Mitkov gritou para o vazio à sua frente. E desse vazio, surge um pequeno ser. Olhos grandes e negros, do tamanho de bolas de baseball. Chegava na cintura de Mitkov e possuía grandes orelhas de morcego. Olhava para Mitkov de forma servil e amorosa.
- Sim, meu mestre! - responde a criatura, com uma reverência que roça seu nariz comprido no tapete felpudo do chão.
Mitkov sorri e afaga a cabeça nodosa da criatura, que pelo rosto, poderia estar no paraíso. A iluminação da casa dava um tom surreal a criatura. Ainda com seu sorriso frio, o menino diz:
- Vá até a minha mãe, e traga-a até aqui. Preciso ir ao Beco Diagonal e gostaria que ela fosse comigo. Diga que quero sua ajuda para a escolha de uma coruja. - Dito isso a criatura responde com um guincho de felicidade que poderia ser interpretado como um “sim mestre” e some num estalo alto.
Mitkov sai da biblioteca onde estava e vai para seu quarto. A mudança no ambiente só é notada pela presença de uma cama, pois também no quarto são inúmeras as prateleiras e todas elas lotadas de livros de diversos tamanhos e conteúdos.
Deita-se em sua cama e se põe a imaginar sua estada em Hogwarts. Imaginava que seria escolhido para Corvinal por sua mente sagaz e seu brilhantismo intelectual. Ou talvez para Sonserina por seu puro sangue. Não tinha a sociabilidade dos grifinórios e nem mesmo a franqueza dos lufos.
Sem perceber ele dorme, confabulando com seu futuro. No sono, tem um sonho estranho. Ele estava adulto e seu pai jazia morto. Não sabia o que o havia matado. A espada em sua mão estava manchada de sangue e, ele e seu pai possuíam cortes. Uma espada jazia quebrada na mão frouxa de seu pai e a varinha dele estava largada próximo ao corpo. A espada empunhada por Mitkov não poderia ser outra se não Holopan, mas estava enegrecida. Mitkov disparava feitiços ao redor procurando o responsável pelo assassinato de seu e não encontrava ninguém. Covardes. Haviam fugido ou se escondido. Era necessário um guerreiro-bruxo sem par para ferir o seu pai. Os cortes nele eram mais profundos do que os que ele mesmo possuía. Nenhuma espada cortava daquela forma. Eram cortes de feitiço. As lágrimas começam a vir molhando seu rosto e borrando sua visão.
Quando ele acorda não mais se lembra do sonho, mas seu rosto estava molhado por lágrimas. Ao lado da sua cama, aguardava, pacientemente, Rapier que ao vê-lo se mexer, se alvoroça para ajudá-lo a se levantar e a desamarrotar suas roupas. Quando o elfo supera o frenesi de auxilio, julgando sua roupa limpa e passada o suficiente ele se mantém novamente a seu lado direito, esperando ordens.
- Muito bem. Fale! - se Mitkov foi um pouco mais ríspido que o necessário o elfo não demonstrou. Eles nunca demonstravam. Como um animal bem treinado, o elfo obedece cegamente às ordens do patrão e começa a falar, num tom de desculpa.
- Meu senhor... A ilustre senhora sua mãe informou que estava por demais ocupada hoje. Pediu que o senhor fosse amanhã, próximo do período do almoço. Pediu para começar as compras sem ela, que ela chegaria no horário do almoço e que os senhores almoçariam juntos e depois comprariam alguma coisa para comemorar. - O elfo fala tudo de forma rápida, exigindo muita atenção para Mitkov desvendar o que a criaturinha falava. Ela estava com óbvio medo de ser castigado com muito rigor por não ter conseguido cumprir ordens do seu pequeno patrão.
Mitkov dá um suspiro resignado e pega um livro. O elfo olha para seu senhor e faz menção de acertar sua cabeça na quina de um móvel próximo. Com uma agilidade treinada pelo habito, ele segura a criatura pelo pescoço e a puxa com uma violência controlada. Olha para o elfo e vê que mal feriu a frágil criatura.
- Está castigado... - E vira as costas voltando-se para o livro.
- Sempre misericordioso... - murmura o elfo antes de se retirar com inúmeras reverências.
Mitkov deita-se com o livro, mas senta pouco depois, haviam coisas a serem feitas. Ele sai de seu quarto e vai para o escritório da casa. A mobília era composta de madeira de lei, e encantada para durar mais. Como resultado já estava na família a gerações... Sobre uma escrivaninha particularmente antiga ele põe uma folha de papel. Senta-se numa cadeira de espaldar alto e seus pés somente roçam o chão. Pega um lápis. As borrachas eram desnecessárias. Mitkov sempre foi da opinião de que gênios nunca erravam. E ele sempre se julgou, da mais humilde forma possível, um deles.
Iniciou uma lista de coisas que iria comprar, através de ligações e alguns feitiços simples ele consegue o preço das coisas na lista. Utiliza como base à lista de material que veio na carta de convocação. Mas não compraria a maioria das coisas na lista. A maioria das coisas era livros. Ele já os tinha. A lista era composta em sua maioria por coisas como materiais especiais para poções, e materiais extras dos pedidos. Para o caso dele necessitar de uma poção fora da aula. Alguns cadernos extras, para possíveis apontamentos pessoais. Um novo violino. Uma coruja veloz. Um caldeirão portátil. Havia mais alguns itens na lista, mas quando ele finalmente a terminou e finalizou os cálculos do quanto iria gastar, a noite já ia alta. Como uma criança feliz ele acaba adormecendo sobre sua lista e esperando acordar com a mãe chegando de surpresa.
Em mais uma vez, ele se decepcionou. Acordou cedo, às cinco horas da manhã. Fez seus exercícios matinais na pequena academia que possuía em casa. Tomou café da manhã reforçado por insistência de seus elfos. Pegou sua lista de compras e a deixou em separado, perto de roupas escolhidas por mais elfos. Demorou-se no banho. Ainda restava esperança em seu peito de que sua mãe chegasse cedo. Decepção.
Ele se veste com as roupas escolhidas pelos elfos e pega a lista ao lado da roupa. Coloca-a no bolso e vai para a lareira. Sólidos tijolos coloniais adornavam de forma magnífica a grade dourada que impedia que qualquer possível fragmento tocasse o tapete próximo, ou o chão de madeira. Ele se abaixa e abre a grade, devolvendo a grande lareira sua função real. Com um murmúrio “Incêndio”, ele acende o fogo da lareira e o torna baixo até que sobram brasas. Pega um pequeno pote de porcelana ornamentado e o abre, pegando um pouco do pó verde guardado em seu interior.
Com o pó na mão direita fechada ele entra na lareira, pisando nas brasas levemente aquecidas. Ao se encontrar no meio da lareira, ele se volta para a sala e joga o pó nas brasas falando:
- Beco Diagonal! - E chamas esmeraldas engolfam o corpo do garoto, aquecendo sem ferir, o fogo verde fazendo cócegas. Lareiras seguidas passavam em flashes ante seus olhos e ele girava freneticamente guiado pelas chamas mágicas. Mantém sempre seus cotovelos colados ao corpo e o resto do corpo rígido na mesma posição, para não afetar a viagem. Então, subitamente um baque faz seus joelhos fraquejarem, mas ele não cai e nem se dobra muito. Estava no Ponto de Chegada. Uma pequena série de lareiras no Beco Diagonal. Criada justamente para a chegada e saída de viajantes da Rede de Flu.
Ele olha em volta vendo a multidão que se encontrava na rua principal. Centenas, talvez milhares de pessoas vindo ao local para fazer compras, negócios ou simplesmente ver os amigos. Mas a visão mais comum era a de mães arrastando seus jovens filhos de um lado para os lados indo de loja em loja, algumas já carregavam sacolas de compras e materiais de escola.
Era raro Mitkov estar perto de tantas pessoas. Mas ele precisava começar por algum lugar. Resolveu ir à Madame Malkin. Comprar suas vestes. Ele iria levar algumas mudas a mais é claro... Roupa nunca era demais. Ele começa seu caminho com dificuldade, esquivando e esbarrando nas pessoas ao redor. Ele tenta se localizar varias vezes pedindo informações para os transeuntes ao redor. Um tempo depois ele consegue se por em frente à loja de roupas. E lembrou que não tinha dinheiro.
Precisava ir ao Gringotes. Ele sabia qual era o cofre, pois sua mãe sempre precisava levá-lo junto. O cofre dos Holopainen era fortemente guardado, e não só pela magia dos gnomos do Banco, mas também pela poderosa feitiçaria da família auror. Tesouros inestimáveis e segredos terríveis eram guardados lá. Fruto dos espólios dos inimigos caídos. E todo o dinheiro que seu pai e sua família conseguiram ganhar ou tomar ao longo dos séculos de existência.
Novamente se infiltra na multidão, mas dessa vez o caminho é ainda mais difícil, pois todos já passaram ou ainda vão passar no Banco para conseguir dinheiro para as compras. Ele chega ao Banco já sendo quase dez horas. Já estava há uma hora no Beco.
As escadarias de mármore branco chamavam atenção de toda a rua principal, mas as pessoas já estavam tão acostumadas com o Banco que somente os turistas eram pegos apreciando essa visão fascinante. Por essas escadas Mitkov subia. Passou pelas grandes portas douradas e passou também pelas portas prateadas. Dentro do Saguão do Banco o movimento era muito menor, mas ainda havia filas grandes e muitos dos caixas estavam ocupados. Com um gesto autoritário, o jovem chamou um duende que vestia o uniforme do Gringotes.
- Sou Mitkov Holopainen. Quero ir ao cofre de minha família. Agora. - usou seu melhor tom autoritário, o que não era muito se considerar seus onze anos.
O duende olha para ele, como se o estivesse medindo. E Mitkov fica na sua melhor pose por um tempo até que o gnomo se abaixa, esfrega as mãos e da uma risada baixa e chiada. Ele vira de costas e anda um pouco. Depois se vira e ri mais um pouco olhando para o rapaz.
- Siga-me. - Diz o duende na mesma voz chiada do riso.
O jovem Holopainen seguiu-o até uma pequena porta lateral oculta da maior parte do Salão. Na verdade ele não repara na porta até chegar em frente a ela. Quase como se não estivesse ali antes. O pequeno duende abre a porta e leva o garoto para uma caverna logo após a porta. Um pequeno vagão de mineração os esperava logo após a porta, e o trilho seguia até se perder de vista, o que não era difícil levando em conta a parca iluminação do local.
- Os cofres mais antigos estão mais fundo no subterrâneo. E nenhum cofre é mais antigo que o da família Holopainen. Para chegar até ele seria necessário passar por muitos feitiços e outros aparatos de proteção. - O duende parara de rir e agora falava com Mitkov com um tom que misturava o de professor e o de inventor. - A família Holopainen ajudou os duendes durante as Revoltas. Nos protegeu do pior que os bruxos poderiam fazer. Nos mostrou que era uma luta sem vitória. Em troca nós forjamos a Espada Holopan. Com o melhor de nossa arte. E vocês a perderam. Nosso maior tesouro. - O tom agora era frio e agressivo, como se a culpa pela perda da espada fosse unicamente do Holopainen a sua frente, o único restante. Gesticulando o duende faz com que Mitkov entre vagão.
Ele entra e o duende o acompanha. Sem que nenhum dos dois se sentasse o vagão começa a se mover. No início lentamente, mas ganhando velocidade rapidamente, o vagão vai saindo da pequena estação. As pedras pavimentadas são rapidamente substituídas por rocha nua. Estalactites e estalagmites pontuam o caminho até que Mitkov vê que o chão acaba um pouco adiante. Ele olha temeroso para o duende que parece um pouco mais pálido que o normal. O duende olha para frente com uma determinação fria, mas seus olhos mostram um pesado desconforto. Quando Mitkov abre a boca para falar alguma coisa ele muda de idéia. O chão iria acabar dali a dois metros e ele não via o trilho. Ou o fim do precipício. A velocidade do vagão já era tanta que não era mais possível pará-lo. Até que o vagão cai.
Mitkov estava errado. Havia um trilho. Ele somente descia praticamente na vertical. A sensação de queda livre se apodera dele. Ele se segura no banco pra evitar o vôo. Seu estômago revira com a queda. E o chão se recusa a aparecer. Até que ele vê alguma coisa no fundo. Um mar negro e sem fim. E o trilho sumindo em seu seio. Teriam os duendes errado? A água os envolve fria e estranhamente seca. Ele não consegue respirar. Até que o mar negro fica para trás. Ele olha rapidamente para trás e vê o mar negro formando um teto estranho sobre suas cabeças. A velocidade do vagão já transforma tudo num borrão. Apesar da água acima o calor crescia cada vez mais. E outro precipício se aproximava. Mais uma queda e pouco depois eles param subitamente. Mitkov e o duende são atirados para frente. Mitkov sai do carrinho caindo no chão à frente enquanto o duende, que sabia o que esperar consegue se agarrar no banco.
Ao levantar Mitkov tem o desprazer de rever o seu café da manhã. O duende o encara com condescendência. Alguns minutos depois, Mitkov se recompõe e se vê frente a uma grande porta negra. Um brasão com uma espada e uma varinha cruzadas marca claramente os donos do cofre. A porta tinha a altura de três homens e a largura de dois. O duende se aproxima da porta com os olhos brilhando.
- Somente um Holopainen pode abrir essas portas. Nem mesmos os duendes de Gringotes têm acesso ao cofre. - O duende olhava reverente para a porta negra.
Apesar de seu estômago ainda incomodar, o garoto se aproxima da porta. Era ainda maior de perto. Ele olha para o duende que finge não vê-lo. Ele se aproxima ainda mais e toca na porta. Dá um leve empurrão e ela se abre como se não pesasse nada. Ainda menos que uma pena. Era como se não existisse. O interior do cofre era completamente escuro, mas de alguma forma ele enxergava. Via o magnífico tesouro. Espadas e armaduras eram uma visão comum. Um verdadeiro arsenal de armas místicas estava armazenado ali. E estranhamente havia muitas varinhas. Todas perfeitas. Incontáveis jóias. Milhares de livros de aparência sinistra. E montanhas de ouro. Gigantescas pilhas de ouro e prata. O ar crepitava dentro do cofre. Na verdade, pensou Mitkov, está mais para labirinto. Ele via passagens e corredores saindo do primeiro salão. E imaginava o que havia além. Ele dá um passo para dentro do cofre. E depois outro. E mais um.
Até que sua varinha começa a ressoar e subitamente explode em seu bolso, rasgando parte de suas vestes. Ele cai no chão com a força da explosão. Indo mais para dentro do cofre. Para perto das varinhas.
- O que foi isso? - o duende estava no exato ponto onde as portas se abriam. Mas por algum motivo não se atrevia a entrar.
- Minha varinha explodiu. - o garoto não sabia o que fazer. Ele sabia que uma varinha nas mãos de uma criança torna-se instável, mas não sabia que explodiam.
O duende olhava embasbacado para frente. Procurava o garoto que estava a poucos metros dele, como se não o visse. Então finalmente Mitkov entendeu. A escuridão que ele vira quando abriu a porta ainda estava ali. Mas somente um Holopainen poderia enxergar através dela. Com um sorriso, ele tenta se levantar e sente sua mão sendo puxada. Ela a guia entre os montes de ouro e pilhas de jóias e obras de arte. Até que ele sente sua mão se fechando sobre um objeto. Uma varinha.
Ele a puxa, separando-a do monte onde ela estava. Aparentava ser uma varinha normal. Sem nada de mais, mas Mitkov sentia um arrepio no braço. Partia da mão. Partia da varinha. Era negra como o ônix. E longa como uma pequena espada. Tinha trinta centímetros. Ele sabia somente de olhar... Sabia também do que era feita: Hadjar. Trinta centímetros de hadjar puro. O único metal na Terra capaz de ferir um anjo. Mas ele não sabia como ele sabia isso. E nem onde tinha ouvido falar de hadjar antes. Era de metal. Isso era obvio. Mas era estranhamente leve. Mais leve que alumínio. Mais leve que qualquer metal que ele conhecesse.
O duende estava na porta olhando aterrorizado para dentro do cofre. Em seus pensamentos Mitkov se desligara do mundo e não atendera aos chamados do pequeno banqueiro. Depois de dar uma resposta ríspida, Mitkov reconhece uma mochila encantada que já vira seu pai usando. Ela não pesava nada e cabia muita coisa dentro dela. Ele a pega e pega também um pequeno monte de galeões, colocando-os num bolso lateral. Seus olhos também pousam num anel simples. Ele o pega e olha atentamente. Por que aquele simples anel chamou sua atenção? Logo ele percebe o brasão de sua família gravado no interior do anel. E lê, graças ao dom das línguas, o que estava escrito na parte de fora do anel. “Guardar e Proteger”. Em anel mágico. Provavelmente encantado com feitiços protetores.
Dando-se por satisfeito, Mitkov sai do cofre. O olhar de alivio do duende era obvio. Ninguém perdia um cliente nos cofres. Por mais protegidos que eles estivessem.
Com um gesto o duende guia o garoto até um novo vagão. Dessa vez a subida é lenta. Eles demoram pouco mais de duas horas para chegar novamente a superfície. Aquele não era o cofre que sua mãe o levava. Aquele era o cofre que seu pai o levara uma vez. O cofre onde somente os Holopainen podem chegar. Havia mais dois cofres da família Holopainen, mas Mitkov não sabia que um Holopainen sozinho era levado ao cofre mais antigo. Por isso ele foi tão para baixo. Por isso ele achou a varinha e o anel. Faltava uma espada, mas isso teria que ficar para depois...
Ao chegar novamente no salão do banco, ele repara vários duendes olhando cobiçosos para ele. Enrubescendo levemente, ele agradece ao duende e sai do banco, olha o relógio que sua mãe lhe dera há muito tempo atrás e percebe que está atrasado para se encontrar com sua mãe. Então ele decide correr.
Esbarrando em muitas pessoas e ignorando seus comentários ele chega ao início do Beco Diagonal, mas não encontra a sua mãe. Ela ainda não havia chegado. Ele anda um pouco, procurando rostos conhecidos e nada. Até que sente algo puxando sua camisa. Ao olhar para baixo vê um elfo doméstico. Reconhece as rugas no rosto do pequeno elfo e a curvatura característica das costas de um elfo doméstico muito velho. Era Sword. O elfo doméstico mais velho que a família Holopainen possuía. Usava um uniforme limpo e uma pequena faca na cintura. Em seu peito jazia o brasão da família, o qual era exibido com orgulho pela criatura anciã.
Assim que ele percebe o olhar de Mitkov, se abaixa numa reverencia com obvia dificuldade e diz:
- A senhora sua mãe irá se atrasar um pouco. Me mandou na frente para fazer o senhor almoçar e para auxiliá-lo nas compras necessárias. Me deu dinheiro também. Para o caso de ser necessário...
Mitkov ajuda o elfo a se levantar e o informa que ainda não havia comprado nada. Só passado no banco. Olha ainda em volta e guia o elfo para a loja de Madame Malkin antes q ela feche para o almoço. Eles correm um pouco, mas conseguem chegar. Madame Malkin, uma bruxa idosa e já encurvada pela idade avançada, os recebe um tanto quanto friamente, mas ao reparar o elfo uniformizado suas feições tornam-se menos hostis. Havia ainda uma garota na loja. Estava experimentando uniformes de Hogwarts. Tinha cabelos longos e loiros, que desciam reto em suas costas. Seus olhos tinham uma cor azul tão clara que quase parecia gelo e seu rosto era anguloso e belo.
Quando Mitkov foi ao balcão, a dona da loja chamou uma de suas assistentes e foi atender ao rapaz pessoalmente, o que não deixou a menina muito feliz, pois a atendente era mais lenta. E desajeitada. Chegou a espetar a garota algumas vezes.
A dona da loja terminou o serviço de forma rápida e eficiente. O elfo Sword dá o endereço da residência dos Holopainen e Mitkov paga adiantado pelo serviço. A menina paga o dela também e dá endereço de sua casa. Ao sair se vira para Mitkov e diz:
-Você vai para Hogwarts. - Obviamente não era uma pergunta. - Já comprou tudo? Já almoçou? - Ela olhava para ele com seus frios olhos azuis. Por algum motivo isso o incomodava.
- Vim primeiro aqui. E não. - Poucas palavras. Como sempre. Ela olhava para ele como se o estivesse analisando. Ela andava com uma leveza impressionante. Quase como um lobo caçando.
- Vamos almoçar então? Minha mãe me deixou vir sozinha. A sua obviamente não. - Ela parecia muito orgulhosa do fato.
Ele balança a cabeça afirmativamente. Logo depois ela começa a andar, tomando a liderança da dupla. Trio se considerar o velho Sword. Eles se sentam em frente ao Florean Floterscue. Ela perde um salgado. E ele pede murmurando para Sword buscar comida decente em algum lugar. Dá alguns galeões para Sword e espera. Poucos minutos depois, o eficiente elfo doméstico chega com um prato de comida. O jovem Florean, filho do fundador da sorveteria, olha com desaprovação para o garoto, mas não fala nada. A garota não para de falar e pouco depois Mitkov já sabia que seu nome era Vanessa Le Fay. Descendente da linhagem puro sangue Le Fay. Descobriu que ela queria ir para a Grifinória e que detestava a Sonserina. E percebeu que ela gostava de falar, mas não necessariamente conversar.
Depois do almoço, Mitkov pede um sorvete para ele e um para Sword. O elfo fica maravilhado com o sorvete e a generosidade de seu dono. Vanessa pede um sunday e conta o dinheiro para pagar. Depois se vira e pergunta:
- Por que você deu um sorvete para ele? – Ela parecia realmente intriga e olha com interesse para o elfo que parecia estar em dificuldades, pois tentava comer muito devagar o que fazia o sorvete derreter na sua mão. Mitkov termina calmamente o seu sorvete olhando para ela e, aparentemente, pensando numa resposta.
- Eu gosto dele. – Mais uma resposta insuficiente. Ele sabia. Mas seu pai havia o ensinado bem. Nunca conversar com estranhos. Nunca dar informações a estranhos. Principalmente sobre sua vida pessoal.
A garota olhava intrigada para ele. Seus olhos claros pareciam buscar a verdade nas profundezas negras dos olhos de Mitkov. Mas, como era de se esperar, nada encontraram. A garota termina o resto do sunday em pouco tempo e ambos olham para o idoso elfo comendo o seu sorvete como se fosse o mais precioso tesouro.
Quando o elfo terminou a garota se levantou e perguntou para um transeunte sobre a loja de aparatos para poções. Sorrindo ela volta e puxa Mitkov pelo braço, meio o conduzindo, meio o arrastando até a empoeirada loja. Eles entram na loja e ela entrega a lista de material para um atendente da loja que começa a juntar o que ela precisa prontamente num pote subdividido de plástico. Mitkov entra na loja arrastado e pede aos murmúrios para Sword encontrar o dono da loja. Muito pouco tempo depois o elfo volta segurando um bruxo de face macilenta pelas vestes negras.
Mitkov entrega a lista para o bruxo e ele lê em silêncio erguendo as sobrancelhas em alguns pontos da lista. Em outros ele olha para o pequeno garoto a sua frente. Ao término ele dá um sorriso sinistro para o jovem e vira as costas indo para os fundos da loja. Olhando para os lados, Mitkov vê Vanessa olhando interessada para alguns ingredientes mais exóticos. O idoso elfo Sword não abandona seu mestre nem por um instante, andando ao seu lado como um fiel cão de caça.
Pouco tempo depois, o bruxo de vestes negras trás um grande pacote, deixando-o no balcão e olhando para o garoto. Mitkov vai acertar o pagamento com o bruxo e solicita que entreguem em sua casa. Logo depois Vanessa o puxa pelo braço. Ela iria a Floreios e Borrões. Mitkov vai somente por que é puxado. Ele não iria comprar os livros. Já os tinha. E já os havia lido. Havia também comprado alguns livros utilizados no segundo ano de Hogwarts, mas esses ele ainda estava no início.
Ao chegar na loja, o amontoado usual de mães e alunos estava um pouco maior que o normal, Vanessa se enfia no meio das pessoas, com Mitkov sendo puxado pela garota. Para uma menina ela era bem forte. Mitkov não deixara de reparar que também tinha um porte guerreiro. Mas não como ele. Nunca como ele. Depois de duas horas infernais na livraria. Eles conseguem comprar todos os livros. E saem da loja. Ele não comprara nada. Ela reparou e perguntou o por que, ouvindo um seco “já tenho” como resposta.
- Você não gosta muito de falar não é? - ela olhava para ele e havia colocado a mão em seu ombro direito, deixando claro que queria uma resposta completa. Mitkov olha para os lados e depois tenta encarar os olhos azuis claros da menina, falhando ele abaixa os olhos e diz simplesmente:
- Sim. - Por algum motivo que ele ignorava seu rosto ruborizou com a atenção da pequena bruxa. Frente a isso, ela sorri e o puxa para frente dizendo que devia ir ao Olivaras.
A loja esperava empoeirada num canto do Beco. Vanessa entrou e olhou para os lados, seus olhos absorvendo as altas estantes, o balcão empoeirado, a cortina escondendo a parte mais ao interior da loja e os olhos azuis brilhantes que a encarava. O sobrinho do antigo proprietário também pertencia à família Olivaras e também era um fabricante de varinhas. Seu tio havia morrido há alguns anos e ele herdara a loja. A loja e a paixão por varinhas. Pouco depois que eles entraram o senhor Olivaras se aproxima e os saúda.
- Senhorita Le Fay, estava imaginando quando apareceria. E senhor Holopainen, é sempre uma honra, mas o senhor já não comprou uma varinha? - o homem se aproximou e eles viram seu corpo magro e branco de quem não vê o sol com freqüência. Seus olhos brilhantes ficavam por trás de grandes óculos redondos, os quais ampliavam varias vezes seus olhos, deixando-o com um aspecto de coruja.
Vanessa sorri e, sem falar nada, vai em direção as estantes e pega uma caixa. Abre-a e pega a varinha em seu interior. Faz alguns gestos e nada acontece. O senhor Olivaras sorri e junta-se a Vanessa escolhendo algumas varinhas ao acaso. Ele sempre diz o tamanho, a madeira que a compõe e o miolo mágico em seu interior. Vanessa experimenta uma após uma e nada acontece. O sorriso de Olivaras cresce até que ele começa a esfregar as mãos olhando avidamente para a bruxinha.
- Então é verdade? A família Le Fay só se adapta a um tipo específico de varinha... - ele olhava para os lados enquanto falava, aparentemente com ninguém. Ele entra no setor reservado da loja deixando os dois clientes se encarando de forma suspeita. A mão de Mitkov tocava sua varinha, sentindo o frio reconfortante do ferro estelar.
Pouco depois o homem volta segurando uma caixa azulada. Ele abre a caixa devagar e mostra lentamente a varinha branca e levemente curva em seu interior. Tinha o formato que lembrava levemente um canino. Um canino muito grande. Olivaras olhava para os dois de forma estranha. Para Mitkov como se ele fosse um intruso e para Vanessa como se ela fosse uma dádiva divina. Em silêncio, ele estende a varinha para a garota que a pega sem medo. Com um gesto, o ar próximo ao corte da varinha se condensa e o interior da loja fica mais frio.
- Então é verdade... - Olivaras olhava estupefato para a jovem garota a sua frente. - É uma família singular.
- Por que? - a curiosidade e a sede de conhecimento eram as características mais fortes em Mitkov.
Olivaras olha para ele e sorri como um professor que percebe um aluno talentoso. Aproxima-se de Mitkov e põe as mãos em seus ombros, se abaixando para olhá-lo nos olhos.
- Porque aquela varinha é feita com o canino de um deus. É o canino do Deus-Lobo do norte Fenrir. Um deus do inverno e da caçada. Um deus de selvageria e poder. A varinha da mãe dela era feita com madeira retirada do arco de Ártemis, deusa da caça e protetora dos animais. E a da avó dela foi feita com madeira de uma árvore sagrada que foi atingida por Zeus. E assim tem sido por toda a família Le Fay. - Os olhos de Olivaras brilhavam enquanto ele falava e Vanessa olhava com espanto para sua varinha. Era branca como marfim. E muito fria ao toque. Não que isso a incomodasse. Ela se sentia segura e poderosa. E se sentia um pouco selvagem.
Pouco depois, eles saem da loja e, n’O Caldeirão Furado, se despedem com Vanessa o abraçando com força e prometendo o encontrar no trem.
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Mensagem  Jaum em Dom 13 Jun 2010, 08:02

Queria poder simplesmente mandar você postar mais e mais...
A, sim, posta mais.(ainda não chegou onde eu quero, ele ainda nem entrou em hog)
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 3 - Dark Chest of Wonders

Mensagem  Radamael em Qui 17 Jun 2010, 18:33

Mitkov chega em sua casa pouco antes da janta e sua casa estava estranhamente escura. Como se não houvesse ninguém em casa. De fato não havia humanos, mas Rapier, Gladius e Falchion deveriam estar lá. Esses três eram os elfos domésticos da família Holopainen e além desses havia Sword, que estava a seu lado. Com um gesto, ele dispensa Sword enquanto se esgueira pelos jardins, à procura de invasores. Não notando sinais de luta ou de invasão, entra em casa pela porta dos criados. A cozinha se encontrava vazia e escura, sem a atividade normal dos elfos.
Ele avança pela casa, forçando os olhos contra a escuridão e vendo muito pouco a sua frente. No corredor que levava da cozinha a sala de jantar ele encontra a porta do alojamento dos elfos. Abre-a procurando seus criados, mas através da escuridão vislumbra um quarto vazio e organizado. Andando em silêncio, ele segue até a sala de jantar e vê a mesa vazia. Olha seu relógio e acende sua luz interna para poder ver as horas. Percebe que a mesa já deveria estar posta. A porta que levava da sala de jantar para a sala de estar se encontrava entreaberta como de costume. Ele passa pela porta sem tocá-la para evitar eventuais barulhos.
A sala de estar estava um pouco diferente de como ele a deixara no dia anterior. Talvez os elfos tivessem mexido em alguma coisa. O cheiro da sala também estava um pouco diferente. Era um odor conhecido. Floral. Mas não sabia da onde o conhecia. Viu através da penumbra a escada que levava ao andar superior e a porta que ia direto para o saguão de entrada. Escolheu o saguão de entrada. A porta estava fechada. Isso geralmente não acontecia. Sua mão busca a varinha e o frio do metal o acalma. Com um gesto decidido, ele invoca o feitiço Alohomora e destranca a porta, que infelizmente faz um estalo com o feitiço. Com tudo posto a perder, ele escancara a porta de repente.
Dentro encontra uma mesa feita com muita variedade de doces e um bolo no centro. Sua mãe e os três elfos estavam mal escondidos olhando para ele, claramente surpresos com sua chegada repentina. Aparentemente todos esperavam que ele entrasse pela porta da frente. Sua mãe ainda era muito bela. E não era tão velha: mal passava dos trinta. Vestia um vestido trouxa rosado e com estampas coloridas. Segurava um embrulho nas mãos. Na parede atrás da mesa estava escrito “surpresa” em letras garrafais que flutuavam no ar.
Ele olha para tudo aquilo enquanto sua mãe anda até ele e o abraça forte dizendo:
- Surpresa, meu amor... – e dá um beijo no rosto de Mitkov. – Seu pai ficaria orgulhoso. Agora você já é o meu homenzinho. Já vai para a escola. Vai abandonar a mamãe...
Mitkov abaixa sua varinha e passa a mão nas cabeças dos quatro elfos que o cercavam a uma distância respeitosa. Sword havia chegado durante o abraço de sua mãe e se juntado aos outros elfos. Todos pareciam muito felizes com essa conquista. O convite para Hogwarts.
Seu material chegara pouco antes dele e Rapier havia o recebido. Os elfos já haviam deixado tudo organizado num canto. Sua mãe o levaria para a plataforma dali a uma semana e estava tentando fazer com que Rapier fosse para Hogwarts, mas eles não permitiam elfos particulares.
O rapaz agora percebia o porque de sua mãe não tê-lo encontrado no Beco. E agora lembrava que esquecera de comprar a coruja. Expôs isso a sua mãe que enviou Falchion no mesmo momento para o Beco, escrevendo algo num papel e o entregando para o elfo, antes dele sumir no ar com um estalo.
Sorrindo, sua mãe entrega o pacote embrulhado que ela segurava. Mitkov se senta numa poltrona localizada em um dos cantos do saguão e, olhando intrigado para sua mãe, começa a abri-lo lentamente, imaginando o que teria dentro do pacote. Pouco a pouco, o formato de um violino vai ficando óbvio, até que todo o papel estava do lado da poltrona, sem rasgões. Era um Stratovarius. O melhor violino do mundo. Ele sorri como uma criança, pega o instrumento em seus joelhos e começa a tocar uma suave música para sua mãe.
Ao fim da música, Falchion surge segurando uma gaiola. Dentro não havia uma coruja, mas um falcão peregrino. Presente de sua mãe que sorria sentada no braço da poltrona. Pela segunda vez no diz, Mitkov sorri como uma criança normal e abraça sua mãe e abraça também Falchion que ruboriza e, completamente sem jeito, dá dois tapinhas nos ombros de seu patrão. Depois, o garoto pega a gaiola e abre. Para sua surpresa o falcão voa e pousa em seu braço estendido. Olha dentro de seus olhos e dá um pequeno aperto com suas garras no braço do menino, que começa a fazer carinho nas penas do animal. O falcão começa a piscar longamente, demonstrando que apreciava o gesto.
- Ele tem nome? – Mitkov pergunta para sua mãe.
- Não, mas é um animal muito bem treinado e já te reconheceu como dono, filho. – Sua mãe adorava dar presentes. E geralmente acertava em cheio.
- Então seu nome será Kaledfwitch. Como a espada da Grã-Bretanha. – E sorri para o pássaro em seu braço. – Eu preciso dar comida de quanto em quanto tempo?
Sua mãe dá um sorriso e passa a mão na cabeça do filho. Ela o lembra que o animal pode caçar por si só e diz que esse em específico foi treinado para entregar cartas.
Depois disso ela o abraça, desalojando o pássaro que voa para a gaiola que estava nas mãos de Falchion. Ela começa a reunir todos perto da mesa com os comes e bebes. Todos comem até a fartura. Os elfos junto com seus donos, comendo lado a lado. Após o banquete, sua mãe o aninha entre seus braços e eles deitam no tapete persa em frente à lareira apagada. E caem no sono.
Mitkov tem um sonho estranho, onde seu pai ficava sozinho num castelo imenso, sentado num trono com duas espadas descansando a seu lado. Uma delas, a coisa mais nítida nesse sonho borrado, era indubitavelmente a Holopan, embora estivesse com a lâmina de prata enegrecida. As feições de seu pai estavam distorcidas e ele tinha a sensação de que já estivera naquele castelo. Talvez fosse o castelo da família Holopainen, mas ele não tinha certeza. Só conseguia chamar por seu pai, mas ele o ignorava, parado na mesma posição. Com as espadas a seu lado, até que a Holopan cai com um estrépito e ele é acordado.
Sword o tocava levemente nos ombros. Ele abre os olhos e vê que os braços de sua mãe ainda o enlaçavam. Com cuidado e com a ajuda de Sword, ele sai do abraço carinhoso de sua mãe. Com o dedo nos lábios pedindo silêncio, Sword o conduz até seu quarto. Era pequeno e divido com os outros elfos. Era limpo e organizado. Não havia nada fora do lugar, e aos pés de cada cama, havia pequenos baús, dados pelos donos para os elfos guardarem suas parcas posses. As chaves ficavam com os elfos. Tradicionalmente, os donos podiam pedir para ver o que eles guardavam e até mesmo tomar o que lá estivesse, mas isso nunca era feito. Era um dos motivos da lealdade inabalável dos elfos para com a família. Foi para um desses baús que Sword levou Mitkov. Com cuidado, o idoso elfo se abaixa e abre o baú de madeira negra com uma chave que trazia presa ao pescoço. Dentro do baú havia diversos objetos sem valor. Pedaços de tecido e coisas do gênero. Fragmentos de coisas há muito quebradas. E uma adaga. Todos na família Holopainen recebia treinamento com espadas. Mesmo os elfos. Só que por seu tamanho reduzido eles treinavam com adagas. O elfo meche um pouco nas coisas até que tira um fundo falso do baú. Mitkov olha surpreso para aquilo, mas escolhe ficar calado. Do fundo falso ele retira uma pequena sacola de couro de algum animal estranho. A bolsa se movia desconfortavelmente sozinha, como se estivesse cheia de insetos. Sword coloca sua pequena mão enrugada dentro da bolsa e tira de lá um delicado anel de ouro.
O anel era composto por diversos fios de ouro entrelaçados e em cada fio de ouro havia uma frase escrita em um idioma morto há muito. “Mente sobre o corpo. Corpo sobre a mente”. O Dom das Línguas era extremamente útil. Ele devia pesquisar sobre os dons da sua família. O Dom da Magia era óbvio de onde vinha. Os Holopainen eram uma das mais antigas famílias bruxas da Europa. Seu sangue-puro era cobiçado pela maioria das outras famílias. Afinal, os Holopainen nunca haviam produzido nenhum aborto. E seus bruxos sempre eram extremamente talentosos. Mas talvez isso fosse mais por causa do treinamento intensivo dado desde a mais tenra infância. O Dom das Armas tinha somente um nome pomposo: era simples treinamento. Já o Dom das Línguas não possuía explicações. E Mitkov pensava tudo isso por causa de um simples anel.
Hipnotizado, ele pega o anel da mão do elfo e o encaixa em seu dedo. Fecha os olhos de excitação, esperando os efeitos sobrenaturais do anel. Nada. O elfo idoso o encara com um sorriso:
- O Mestre Holopainen deixou isso comigo. Me incumbiu da missão de entregar isso para o pequeno mestre quando ele fosse para a Escola. Disse que é muito útil na luta contra o mal. – Ele olhava para o anel no dedo de Mitkov e seus olhos brilhavam de excitação.
- E... O que ele faz? – Mitkov olhava para o rosto enrugado do elfo, esperando uma pronta resposta, mas suas ambições foram surpreendidas com o sonoro “Não faço idéia!” Vindo do elfo que ainda olhava para o anel. Mitkov olhou para suas duas mãos e viu os dois anéis. Não fazia idéia do que nenhum dos dois fazia. Mas os usaria mesmo assim. Um anel era de proteção isso era óbvio pelo “Guardar e Proteger” e o outro? Dando de ombros, ele volta lentamente e em silêncio para a sala, com Sword em seus calcanhares. Ao chegar volta para os braços de sua mãe e adormece com os dois anéis nos dedos. Sua varinha era fria mesmo através da calça jeans. E a mochila encantada estava num canto recheada de galeões e das coisas que ele iria levar por fora da lista de material. Dorme feliz por estar com sua mãe e com algumas das relíquias da família.


Poucos dias depois, chega o famigerado ultimo dia em casa. A semana passada com sua mãe fora extremamente divertida. Eles saíam todos os dias depois do treinamento diário de Mitkov. Levavam sempre pelo menos um elfo, variando entre eles, para que todos pudessem sair. E na noite anterior houve outra festa. Sua mãe convidara alguns amigos que possuíam filhos em idade para ir a Hogwarts. Ainda o obrigara a brincar com as crianças presentes, óbvio que quando foi sugerido um pique-esconde Mitkov sumiu e só apareceu no fim da festa, tendo se ocultada em passagens secretas com um livro.
No fim da noite, todos foram para suas respectivas casas para arrumar os malões de suas crias. A mãe de Mitkov também arrumou o malão dele. Na realidade ele observou enquanto os elfos se amontoavam para organizar a mala de forma que coubesse a maior quantidade de coisas possíveis. Depois que eles organizaram tudo, sua mãe reuniu todos e informou que iria se mudar para Oxford, onde ela fazia um mestrado em Administração. Ela já havia conseguido um elfo doméstico para auxilia-la no apartamento que ela comprara na cidade. Dos quatro elfos restantes, um ficaria para cuidar da casa, mantendo-a limpa para que Mitkov e sua mãe a utilizassem nas férias e outros três ficariam em Hogwarts. O da casa e os de Hogwarts revesariam para que todos pudessem cuidar de Mitkov.
Essa informação fez com que os quatro elfos chorassem de felicidade. E abraçassem a mãe de Mitkov e logo depois agarrassem as barras da calça jeans preta que Mitkov usava. Mitkov dormiu feliz. Ele não estaria sozinho em Hogwarts. Teria seus servos. Seus únicos amigos. Só não poderia passar tanto tempo com eles, mas seus dias já estavam planejados: uma semana de adaptação e depois de volta à rotina.
Mitkov acorda na hora marcada, se levanta e vê uma muda de roupa dobrada com carinho em cima do malão perto da porta. Vai até o banheiro e toma um banho morno. Ao terminar, a toalha estava em cima da tampa do vaso sanitário. Seca-se e vai até o quarto, vestindo-se rapidamente. Desce e encontra sua mãe sentada na mesa com três elfos. Rapier aparece logo depois, com a comida. Ele se senta na cadeira e come um café da manhã reforçado, afinal passaria o dia sem comer.
Ao terminarem de tomar o café da manhã, Mitkov sobe até seu quarto e desce o malão com a ajuda de Gladius. Guarda sua varinha no bolso traseiro da calça e joga a camisa preta que estava usando por cima. Coloca a mochila nas costas e ajuda os elfos a colocarem a mala no bagageiro do carro. Sua mãe adorava dirigir e havia cismado em ir de carro, mesmo podendo aparatar. Com Mitkov no banco da frente, sua mãe inicia o curto caminho até a Estação. Chegam sem incidentes. Conhecedor da história de Hogwarts, Mitkov passa pela plataforma 11/2 sem problemas. Sua mãe chega pouco depois. Diversos alunos já estavam lá. A maioria jovens como Mitkov. Vários grupinhos já haviam se juntado em rodas para conversar sobre qual casa gostariam de ir. Mitkov dá um sorriso frio e se volta para sua mãe, mais caloroso, se despedindo. Abraça os quatro elfos que haviam aparatado assim que ele chegara na estação.
Entra no trem, uma maria-fumaça antiga, mas funcional e, mal havia começado a andar para o fim do trem, ouve uma voz clara e estridente berrando:
- Mit!!! – Ele se vira lentamente e dá de cara com Vanessa pulando em cima dele e derrubando-o em cima do malão, por pouco não o machucando. Ela usava uma camisa vermelha e dourada com a estampa de um leão nas costas. Não havia a menor necessidade de perguntar para onde ela gostaria de ir. – Vem senta com a gente. – Ela aponta para uma cabine onde duas cabeças femininas olhavam para ele com curiosidade. Ela se levanta, o ajudando pouco depois de limpar as vestes. Sem esperar uma resposta do garoto que parecia ainda estar se recuperando do susto, ela puxa o malão dele com dificuldade para dentro da cabine.
Mitkov entra na cabine que estava muito apertada, já que agora haviam quatro malões no chão da cabine. Os locais acima onde eles supostamente deveriam estar se encontravam vazios. Frente ao olhar inquisidor do rapaz uma das garotas disse que elas não haviam conseguido coloca-los na parte de cima da cabine. Com a expressão inalterada, Mitkov pega sua varinha e a agita falando “Vingardium Leviosa!”. Com o feitiço de levitação, Mitkov coloca os malões um de cada vez na parte de cima, sendo encarado pelas meninas.
- Se você já sabe fazer feitiços para que vai para a Escola? – Uma das garotas o encarava com grande interesse, enquanto Vanessa e a outro conversavam excitadas aos cochichos. Mitkov fica vermelho e balança a cabeça numa muda negativa, significando sabe-se lá o que. Depois ele se senta próximo da janela, ao lado da garota que falara com ele. O trem começa a se mover e batem na porta. Eles olham para os lados e Vanessa abre a porta. Um garoto alto e com os braços definidos esperava do lado de fora.
- Tem espaço aí? – O garoto tinha uma voz firme e uma aparência sólida. Usava um bracelete nos braços grossos. Era um dos poucos que utilizavam uma camisa grudada ao corpo, num claro método de mostrar seus músculos. Parecia ser do mínimo do terceiro ano. Mas tinha o rosto jovem. Jovem e quadrado. Feições firmes e com muitos ângulos retos. Usava uma calça jeans como todos os outros, mas essa era rasgada e puída em vários pontos diferentes.
Vanessa se muda para o lado de Mitkov, tomando o lugar na janela e deixando-o entre ela e a amiga. O garoto sorri, mostrando seus dentes brancos contrastando fortemente com sua pele negra. Trazia seus cabelos presos num dreadlock e os dreads estavam presos num rabo de cavalo.
Ele puxa o malão para dentro sem dificuldade e o levanta facilmente colocando-o na parte de cima da cabine. Depois ele se senta pesadamente. A garota ao seu lado era uma ruiva. As duas outras vestiam camisas iguais à de Vanessa. Todas queriam ir para Grifinória. Vanessa subitamente segura o pulso de Mitkov e o passa por sobre seus ombros, abraçando-a. Depois se deita no peito de Mitkov e fecha os olhos. Alguns segundos depois ela abre os olhos e pega o outro braço de Mitkov e o segura de forma que ele ficasse a abraçando.
As outras garotas se entreolham e todos começam a conversar sobre trivialidades. Mitkov fica em silêncio e o outro rapaz fala muito pouco e somente quando se dirigem a ele. Vanessa solta os braços de Mitkov que distraidamente olhava para a janela quando começou a fazer carinho na cabeça da garota. Ele somente balançava a cabeça quando falavam com ele, sem emitir sons. Depois de algumas horas de viagem, Vanessa acorda e se integra à conversa, ainda deitada no peito de Mitkov. A garota ruiva se encosta ao ombro largo do garoto que Mitkov descobriu se chamar Pietro. Quando os estômagos do grupo avisam que a hora do almoço se aproximava uma bruxa muito idosa bate na porta. Ela carregava um carrinho cheio de doces e guloseimas. Alguma comida salgada também estava no carrinho, mas era pouco.
O grupo se levanta para fazer compras e Pietro compra primeiro esticando o braço e levantando levemente da cadeira. Compra alguns sapos de chocolate e algumas outras guloseimas. As três garotas se cotizam para comprar uma quantidade absurda de doces de todos os tipos. Mitkov espera a comoção diminuir e compra uma marmita de comida de sal. Vê o que ela possui e compra um único sapo de chocolate. Depois das compras a mulher fecha a porta e sai, seguindo o caminho ao longo do trem.
Mitkov abre sua marmita e começa a comer civilizadamente, enquanto as garotas começam a falar alto e abrir diversos doces, divindindo-os entre si e oferecendo a Pietro que aceitava alguns e incluía os seus no bolo. Mitkov negou todos com acenos de cabeça e, ao terminar a marmita, abre o seu sapo de chocolate e oferece a todos, que negam, então ele o come devagar e depois se ajeita novamente no banco. Vanessa começa a insistir que ele coma mais doces, mas ele nega.
- Não é porque vou para a Escola que irei desregrar minha alimentação. – Foi a única frase que falou durante toda a viagem. Ele descobriu ou se lembrou, não sabia ao certo, o porque de não ter muitos amigos: sentia-se desconfortável próximo a muitas pessoas. Vanessa era obviamente seu oposto, pois estava sempre falando e por várias vezes segurou o braço de Mitkov para tentar incluí-lo na conversa, mas ele resistia ao esforço. Pietro não parecia muito confortável, mas tentava disfarçar o fato com fervor. Mitkov supôs que ele estava tendo sucesso. Nem todos eram observadores como ele. E Vanessa era muito provavelmente tão inconseqüente que jamais repararia nisso. Quanto mais suas amigas. E sorri para si mesmo.
Quando a viagem estava próxima do fim, Vanessa tira sua camisa expondo um top preto por baixo. Pega as roupas que estavam guardadas em uma das bolsas menores no chão e se veste, sendo prontamente acompanhada por suas amigas. Pietro tira a camisa e se levanta para pegar as vestes, deixando seu peito definido a mostra. Mitkov sorri com a parca demonstração de força. Ele veste sua roupa, deixando o peito nu por baixo do uniforme. Coisa fácil de fazer no verão.
Mitkov pega seu uniforme e veste por cima da roupa, já que sua roupa já era social por natureza. O sol já ia morrendo e a noite subindo veloz quando, ao longe o Castelo de Hogwarts se mostrava imponente surgindo sobre um grande lago negro. As centenas de janelas iluminadas mostravam que o castelo ia renascendo com o retorno de sua função de existência. Poucas sombras nas luzes indicavam a ausência quase completa de protetores. Não havia mais perigo para os alunos com a queda de Voldemort há muito. Ainda existiam muitos seguidores, mas nenhum deles se atrevia a desafiar o poderio reunido da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Hogwarts fora o último bastião. A última resistência. E sobrevivera. Triunfara. E sempre abria para receber as mentes das novas gerações. Assim como estivera aberto a mais de quatrocentos anos, estava aberta para educar os novos luminares desta geração. E, entre eles, o último Holopainen.
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Mensagem  Jaum em Qui 17 Jun 2010, 18:38

Tá chegando( mintira, mas esse ritmo tá bom)
Eu posto algo antes do fim de semana terminar. juro.... to na ksa de mamãe e não vou postar em nada aki... mas amanha vou tentar postar em "ruina dos deuses" e talvez até em terror
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Mensagem  Jaum em Qua 23 Jun 2010, 17:55

CalviM ^^
Não to conseguindo falar com a mulher desgraçada da VAn....(acabei de conseguir)
Se liga, tenho uma proposta para você conseguir comprar mago para você... Essa mulher da van tá dando pra trás...
Tá fingindo que nem é com ela... ... ...
Acho que tá de motherfucker querendo cobrar mais ...
sei lá hein... ela tá alando com a joy...
A joy tá anotando um bagulho...
Sei lá... ... a joy só diz huhum... uhumm....uhum... vou bater nela 7 uhuns até agora... depois tá... Hunnnn....tá de novo...Uhunnn uhhunnnn tá unnnn....aewwwww finalmente ela disse alguma coisa ^^


ÈEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE resolveu... ^^
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Mensagem  Radamael em Qua 23 Jun 2010, 20:37

Conseguiram?!

Vocês vêm?!

EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!!

Qual a proposta?

Como recompensa por vocês virem, vou colocar 2 capitulos :p
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 4 Black Dragon

Mensagem  Radamael em Qua 23 Jun 2010, 20:53

O trem ia diminuindo lentamente. Antes que Mitkov pudesse descer as malas, Pietro as descia em duplas, uma em cada mão. Mitkov percebeu imediatamente que sua força não era normal. Eram malões pesados o suficiente para um adulto ter dificuldades em levantar. Não era possível que um jovem de onze anos possuísse força o suficiente para erguer dois.
Passada a análise inicial, Mitkov guarda seu malão com a varinha e vai até uma das portas do trem, enquanto esse ainda se movia. Ao sair, ele avisa murmurando que as malas ficavam nos trens, mostrando o quão inútil fora a iniciativa de Pietro. Cada vez se movendo mais lentamente, o trem para com um baque. O barulho subseqüente de diversas malas mal colocadas caindo faz Mitkov sorrir. As cabines se abrem quase simultaneamente e a porta do trem abre com um estalido. Mitkov desce. Ele era o primeiro a chegar.
Respirando o ar fresco da noite do campo ele começa a andar em direção ao lago. Havia um caminho de lanternas erguidas bem alto em postes grossos como árvores. De longe era perceptível um vulto do tamanho de um poste. Um gigante esperava perto a diversos barcos.
- Primeira série por aqui! – O gigante berrava com uma voz rouca e gutural. Várias meninas deram gritinhos ao avistá-lo e evitavam se aproximar. Sacando a varinha lentamente, Mitkov caminha abertamente em direção ao gigante. Ao se aproximar o gigante dá um sorriso amigável para ele e mostra a palma das mãos, num gesto de paz. Com a certeza dos bem-treinados, Mitkov guarda sua varinha. Nunca o gigante o acertaria antes de ele sacar sua varinha. – Não lhes farei mal. Trabalho em Hogwarts! Sou guarda-caça! A primeira série deve embarcar na flotilha e ir em direção ao castelo pelo lago.
O gigante parecia entristecido pela reação dos alunos, mas pareceu um pouco melhor quando Pietro dá um tapinha amigável na junta do joelho do gigante. Antes de todos, Mitkov entra num dos barquinhos. A sua frente se sentou Pietro, que ocupava quase dois lugares. Ao lado de Mitkov se sentou uma garota de aspecto frágil. Era magra e possuía os olhos amendoados de um oriental, tinha também a pele amarelada, fazendo Mitkov pensar se ela não seria chinesa ou japonesa. Ela possuía cabelos negros muito lisos que chegavam na cintura e era tão negro quanto seus olhos. Mais escuros que o lago.
Ela subiu no barco com graça e agilidade. Olhou para Pietro e depois fixou o olhar em Mitkov. O barco começou a se mover sozinho, indo na direção do Castelo. Este ia ficando cada vez maior, até que uma entrada esculpida na pedra fez com que a luz da lua fosse substituída pele flamejar confortável de tochas ao longe. Essas tochas iluminavam um pequeno atracadouro, onde os barquinhos se fixavam misticamente e todos poderiam sair. Pietro sai do barco e este, estranhamente, não balança. Mitkov sai depois, estendendo a mão para auxiliar a garota. Ela ainda não havia desviado o olhar de Mitkov desde que havia subido no barco. E parecia não ter pretensões de parar agora.
Ele olha ao redor e vê os diversos archotes iluminando as paredes úmidas da masmorra. Perto dali se encontrava uma escada que levava a uma porta de madeira maciça, onde um homem com várias cicatrizes no rosto aguardava de braços cruzados. Os alunos do primeiro ano se aglomeravam lentamente e o homem não parecia ter pressa. Quando a maioria estava olhando para ele começa a falar:
Bem vindos a Hogwarts. – Sua voz era baixa. Talvez sua garganta tenha sido atingida pelo que quer que cause tais ferimentos. – Vocês serão selecionados para as casas agora. Existem regulamentos nessa escola. Regulamentos que devem ser seguidos à risca. Ou vocês serão punidos. Simples assim. Isso não é um playground. Não é brincadeira. É necessária responsabilidade com a magia. Espero que não me decepcionem. Para alguns eu sou o Diretor da Grifinória. Para todos sou o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas. Meu nome é Guilherme Wesley. – E, descruzando os braços, abre a pesada porta de madeira, mostrando o interior do salão principal aos alunos recém chegados.
Um burburinho os atinge assim que entram no salão. Estavam ao lado de uma grande porta dupla que levava a sala de jantar. O grandioso teto abobado quase não podia ser visto e os rostos assustadiços dos jovens mostravam a Mitkov que ele não era o único que sentia um característico frio na barriga. Uma mão enlaça a sua e Mitkov vê o sorriso seguro de Vanessa o que o acalma por algum motivo.
O burburinho cessa quando as portas se abrem. Centenas de jovens olhavam para eles. O professor organizou todos rapidamente numa fila. Num banquinho entre as quatro grandes mesas que ocupavam o local e mais próxima de uma quinta mesa, mais alta que as demais, onde ficavam os professores, estava um velho chapéu coco. Subitamente o chapéu começou a cantar. Falou sobre a guerra e sobre a união das casas. Falou sobre como a união se desfez depois da batalha, sobre como tudo voltara a ficar como antes. E pedia união desde já para os futuros embates. Depois ele se calou e o professor ergueu a lista com os nomes dos escolhidos para ingressarem na escola. E assim começou a chamada. A cada nome chamado uma pessoa saía uma pessoa da fila e colocava um velho chapéu coco surrado na cabeça. Invariavelmente o chapéu cobria os olhos de quem o colocava. Pouco depois falava o nome de uma das casas de Hogwarts. Os nomes foram seguindo e Vanessa segurou novamente a mão de Mitkov.
- Vamos todos para Grifinória.- Disse ela em seu ouvido. Olhando para trás viu novamente os olhos da garota do barco cravados nele. As amigas de Vanessa foram chamadas antes deles. A primeira foi para a Grifinória, o que fez a garota dar um apertão de felicidade na mão de Mitkov. A segunda foi selecionada para Lufa-Lufa o que fez Vanessa desanimar um pouco. O garoto aperta confortavelmente a mão fria que ele segurava. Eles ficaram vendo até que ecoou pelo salão:
- Holopainen, Mitkov! – a voz do professor foi seguida por uma série de murmúrios. Principalmente na mesa verde e prata, onde ficava a maioria dos puros-sangues. Os Holopainen era uma família antiqüíssima. E de sangue muito puro. Mitkov segue até o banquinho e pega o chapéu. Senta-se no banco e tampa o início de alvoroço colocando o chapéu, o que barra a sua visão.
Silêncio. Algo deveria estar acontecendo. Ele esperou. Nada. O tempo passava lentamente e ele sentia o olhar de todos no salão em cima dele. Cinco minutos se passaram e Mitkov tira o chapéu.
- Acho que falhou. – O chapéu ficou mudo e Mitkov estranhara isso. O chapéu não deveria entrar em sua mente e ver qual era a melhor casa para ele?
- Claro que não! O Chapéu Seletor nunca falhou antes. – Mas Mitkov sentiu a apreensão na voz do professor. O item de fato nunca falhara, mas também nunca demorara tanto. Com um gesto da idosa senhora que sentava no centro da grande mesa, Mitkov foi chamado para trás da mesa maior e outro nome foi chamado.
Mitkov caminha ante o olhar de todos para perto da diretora. A menina fora selecionada e ninguém prestou atenção. Todos olhavam para Mitkov. O rapaz dá a volta na mesa, indo para fora do campo de visão dos outros alunos. Mais um foi selecionado. O saguão estava no mais completo silencio como se tentassem escutar o que seria dito atrás da mesa. Ao chegar na cadeira de espaldar alto da diretora, a mesma se levanta e o olha nos olhos, seus lábios estavam finos. Rígida. Essa era a fama de Minerva McGonagall. Ela tinha idade para se aposentar, mas não o fazia por teimosia. O antigo diretor morrera exercendo sua função e ela pretendia fazer o mesmo.
- O que aconteceu?- a voz da mulher era rígida e calorosa ao mesmo tempo. Ela já não conseguia ficar em pé por muito tempo. A idade a consumia, mas ela lutava bravamente.
- Não sei. O chapéu não falou comigo. Ele não fez nenhum som. Eu ainda sou um aluno? – Mitkov parecia perdido pela primeira vez na vida. O que acontecera?
¬- Você é um aluno. Somente não sabe sua casa ainda. Temos que descobrir o que aconteceu com o chapéu. Ele obviamente está funcionando perfeitamente. Exceto com você. – Vanessa acabara de ser selecionada para Grifinória. Uma pequena ovação nas mesas das casas selecionadas. Mas a maioria ainda prestava atenção na diretora que falava com o aluno que não fora selecionado.
- Como vai ser feito então? Eu não vou ter uma casa?
- Não. Você será selecionado. Será um aluno normal. Você é um Holopainen, certo? Sua família tem dons antigos. Talvez alguns deles estejam interferindo com a magia do chapéu.
Mitkov percebeu que vários dos professores estavam pertos deles. O garoto ouviu Pietro Petraack ser selecionado para Lufa-Lufa. O professor centauro chegou perto dele. Tinha o cabelo loiro e os olhos muito claros. A parte eqüina era de um tom amarelado similar ao cabelo. Ele dá um sorriso gentil para o menino e delicadamente, segura sua mão. Mostra a todos um anel e o retira do dedo do jovem Holopainen.
- Posso devolve-lo daqui a pouco? – e sai sem mais explicações, voltando para seu lugar na mesa. Todos os alunos já haviam sido selecionados. A maioria dos professores estava a sua volta. Um deles trazia o Chapéu Seletor nas mãos. Com um tom mais doce a diretora pergunta se ele quer tentar novamente. Com um aceno tímido de cabeça, ele concorda e um dos professores traz o banco para que ele se sente. Pela segunda vez, o chapéu cobre seus olhos, mas dessa vez com vários professores a sua volta, esperando para verem o que aconteceria.
¬- Hum... – uma voz estranha ecoava na mente de Mitkov – Muito interessante. Há mais de cinqüenta anos não vejo uma mente tão promissora... Corvinal... Mas também não enviei a outra para Corvinal. Vejo muita coragem... Sim... Coragem para enfrentar o mal a gerações sem conta... Grifinória talvez? Meu querido. Descartei somente uma casa. Nunca vi uma mente tão difícil de ser avaliada. Veja meu dilema: a coragem sem par é característica dos grifinórios, a inteligência e o amor pelos livros são características dos corvinais. Mas os sonserinos são talvez os mais arrogantes. Não vejo em você pudor para se privar de algo que gostaria de ter. Não vejo limites para sua sede de conhecimento. De poder. Vou envia-lo para SONSERINA! – a última palavra foi ouvida por todo o salão. A mesa da Sonserina ovacionou alto. Todos queriam conhecer o garoto que travou o Chapéu Seletor.
O garoto se levanta do banco e entrega o chapéu ao professor. Ao seu lado, o centauro estende o anel da família do garoto.
- Foi uma pesquisa interessante. - Diz o centauro com um leve sorriso nos lábios.
Mitkov recoloca o anel em seu dedo e vai pelas laterais do salão, andando nas sombras formadas pelas velas encantadas no teto que imitava o céu noturno. Ele consegue se sentar à mesa sem ser visto pela maioria das pessoas da mesa. Logo depois que ele se senta, a diretora reaparece na mesa. Ela espera todos os professores voltarem a seus lugares e abre os braços, como se saudando a todos:
- Bem vindos a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts! Tenho o prazer de dar as boas vindas aos novos e aos velhos alunos! Mas tenho também o pesar de informar algumas mudanças no corpo docente. O professor Slughorn resolveu retornar à aposentadoria, sendo substituído pela professora Simone Desiree. – Uma jovem loira estonteante, aparentando não mais de dezoito anos se levanta sorrindo radiante para todos. – O professor Flitwick veio a falecer durante as férias, tendo contraído varíola de dragão. – um momento de silêncio se fez pela dor de perder um dos professores mais queridos por todos – Sendo substituído pelo professor Thanatos Thanatoikus. A professora Grumplyplunk de Trato de Criaturas Mágicas se aposentou depois de um ataque na Floresta Proibida, sendo substituída pelo professor Carlos Wesley. Que junto com seu irmão Guilherme Wesley, de Defesa Contra as Artes das Trevas, completa as alterações no quadro de professores.
- Continuando os avisos. Lembro a todos os alunos que não é permitido que alunos transitem durante a noite pelos corredores da escola. A Floresta Proibida não tem esse nome à toa. Pedimos que os alunos não tentem transitar com aparelhos eletrônicos no castelo. Seu uso é restrito aos salões comunais de suas respectivas casas. Recomendo que os novos alunos leiam o regulamento do colégio que estão nos quadros de avisos de suas casas. Recomendo que alguns dos antigos o releiam também. – Seus olhos correm as mesas se parando em alguns alunos quando ela diz essa frase. – Bom, suponho que seja tudo, agora boa ceia a todos! – e se senta novamente.
Os pratos se encheram misticamente de comida, sendo prontamente atacada pelos alunos famintos. Mitkov se serve com moderação e come o suficiente. Regrado. Como sempre. Percorre os olhos pelo salão, e facilmente localiza Vanessa que estava rodeada de alunos de outras séries, rindo alto e conversando. Vê Pietro conversando calmamente com a amiga de Vanessa que fora para Lufa-Lufa e percebe os olhos teimosos que ainda não o haviam abandonado. A garota oriental estava na mesa azul e bronze da Corvinal.
Ao terminar a ceia, Mitkov sente uma mão em seu ombro. Ao se virar percebe o professor Thanatoikus, mestre de feitiços. Ele se levanta e acompanha o professor para longe dos outros alunos da casa. Ao sair do salão de jantar ele ouve um garoto de aproximadamente quinze anos gritando “Primeiro ano aqui!”, mas o professor o conduzia para outro lugar. Logo depois de subir a grande escada no saguão de entrada, ele abre uma porta e entra numa sala. As cadeiras estavam limpas e alinhadas, o grande quadro negro estava limpo. O professor se senta numa das cadeiras dos alunos e o convida a fazer o mesmo. Mitkov se senta e o professor começa a falar:
¬¬- De quem você ganhou aquele anel? – simples e direto. A voz do professor era fria e ele parecia olhar para as mãos de Mitkov sobre a mesa.
- Ganhei de me pai. – Mitkov começara a calcular. Ele não falaria nada que não fosse verdade, mas também não falaria tudo. Era o segredo de não ser descoberto mentindo. Seu pai o ensinara. Uma mentira baseada numa verdade era sempre mais plausível.
¬- Você sabe onde seu pai conseguiu isso? – Ele caíra. Mitkov descobrira o uso do anel. Ele impedia que as pessoas entrassem em sua cabeça.
- Do meu avô. – Isso não era necessariamente verdade, mas como era o mais provável, era o que Mitkov dizia sem medo de ser pego na mentira. O professor suspirara depois da resposta. Ele já percebera que entrara num ciclo. Os Holopainen eram uma família muito antiga e com certeza tinham muitas relíquias do passado.
- Você sabe onde seu avô conseguiu esse anel? – Mitkov estava surpreso que o professor houvesse tentado. As pessoas comuns tentem a parar quando percebem o ciclo.
- Não tenho muita certeza, mas provavelmente do meu bisavô. – E deu seu melhor sorriso inocente. Ele tinha outro anel “de família”, mas não iria explanar isso. Sua família conseguira um numero imenso de relíquias como espólios de vitória de antigos bruxos das Trevas, Ou somente bruxos que desafiavam a família pela posse de alguma relíquia. Era um círculo vicioso que alimentava os cofres da família.
Dando um suspiro resignado, o professor se levanta e abre a porta para Mitkov que estava logo atrás. O professor começa a guiar o aluno até o salão comunal da Sonserina.
- Por que a pergunta, professor? – uma jogada disfarçada de aluno curioso. Ele tinha que aproveitar suas vantagens.
O professor olha para Mitkov e suspira resignado. Olha para os lados, mas a hora impedia que muitas pessoas estivessem fora de suas camas.
- Minha família possuía um acordo com os Holopainen. Éramos uma família de Artífices. Forjávamos itens com propriedades místicas. Um dos itens foi um anel que impedia qualquer tipo de contato mental, o que incluía a Maldição Impérius e tentativas de leitura de mentes. Mas um dos membros mais jovens da família na época o roubou e fugiu. Um dos Holopainen foi morto em combate. Uma morte que poderia ter sido evitada graças ao anel. E para piorar a situação, o ladrão se tornou um bruxo temido. Os Holopainen o caçaram e ao descobrirem a família do agressor, cortaram suas relações conosco. Sem o dinheiro e a influência da sua família, a minha decaiu rapidamente. Tentando manter o dinheiro e a influência de séculos, minha família começou a se misturar com os nascidos trouxas. Ou até mesmo com trouxas ricos. Mas mesmo assim minha família foi esquecida. Retirada da lista de famílias de Puro Sangue. Nossa queda foi diferente da de vocês. Foi uma queda sem honra. Sem luta. Nós simplesmente falhamos.
Mitkov olhava para o professor. Nunca esperara uma resposta tão completa. Talvez fosse mais um poder do anel. Ou talvez fosse o poder do outro anel. Ele precisava estudar. Talvez houvesse um compendio de itens na escola. Ou talvez ele precisasse buscar em casa. Quando ele percebeu, o professor parara perto de uma parede. Eles estavam nas masmorras. O professor se vira para a parede e diz:
- Puro Sangue. – A parede se abre sem fazer som, revelando uma passagem para uma masmorra onde alguns alunos estavam sentados um grupos de sofás. Vários estavam usando casacos. Estava de fato frio. E úmido. Mitkov supôs que a sala comunal da Sonserina ficasse perto do lago. O professor se despediu com um aceno e o garoto entrou no salão. Vários rostos se voltaram interessados para o menino.
- É puro sangue? – alguém perguntou.
- Minha família é mais antiga que a sua. Não importa quem tenha falado duvido que tenha mais tradição que a minha. – uma leve pausa. – Sou Mitkov Holopainen e não pretendo abaixar a cabeça para ninguém.
E recomeça a andar. Sorrisos. Ele conseguira se impor. Seu nome tinha peso suficiente. Algumas pessoas olhavam feio para ele. Muitas famílias já haviam perdido membros para os Holopainen. Ele seria testado. E seu treinamento garantiria que passaria no teste. Ninguém o venceria em combate.
Com a segurança dos vitoriosos e como se fosse dono do lugar ele caminha até um garoto que aparentava a sua idade e, polidamente, pergunta onde fica o alojamento da primeira série. Tendo sua resposta, ele entra e vê uma única cama vazia. Estava meticulosamente limpa e sua mala estava aberta ao lado. Suas coisas estavam organizadas num baú aos pés da cama. Uma cortina fora arranjada para esconder seu sono. Ao se aproximar percebe um bilhete em cima do baú. Pega o papel e o coloca sobre o travesseiro. Pega as roupas do dia seguinte e arruma numa pequena escrivaninha ao lado da cama. Sua mochila estava guardada embaixo da cama. Ele organiza as coisas. Coloca os livros sobre a escrivaninha em ordem alfabética. Anota as aulas da semana num papel e o plastifica na mesa.
Pega seu caderno de anotações e guarda na mochila. O material extra de poções é organizado sob a escrivaninha de forma a não atrapalhar seu estudo. Invoca algumas magias para abafar sons externos. Invoca outra para tornar a cadeira mais confortável. Olha e vê que na noite do dia seguinte terá aula de duelos. Prepara rapidamente uma poção de sono. Logo depois prepara outra poção, desta vez uma que causa uma pequena explosão. Depois disso, olha o relógio e percebe que já passa da meia noite.
Pronto para o dia seguinte, ele se deita na cama, não esquecendo de programar seu relógio para despertar às cinco horas da manhã, afinal ele ainda iria fazer todos os exercícios físicos. Um Holopainen jamais fica fora de forma. Só precisava descobrir um local apropriado para treinar. E ele pretendia fazer isso assim que acordasse. Foi com esses pensamentos que ele dormiu. E seus sonhos foram preenchidos por academias, barras e pesos de exercícios.
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 5 Princess Aurora

Mensagem  Radamael em Qua 23 Jun 2010, 20:57

Seu primeiro dia em Hogwarts começa da mesma forma que começava em casa. Ele acorda um pouco antes do despertador tocar e se obriga a ficar na cama até o primeiro apito do relógio. Alguns de seus companheiros de casa resmungam alguma coisa, mas voltam a dormir. Eles ainda tinham direito a mais uma hora de sono. Mitkov se levanta e veste uma roupa leve para fazer exercícios. Sai furtivamente do quarto abrindo a porta sem fazer barulho e chega ao salão comunal. As cinzas da lareira ainda emanavam algum calor e tudo estava organizado. Mitkov percebeu rapidamente que os elfos domésticos eram s responsáveis pela faxina noturna. Algumas pessoas dormiam sobre livros e pergaminhos, obviamente numa tentativa final de fazer os deveres passados durante as férias. Sem fazer barulho, ele abre a passagem secreta e começa a correr pelo castelo.
Subindo e descendo escadas, pulando algumas partes e escalando outras. Ele adorava Parkou. Depois de correr e pular por quase quarenta minutos, ele entra numa sala e consegue um local para fazer barras, flexões e abdominais. Ele era um guerreiro desde criança e somente agora seu corpo começava a formar mais músculos. Era a puberdade, ele sabia. E estava gostando.
Quando faltavam cinco minutos para as seis horas, ele já estava tomando banho no banheiro da Sonserina. Vários garotos observavam o novato numa óbvia tentativa de determinar se conseguiriam intimida-lo. Ignorando os outros garotos, Mitkov termina seu banho e volta para o quarto vestindo uma toalha na parte de baixo do corpo. Ele passa por várias garotas no caminho até seu quarto, e ao chegar lá veste as roupas que havia separado na noite anterior. Observa o quadro de aulas grudado em sua mesa e guarda na mochila os livros de poções e transfiguração. Poções seria com a Grifinória e transfiguração com a Lufa-Lufa.
Ele desce para o café da manhã e chega como um dos primeiros. As aulas começavam às sete horas da manhã. Felizmente em sua corrida pelo castelo ele descobrira onde eram as salas de aula de cada matéria que ele iria estudar. Estava um pouco cansado: o Parkou no castelo era muito mais divertido do que em sua casa de dois andares. Ele toma o café da manhã rapidamente e desce para as masmorras. Encontra a sala de Poções aberta, então entra e se senta o mais próximo possível do quadro. Coloca o livro da matéria aberto e começa afazer uma rápida revisão. Ainda teria meia hora antes da aula começar. Seu livro já estava riscado e entrecortado por anotações. Ele pesquisara métodos mais eficientes de criar poções e anotara no livro. Estava garantido. Ele até mesmo já fazia poções mais simples sozinho. Como comprovado pelos dois frascos em sua mochila. Pouco depois de quinze minutos entra a professora, que olha surpresa para o aluno que já se encontrava na sala. Ele entra e prepara os materiais, sendo ajudada por Mitkov. Depois ele toca o quadro com sua varinha e surgem as explicações para a poção do dia.
Quando faltavam cinco minutos para a aula começar, os alunos começaram a chegar. Vanessa entra com sua amiga grifinória e elas se sentam juntas. Uma garota da sonserina se senta ao lado de Mitkov e o cumprimenta educadamente, sendo respondida de forma ainda mais polida. Ao se virar para a turma a professora percebe que os alunos se agruparam por casas. Com uma pequena careta, ela bate palmas, fazendo com que o barulho cesse e diz:
- Eu quero os alunos sentados com companheiros de outra casa. Não quero ninguém sentado com amigos da própria casa. – Alguns resmungam, mas todos começam a mudar de lugar. Vanessa joga suas coisas na mesa de Mitkov antes mesmo da sonserina retirar o material dela, o que faz com que a garota faça uma careta de desaprovação. Vanessa pouco se importa com isso e fica em pé ao lado da cadeira dela enquanto ela tira o material do novo lugar de Vanessa.
- E então sonserino? – Ela olha para ele e obviamente não se importava com o tradicional “bom dia”.
- Bom dia para você também. E então o que? – Mitkov estava feliz com a poção do dia. Era uma poção do sono extremamente simples. Fora a primeira poção que ele conseguira fazer sozinho.
- Ainda amigos ou a Sonserina já tomou a sua mente e te transformou num Bruxo das Trevas? – Ela olhava para o garoto com seus olhos muito claros e isso o incomodava de alguma forma. Ela olhava para as pessoas como se elas fosse o que mais importava no momento. E ele detestava tanta atenção.
- Ainda amigos. – e apontou para a professora que começava a falar. Ela dizia que iria fazer um teste diagnóstico para ver as habilidades dos alunos com poções. Ela disse acreditar que poções era indispensável para as mulheres, pois mostrava seus dons culinários. Ela se apresentou formalmente para a turma depois. Ela tinha somente vinte anos, mas já era reconhecida como uma mestra em Poções. Depois de dar uma descrição sobre os efeitos da poção, ela descreve rapidamente o método de criação.
Com todos a postos e com caldeirões cheios de água fervente, a professora dá início ao teste diagnóstico. Mitkov inicia rapidamente sua poção e em dez minutos estava pronta. A professora havia dado uma hora. Então Mitkov resolveu secar a poção para poder administra-la sob a forma de pó, como o frasco que carregava em sua mochila. Em meia hora estava tudo pronto. A professora acompanhou seu desenvolvimento de perto, sem fazer comentários. Observava com olhos clínicos. Vanessa passava maus bocados com a poção e um dos alunos, um grifinório bonachão, conseguira criar um fraco ácido esverdeado em vez do líquido azul esperado. A de Mitkov estava na forma de um pó azul no fundo do caldeirão. Ele estava acondicionando em pequenos sacos de seda e amarrando com barbantes. Ele preparara vinte salvas de pó sonífero.
Vanessa tinha sua poção num tom azul muito fraco. A poção ficara rala. E ela olhava com interesse para o caldeirão de Mitkov. A professora recolheu uma amostra da poção de cada aluno e pegou um dos embrulhos de Mitkov. Depois, ela vai até a frente da sala e ostra todos, dando especial atenção ao frasco com o líquido verde e ao embrulho de Mitkov.
- Qual a função de ter uma poção do sono em pó? – Ela perguntou para Mitkov, som um leve sorriso nos lábios. Ele não só tinha feito a poção como ainda havia ido além do pedido pelo professor.
- Fica mais fácil administrar. È muito difícil fazer um inimigo beber uma poção que você oferece para ele, mas é fácil jogar esse sache nos pés dele e ele aspirar a poção.
A professora olha para ele desconcertada. Obviamente essa não era a resposta que ela esperava. Pelo menos não a segunda parte. A primeira parte era a resposta que ela esperava.
- Você é o menino Holopainen certo?
- Exatamente. – Mitkov conseguiu seguir o raciocínio dela. Foi um pensamento militarista e guerreiro. As únicas crianças que pensam assim são as doutrinadas pelos Holopainen.
Pouco depois de uma explicação detalhada sobre os erros mais comuns, parte da aula que Mitkov passou revisando o resto do livro, todos foram liberados. Ao sair da sala Vanessa caminha ao lado de Mitkov, sua amiga se juntando a eles pouco depois. Vanessa dá um tapa na nuca de Mitkov dizendo “exibido”. Mitkov ajuda as garotas com seu material até o salão de jantar onde o almoço seria servido. Ele vai até a mesa da Grifinória deixar o material ao lado das cadeiras que elas iriam se sentar. As duas agradecem enquanto ele volta para a mesa da Sonserina, sob olhares reprovadores das duas mesas.
Ignorando os comentários depreciativos, ele começa a almoçar, tratando com muita educação a garota que insistia em puxar assunto. Mitkov reparara que era a mesma que se sentara ao seu lado na aula de Poções antes da professora separar os integrantes da casa.
Logo que termina de almoçar, Mitkov se levanta e pede licença para se retirar, sendo seguido pela garota que deixa um pouco de comida no prato e começa a caminhar ao seu lado.
- Meu nome é Aurora. – Ela era um pouco mais baixa que Mitkov. Tinha cabelo castanho claro e olhos cor de mel. Andava carregando uma mochila e alguns livros, que Mitkov tira delicadamente das mãos dela, passando a carregar.
- Interessante. Eu quero ser auror. – Era uma tentativa pífia de humor, mas era o melhor que ele conseguia. Sendo de humor nunca fora seu forte.
A garota sorri com o comentário e segue falando da família e da escola e da aula de poções. Eles chegam muito antes do horário da aula e Mitkov encontra a porta trancada. Ele pega a sua varinha e dá um toque na porta, murmurando “alohomora”, o que faz a porta se destrancar e abrir. A garota sorri e os dois entram na sala. Mitkov se senta numa cadeira próxima à mesa do professor e saca o seu livro de Transfiguração. Abre-o e começa a revisar seus apontamentos.
- O seu livro é todo riscado. Você é pobre? – Ela parecia um pouco enojada com o estado do livro. Ele estava de fato muito riscado, mas era obviamente novo, já que não possuía nenhuma orelha ou folha amassada.
- Tenho dinheiro o suficiente. O livro é riscado porque eu escrevi nele. – Se ela não gostasse da resposta que se retirasse. Ele não tinha paciência com preconceitos contra pobres. Somente tinha preconceitos contra sangues-ruins. Ele era um Holopainen e já olhava com condescendência para as famílias puro sangue que não eram ligadas à família Holopainen, então os nascidos trouxas só eram melhores que os trouxas em si.
A garota se senta na cadeira próxima a de Mitkov deixando o lugar a seu lado vago, mas ainda perto. O menino supôs que ela ainda não havia decidido se ele era uma boa companhia ou não.
“Mestiça ignorante”, pensara o garoto, “qualquer pessoa que conhecesse um pouco das linhagens puras saberia que a família Holopainen nunca caíra em desgraça como os Wesley”.
Agora com a menina quieta, ele volta a revisar os apontamentos. Lê certas partes do livro. A menina o imitara, pegando o seu próprio livro, imaculadamente livre de anotações pessoais. Logo depois o professor chega. Era um homem que aparentava estar na casa dos trinta, mas diziam os boatos que era muito mais velho. Utilizava transfiguração avançadíssima para manter a aparência mais jovem. Dá um sorriso de dentes brilhantes e cumprimenta a todos dizendo seu nome: Proteus Polimorph. Era um conhecido metamorfomago. E era também um animago capaz de se transformar num corvo de penas cor de bronze. Diziam que também podia se transformar em outros animais. Era obcecado por transformações físicas desde a infância.
Mitkov pega o caderno de pesquisas pessoais e lê essas informações sobre o professor. Ele pesquisara sobre todos os professores da Escola. Só que não decorara tudo. Considerava a maioria deles inofensivos. Novamente faltando aproximadamente cinco minutos para as aulas, os outros alunos começam a chegar. O resto dos companheiros da Sonserina se agrupam de um lado da sala, enquanto os alunos da Lufa-Lufa se agrupam do outro lado. Pietro percebe Mitkov e se senta do lado dele.
Dá um tapinha amigável nas costas de Mitkov e se volta para o professor que iniciava uma palestra apaixonada sobre transfiguração. Ele se transforma em corvo e faz diversas transformações pessoais para ilustrar alguns pontos da palestra. Alguns alunos olham interessados até que o professor tem a infeliz idéia de apresentar gráficos e tabelas.
Aparentemente se esquecendo que estava com a primeira série vai mostrando gráficos cada vez mais complexos e possíveis resultados das mais complexas transfigurações conhecidas pelos bruxos atuais.
Mitkov olhava apaixonado para a aula. Ele nunca vira algo que tivesse tanta dificuldade para entender. Ele conseguia entender é claro. Mas precisaria de estudos mais aprofundados. Acabara de descobrir sua matéria preferida. Não que ele precisasse muito, mas ele queria simplesmente compreender. Pietro parecia completamente perdido na aula. Havia desistido há alguns minutos e olhava pela janela, apreciando a floresta ao longe.
Depois do professor passa quase duas horas falando, ele distribui fósforos para os alunos e deixa um diagrama no quadro negro, com instruções de que até o fim da aula, os alunos transfigurassem o palito em uma agulha. Seguindo quase fielmente o diagrama, Mitkov transfigura o palito e o mostra para o professor que fica impressionado com a velocidade de Mitkov. Ele testa a dureza do ferro e verifica o furo na agulha, testando tudo. Pouco depois dá um sorriso e diz que está quase perfeito.
O garoto olha embasbacado para o professor. Quase. Ele nunca conseguira um quase antes. Tinha certeza de que estava tudo certo.
- O que está errado professor?
O professor abre um sorriso e dá de ombros.
- Somente um maníaco como eu repararia isso. A densidade do ferro está um pouco acima do normal.
- Como?
- O ferro está mais denso. Mais pesado. Está mais resistente que o ferro normal. Você provavelmente transfigurou em aço. – e abriu um sorriso. – Você é como eu era. Sempre queria mais. Sempre queria ser o melhor. Você pretende conseguir? Quer marcar sua passagem como o melhor aluno da escola? O último a se destacar de tal forma foi aquele que se autodenominou Lorde.
Mitkov olhou para baixo. Ele precisava pensar. É claro que ele iria ser o melhor. Seria ainda maior que o temido Lorde das Trevas. Seria o maior auror de todos os tempos. Traria Ordem e Justiça. Exterminaria o Mal. Sua família nunca caíra. Ele não seria o primeiro. Tampouco o último.
Ele volta a sua mesa, onde Pietro já conseguira atear fogo a três fósforos e não transformara nada, a não ser madeira em cinzas. Mitkov dá um sorriso e começa a murmurar instruções. Ao fim da aula Pietro conseguira fazer o palito ficar prateado e levemente afilado em uma das pontas. Somente Mitkov conseguira transfigurar totalmente. Os alunos da Sonserina ressaltaram que ele era puro sangue e, portanto, recebia uma educação voltada para a magia. Também ignoravam o fato de que a alguns deles eram puros também e não conseguiram fazer nada além de incendiar fósforos.
Pietro segue ao lado de Mitkov, agradecido pela ajuda, mas ambos andavam quietos. Pietro só falava com quem perguntasse alguma coisa para ele, raramente iniciando uma conversa, já Mitkov não gostava de falar nada que não julgasse necessário. Fosse qual fosse seu objetivo.
Eles deveriam agora ir jantar e depois, passariam um tempo no salão comunal antes da aula de duelos. A qual Mitkov aguardava ansiosamente. Andando rapidamente, Mitkov chega relativamente cedo ao salão de jantar. Poucos alunos se encontravam no local. Pietro parou a seu lado, sem falar nada. Ambos se encaram, sem falar nada. Mitkov de costas para a porta e Pietro desviando o olhar toda a vez que percebia que o outro reparara em seu olhar. Pietro era muito alto e seus braços mostravam uma definição que Mitkov não conseguia com treinamentos desde a infância.
Eles ficaram algum tempo nesse impasse até que Mitkov é jogado para frente ante o impacto de Vanessa nas suas costas. Pietro segura os dois sem dificuldade, mantendo Mitkov em pé. Vanessa parecia muito feliz e ergueu a varinha sem falar nada. Murmurando “Lumus” ela faz a ponta da varinha se ascender e pergunta:
- E ai o que acham? – Ela estava radiante com o efeito de sua varinha.
- Muito legal. – Responde Pietro.
- Hum. – Responde o desinteressado Mitkov.
- Nhááá... Você nem se importou com o feitiço. – Vanessa parecia sentida com a falta de interesse e agora começara a bater a ponta da varinha no braço de Mitkov.
- É um feitiço simples que uma puro sangue como você já deveria conhecer. Não é nada impressionante.
A garota abaixa a cabeça entristecida e encosta a varinha dela no braço do menino sem retirar a ponta dessa vez. Inicia um murmúrio baixo e um frio sobrenatural começa a percorrer o braço do bruxo, que num impulso, desencosta a varinha da garota. O frio vai passando lentamente, deixando o braço dele dolorido com o frio.
- Impressionante. – Simples, mas a garota ficou muito mais animada, voltando à euforia habitual.
- O que vocês vão fazer depois da janta? Vamos estudar na biblioteca. – Vanessa sorria enquanto Mitkov se perguntava se a segunda frase fora uma pergunta ou uma intimação.
Concordando com a cabeça, Pietro vai para a mesa amarela e preta, e Mitkov se vira sem responder, indo para a mesa verde e prata. Vanessa corre para a mesa vermelho e dourado, buscando sua amiga que ficara para trás quando ele correu para os garotos. Mitkov se senta à mesa e coloca um pouco de comida no prato. Separa também um pouco de doce. Come sua comida sem pressa, seus olhos buscando os companheiros de estudo nas mesas distantes.
Assim que acaba, ele se levanta e sai da mesa, sendo seguido por Aurora que para a seu lado e pergunta o que ele pretende fazer agora.
- Vou estudar na biblioteca. Até a aula de Duelos.
- Posso ir também?
- Por mim. – curto e grosso. Ainda não tinha decidido se ela era uma boa companhia. Por mais que a garota aparentemente houvesse decidido isso mais cedo que ele.
- Vamos então... – Ela fez uma careta com a resposta dele, mas parecia disposta a tolerar um pouco de falta de educação.
- Faltam algumas pessoas... Não foi idéia minha estudar agora, por mais que eu iria com ou sem idéias alheias... – Mitkov usava um tom de voz mais carinhoso, quase como se pedisse desculpas pela falta de educação.
Pouco depois, Vanessa chega com a amiga do trem e disfarça uma careta ao perceber a sonserina ao lado de Mitkov. Ela cumprimenta o garoto, ignorando a menina e começa a conversar com sua amiga, incluindo Mitkov na conversa, mas deixando a outra menina excluída.
Mitkov percebe claramente isso, então passa a ignorar Vanessa e conversar exclusivamente com a sonserina, deixando Vanessa levemente irritada. Pouco depois, Pietro chega e todos vão para a biblioteca. No meio do caminho, Pietro percebe algo estranho na conversa e tenta, em vão unificar a conversa. Ao chegar na biblioteca, ele já havia desistido e andava calado, no meio das duplas. Ao chegarem, eles percebem diversas mesas cheias, mas Mitkov, que já havia passado na biblioteca de manhã guia Aurora e Pietro para uma mesa no fundo, sendo seguido por Vanessa e sua amiga.
Ao sentarem-se na mesa, o sonserino prontamente abre um de seus livros e começa a revisar furiosamente seus apontamentos. Com anos de leitura, ele vira as folhas rápido o suficiente para pensarem que ele estava somente apreciando as figuras.
Aurora pega o livro de transfiguração e começa a tentar entender o assunto. Ao terminar de rever os apontamentos de um livro, Mitkov se inclina para Aurora e começa a murmurar explicações rápidas sobre as passagens mais difíceis no ouvido da menina. Vanessa, que estava com o livro de Defesa Contra as Artes das Trevas aberto, fica levemente ruborizada e começa a conversar aos cochichos com sua amiga. Pietro pede ajuda a Mitkov pouco depois dele começar a ensinar para Aurora. Mitkov então se inclina para ele e diz instruções um pouco mais distante de Pietro do que estava com Aurora. Pietro tinha mais dificuldades que a garota, mas não era nada demais para o sonserino.
As duas grifinórias, já haviam parado de estudar e simplesmente conversavam baixo, os olhos nem mesmo buscando o livro aberto sob seus braços. Nesse ponto Mitkov já havia ajudado Pietro até ele chegar nas dúvidas de Aurora e começara a explicar a matéria para os dois com a voz um pouco mais alta.
Quando Pietro agradece e fecha o livro, Mitkov se inclina novamente para Aurora, mas é interrompido por Vanessa que o lembra do horário da aula de Duelos.
Fechando os livros, o grupo começa a descer para o salão onde a aula ocorreria.

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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 6 Demonheart

Mensagem  Radamael em Qua 28 Jul 2010, 13:22

O grupo consegue chegar na aula pouco antes do início. Vários alunos de diversas séries estavam lá. Essa era uma aula opcional e extracurricular, sendo assim a maioria dos alunos preferia ter mais tempo livre ou adiantar os trabalhos para casa.
O professor de Feitiços estava em cima de um longo tablado de madeira, junto a ele estavam alguns outros professores como o de DCAT e a de Poções, por mais que esta estivesse ali excepcionalmente.
Os professores começam uma breve palestra sobre os benefícios da aula e, pouco depois pedem dois voluntários da segunda série. O duelo termina rapidamente, com o aluno da grifinória desarmando o da Lufa-Lufa. Eles dizem ainda que foi iniciado a dois anos um torneio entre as séries. Cada ano que conquistasse a vitória receberia vinte pontos para sua casa, mais cinco para cada luta vencida. Explicam rapidamente as regras e depois, pedem dois voluntários. Mitkov ergue o braço, junto com alguns outros alunos da primeira série.
O professor de Feitiços vai direto nele, o selecionando como representante da Sonserina. Vanessa é escolhida como representante da Grifinória, Pietro como o da Lufa-Lufa e uma garota como representante da Corvinal. Quando a garota se levanta, Mitkov reconhece a garota como a menina do barco, que não tirava os olhos dele. Ao se levantar a garota volta a encara-lo. Os professores sorteiam rapidamente entre os quatro e Mitkov cai com Pietro na segunda luta, enquanto Vanessa vai enfrentar a oriental.
A primeira luta, a de Vanessa, termina muito rápido. Vanessa se mostra incapaz de acertar a garota que esquiva com agilidade de todos os feitiços lançados contra ela. Até que a menina consegue fazer Vanessa cair do palanque com um Feitiço das Pernas Bambas.
Logo depois, Mitkov pula no palanque sendo seguido por Pietro. Ambos sorriem e se apresentam. Sem uma palavra, Mitkov tenta o feitiço das pernas bambas, mas a rajada de luz resvala no peito de Pietro. O lufo tenta um feitiço que é facilmente bloqueado por Mitkov. Outro feitiço voa da varinha de Mitkov sem que ele fale nada, mas novamente o feitiço desvia depois de acertar o corpo do lufo. Mais um feitiço bloqueado e Mitkov grita “Expelliarmus”, fazendo com que o adversário caia para trás, saindo do palanque e a varinha voando na direção de Mitkov, que a segura.
O sonserino corre, pulando o palanque para ajudar o lufo a se levantar.
Depois de um curto intervalo, Vanessa e Pietro duelam e Pietro perde, tendo seus pés congelados por Vanessa com um feitiço desconhecido. Depois, uma rajada de neve faz com que Pietro caia no chão e sua varinha saia de sua mão, caindo entre as pessoas que assistiam.
A oriental pula no estrado de madeira, sendo seguida por Mitkov. Ela trazia um sorriso frio no rosto e olhava Mitkov atenta. Ambos se curvam lentamente, as varinhas em punho. Ela trazia a outra mão atrás do corpo, oculta, e ele deixava a dele como se utilizasse outra coisa na mão esquerda. A maioria dos alunos prestava atenção ao duelo, afinal os dois demonstraram muita perícia em combate nos duelos anteriores. O professor sai do estrado, dando início ao duelo. Os dois simplesmente endireitam a posição se encarando. Mitkov arrisca um feitiço, mas ela esquiva com facilidade. Cai agachada, um feitiço saindo de sua varinha e sendo facilmente bloqueado por Mitkov.
Uma rápida troca de feitiços começou, mas todo o feitiço que ele lançava era esquivado e todos os que ela lançava eram habilmente bloqueados. A vantagem dele estava no fato de ela ter que falar o nome do feitiço, o que dava tempo para ele bloqueá-lo, mas ela esquivava com facilidade de todos os feitiços dele. Quase como se soubesse o que iria acontecer. Com um sorriso, Mitkov lança um feitiço num espelho atrás dela, mas mesmo de costas, ela desvia com facilidade. Mitkov se fecha em um enlevo defensivo, para ter tempo de pensar. Seu corpo defendia e esquivava quase sem perceber.
Então ele começa a recitar uma cantiga e fazer gestos com a varinha e com as mãos. Uma fumaça começa a sair de sua varinha e se concentrar na outra mão. A garota, trás à mostra a mão oculta na roupa, mostrando uma adaga sai. O professor interrompe a luta no momento em que a adaga se mostra. Que também é o momento em que uma espada cinzenta toma forma nas mãos de Mitkov.
- Sem armas! Isso é proibido na Escola. – frente ao comentário do professor a garota simplesmente aponta para Mitkov que portava uma espada em uma mão e uma varinha na outra. – É diferente, ele invocou com magia e aquilo é feito de fumaça. Não causará ferimentos sérios. – Com um suspiro a garota coloca a adaga no chão e a chuta para o professor que pega e deixa, a contragosto o duelo continuar.
O sonserino avança calmamente, o peso confortável da espada feita de magia o deixando calmo. Mesmo que ela fosse uma adivinha tão boa quanto aparentava, o combate com espadas era diferente. Cada resposta dependia do oponente. Ela não poderia adivinha muito longe, o que diminuiria sensivelmente a vantagem dela.
A garota se afastava lentamente, desviando dos eventuais feitiços que o rapaz invocava. Ao chegar no fim do estrado, ela olha rapidamente para trás. A oportunidade que Mitkov esperava. Avançando com os passos treinados do Estilo Holopan, ele dá um golpe que, estranhamente, atinge o ar onde a corvinal estava há pouco. No momento ela estava no meio de um estranho mortal sem impulso indo para as costas de Mitkov que rapidamente golpeia o lugar onde ela deveria estar. Mas não estava. Era impossível pular sem ter apoio para os pés, mas ela o fizera. Ela pulara para longe do golpe de Mitkov pulando novamente, ainda mais para trás.
O garoto respira, sua concentração quebrada pela surpresa. Esse combate já devia ter terminado. A menina cai graciosamente, fazendo um movimento com a cabeça para ajeitar o longo cabelo negro. Com um sorriso ela encara Mitkov. Dois feitiços, duas esquivas. Ele está perto novamente. Outro golpe e ela desvia até que um dos golpes ela bloqueia com a mão. Mitkov olha pasmo para aquilo e percebe que sua espada parou a uma distância curta da mão dela, nem mesmo chegando a tocá-la. Ele olha para a garota pasmo, e ela faz um gesto com a mão. Subitamente, Mitkov é lançado a vários metros de onde estava, se segurando para não cair do tablado.
Ele se levanta, olhando para a garota. Ela não usara a varinha. E o lançara longe. Algo estranho estava acontecendo. Mitkov tenta descobrir o que estava acontecendo, mas sua mente não conseguia associar a nada. Nenhum dom. Nenhuma magia. Nada.
A espada voltou a funcionar, bloqueando um feitiço da corvinal. Ele volta a avança, golpe após golpe, esquiva após esquiva. Alguns bloqueios estranhos onde a espada parava perto do corpo da garota sem toca-la. Até que Mitkov, em combate corpo a corpo fechado com a garota, solta a espada, que se desfaz no ar, e a segura pelo pulso, puxando-a para fora do estrado. Ele consegue cair por cima da garota, a varinha quase tocando o rosto da menina. Ela olhava para ele desafiadora, como se duvidasse da coragem dele em atacar um oponente dessa forma.
- Dez pontos para a Sonserina e cinco para a Corvinal. Um excelente duelo! Muito bom mesmo. Parabéns para o senhor Holopainen, não esperava menos do senhor. E a senhorita Lee foi de fato surpreendente. Apesar de portar armas. A propósito, nós vamos conversar sobre isso mais tarde.
A oriental se volta para o professor, saindo de baixo de Mitkov sem muitos problemas, já que o sonserino facilitou a saída quando foi declarado vencedor.
- Verifique a adaga. Não tem fio. Funciona somente como fator de intimidação. Ela e um pedaço de pau são praticamente a mesma coisa. – a voz da garota era fria. Mas muito bela. Tinha um tom que fazia com que ela parecesse sem sentimentos. Então ela vira as costas e sai. Sem falar mais nada.
Os alunos começaram a rarear depois do duelo. Vários deles cumprimentavam Mitkov, principalmente os da Sonserina. Dois garotos se despedem dele prometendo festa no quarto. Vanessa se aproxima dele e, num salto, o abraça, dando os parabéns pela vitória. Pietro também dá os parabéns e recebe um olhar desconfiado de Mitkov como resposta. O sonserino ainda estava encucado com a resistência do lufo a seus feitiços.
Mitkov vê Aurora se afastando logo depois de Vanessa chegar perto. Ele não conseguia compreender o por que do comportamento das duas. Provavelmente era a antiga rivalidade entre as casas. Logo depois que a sonserina se afasta, Vanessa o solta, fato que não passa despercebido pelo garoto. Pietro se despede e sobe, indo para o seu salão comunal com a amiga de Vanessa que se despede de longe.
A grifinória também se despede e sobe correndo, rumo à Torre. Mitkov então se volta para um dos caminhos que levava às masmorras e anda tranqüilamente até o Salão Comunal da Sonserina. Ao chegar, ele entra e, estando cedo, pega os livros que utilizaria no dia seguinte e começa a estudar, numa mesa afastada. A mesa estava vazia por estar longe de qualquer uma das lareiras, o que a tornava fria e úmida, mesmo no verão. Lá ele sentou em busca de paz e tranqüilidade. Pega um pequeno frasco de vidro e invoca uma pequena chama branca dentro do franco, fechando-o depois. Com um gesto de varinha, faz diversos furos para deixar o ar entrar. Invocar fogo sagrado era útil em diversas ocasiões.
Abrindo o livro de Herbologia ele procura analisar as diversas plantas. Ele havia conseguido fotos de todas as plantas do livro. Em sua casa mantinha também uma estufa para alguns espécimes vivos. Essa era uma matéria muito prática e era uma das que ele menos gostava. Também não gostava de História da Magia, que era muito teórica. Ele apreciava as matérias que atingiam um equilíbrio entre prática e teoria. Poções, Transfiguração, Feitiços e Defesa contra as Artes das Trevas. Ironicamente o essencial para se tornar um auror.
Ele estuda o livro de Herbologia e logo depois, Aurora senta na cadeira a seu lado. Em silêncio, abre um livro. Mitkov olha o relógio e começa uma contagem mental dos segundos. Nos exatos quarenta e cinco segundos ela começa a falar.
- Por quê que você anda com aquela grifinória, e com o lufo? – ela olhava para ele, aparentemente sem reparar que o livro estava aberto justamente numa página em branco. Mitkov lentamente fecha o seu livro e olha nos olhos da menina. Seu comportamento não era difícil de prever. E ele mal a conhecia.
- Eu a conheci no Beco Diagonal. Desde então nos falamos. O outro eu encontrei no trem. E desde então anda com Vanessa. Ele só se sentou a meu lado porque sabe que Vanessa fica próximo de mim e uma amiga da mesma foi para a Lufa-Lufa. – ele para por um momento. Fora uma explicação completa. Era o que ela precisava saber e o que ele conhecia.
- Amanhã você sabe com quem você vai sentar?
- Não. Por que?
- Posso sentar com você? – Mitkov ficou impressionado. Pensou que fosse demorar mais. Talvez ela houvesse finalmente reparado que os “rabiscos” nos seus livros eram feitos com a caligrafia dele. Que eram anotações que facilitavam o entendimento da matéria. Ele deixaria que ela sentasse e desfrutasse de suas anotações.
- Claro que pode. Estou estudando agora... Se quiser... – Mitkov estende a mão mostrando uma cadeira vazia e volta os olhos para o livro.
A leitura de História da Magia era extremamente chata. Exceto as partes de guerras e revoltas. Sua família foi mencionada várias vezes durante as Revoltas dos Duendes. Pouco depois Aurora se senta na cadeira para estudar também, desta vez com um dos livros da escola. Quanto deu nove horas, Mitkov se retira para ir tomar banho e dormir.
No dia seguinte, ele acorda na mesma hora e faz os exercícios habituais. Toma banho e vai para o café. Ele precisava achar uma academia no Castelo. Os exercícios acabavam ficando muito simples. Mas mesmo assim ele os fazia. E corria pelo castelo. No melhor estilo Parkou.
Durante o café da manhã, Aurora senta do seu lado e eles passam o tempo conversando. Logo depois, começam a ir para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, Vanessa nem mesmo chega perto, somente acena de longe quando Aurora olhava para o outro lado. Pietro passa por perto e dá uma tapinha nas costas de Mitkov. O que quase faz com que o rapaz caia.
Ao chegar na sala de aula, o professor já se encontrava lá. Seu rosto tinha muitas cicatrizes e seu cabelo vermelho crescia comprido. A roupa preta, mesmo larga, mostrava um corpo bem constituído. Ele calçava botas de couro e um cinto com uma fivela prateada. Quando os dois entram o professor os encara e abre um sorriso amigável. Pelo menos deveria, mas as cicatrizes fazem o rosto se contorcer de forma estranha. Aurora devolve o sorriso e olha para o outro lado. Mitkov retribui o sorriso com sinceridade.
Logo depois eles se sentam numa das mesas e Mitkov novamente abre seus livros para ler seus apontamentos. Aurora resolve olhar os rabiscos finalmente percebe a caligrafia pequena de Mitkov. O livro estava recheado com observações e apontamentos. DCAT era a matéria preferida de Mitkov.
Os outros alunos começam a chegar e quando todos se sentam o professor começa a remanejar os alunos. Ele coloca alunos de casas opostas na mesa. Nunca um de mesma casa. No fim ele coloca a garota oriental do lado do sonserino.
- Vocês irão fazer uma bela dupla. – e começa a aula. Ele faz rapidamente um discurso sobre as utilidades da DCAT e logo depois dá uma passagem rápida sobre o que eles estudarão durante o ano. Ao terminar, inicia o assunto propriamente dito e perto do fim da aula, mostra uma gaiola com uma pequena criatura. Ele informa aos alunos que eles irão enfrentar a criatura, o que deixa os alunos em polvorosa. Com um estalo da varinha o professor restitui o silêncio. Ele diz a todos para que estudem a criatura e se preparem adequadamente.
E assim ele termina a aula. Os alunos saem da aula conversando alto sobre o assustador professor de DCAT e sobre o que iriam fazer na aula seguinte. Todos começam a descer para o almoço e Mitkov para na porta para esperar Aurora coisa que aparentemente ele fez certo, pois a mesma foi para o seu lado assim que o viu, acenando para um garoto se juntar a eles. Ela e o garoto vão conversando por todo o caminho enquanto o sonserino passa mentalmente o livro de DCAT. Ao chegarem no Salão Principal, o garoto se despede de Aurora e corre para a mesa da Corvinal. Mitkov e Aurora se sentam um do lado do outro e Mitkov come enquanto Aurora fala sobre a aula.
Quando o rapaz termina de almoçar ele se dirige para as estufas. As aulas de Herbologia eram comuns a todas as Casas. Então ele provavelmente seria arrastado para sentar em algum lugar. Para deixar justo, ele vai antes. Ao sair do castelo, o sol quente do verão lhe queima o rosto branco e ele pisca, ofuscado pela luz repentina.
Aurora o alcança pouco depois. Mitkov sorri levemente ao pensar na reação de Vanessa. Ao chegar nas estufas, os sonserinos encontram a porta trancada, então se sentam no chão. Mitkov deita na grama enquanto Aurora bufa ao perceber a aproximação de um grupo de alunos da Grifinória. Vanessa olha para a dupla e se senta ao lado do garoto, puxando sua amiga com ela. Aurora ignora as grifinórias que parecem ignorar a garota em resposta.
O local começa a ficar mais movimentado, o que começa a irritar Mitkov. Isso e o fato das duas garotas tentarem o incluir em conversas distintas. Ao notar a aproximação dos lufos, Mitkov se levanta e sai, dizendo que precisava falar com Pietro. Ele passa o grupo dos lufos e vê ao longe os corvinais chegando. Ele se senta do lado da primeira estufa, oculto do sol que começava a incomodá-lo e oculto das garotas, que o incomodavam sempre que estavam juntas.
Ele vê a professora saindo de trás da estufa graças à sua posição privilegiada e se levanta, indo para a porta. Assim que a porta é aberta, Mitkov entra, escolhendo um local longe da mesa da professora. Ele não gostava de Herbologia. Considerava quase inútil. Só servia como base para Poções e nessa matéria ele já se julgava bom o suficiente.
Perto dele sentaram Vanessa, Aurora e Pietro, que sorrira ao percebê-los juntos. Para a surpresa de Mitkov, a garota oriental se sentou na sua frente, impedindo que a amiga de Vanessa sentasse perto dela. A garota olha para Vanessa, que conseguira sentar do lado de Mitkov, Aurora sentada do outro, e a chama para que ela se sentasse perto dela e da outra amiga que fora para a Lufa-Lufa. Vanessa olha para as duas e se levanta, mas os lugares são ocupados antes que ela fosse. Sentando-se novamente, ela olha para Mitkov e segura uma das mãos dele. A outra e agarrada por Aurora.
A professora inicia rapidamente a aula e logo depois os separa em grupos de cinco ao redor de grandes vasos. Os cincos se unem num dos vasos, a oriental não falara nada até o momento enquanto Pietro tentava unir Aurora e Vanessa numa conversa, falhando miseravelmente. A aula segue sem incidentes e ao final da aula, a oriental o segura pelo braço. Ele para e diz para os outros seguirem sem ele.
- Por que você é diferente? – a voz dela era carregada de um sotaque forte. Mas ela falava num tom de voz muito baixo.
- Diferente de que forma? Você é que é estranha. Nunca vi ninguém aparar meus golpes sem tocar na espada e sem recitar feitiços. – De fato aquilo intrigara Mitkov e ele ainda não conseguira entender o que acontecera no duelo. Ele ganhara é claro, mas ainda assim sentiu algo estranho sobre o oponente.
- Eu conheço as pessoas. Minha mente é diferente. A sua também. Eu não te conheço. – Ela falava por enigmas. Não era clara. O garoto detestava esse tipo de gente. Nunca gostara de jogos de adivinhação.
- Se você não me conhece, ande comigo e tente conhecer. Minha cabeça não é um livro que você pode abrir e ler para me conhecer. E não precisa se esforçar para falar inglês que eu falo o seu idioma. – a última frase fora num japonês perfeito e sem sotaque. O Dom das Línguas era de fato muito útil.
A garota sorri e começa a andar, sendo acompanhada por Mitkov. O sol caía e a aula fora cansativa. Ele ia jantar e depois ia estudar. A corvinal pede para estudarem juntos depois da janta e ele sorri como resposta. Marcam o encontro na biblioteca e vão para suas respectivas mesas.
Meia hora depois, se encontram e iniciam um estudo rápido. A garota diz que se chama Masako Lee e eles conversam rapidamente em japonês, o que desagrada muito Aurora e Vanessa, que estavam estudando com os dois. Pietro sorri e conversa baixo com as duas. Aparentemente ele estava tentando fazer com que as duas relevassem a rivalidade boba que existia entre as casas.
Com todos os trabalhos prontos, o grupo se levanta e se despede. Mitkov havia encontrado alguém com uma mente quase tão brilhante quanto a sua. A corvinal era muito inteligente e parecia encara tudo de muitos modos diferentes. Mitkov não conseguia acompanhar seu raciocínio e era a primeira pessoa que ele não fazia isso. Ela parecia ter muitos raciocínios ao mesmo tempo.
Ao chegar no seu alojamento, ele percebe três outros garotos juntos num canto. Ao entrar, eles se viram e encaram Mitkov. Estavam cozinhando alguma coisa e o que estava no meio tinha um ar traquinas no rosto. Os outros dois era gêmeos. Raphael e Richard. O do meio tinha como nome Uther e parecia que ia aprontar alguma coisa. Ignorando isso, Mitkov vai para o banheiro e toma banho calmamente, dando tempo aos três para terminarem o que quer que estivessem fazendo. Logo depois ele se volta para o quarto. Os três não estavam mais lá. Ele se deita em sua cama e adormece. Iria levantar cedo no dia seguinte para treinar, como sempre fazia.
Os dias transcorrem calmamente, os deveres exigidos aumentavam, mas Mitkov estava sempre um pouco à frente da turma. Ele havia começado a estudar as matérias da segunda série. Pedira a sua mãe que comprasse os livros e uma semana depois, eles chegaram. O grupo estava cada vez mais unido, Masako até mesmo falava com Vanessa e Pietro. Aurora só ficava com o grupo quando Vanessa não estava e a grifinória evitava se aproximar se Aurora estivesse perto.
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 7 – Master Passion Greed

Mensagem  Radamael em Qua 28 Jul 2010, 13:25

O Dia das Bruxas chegara rápido. Mitkov já se destacava como o segundo melhor aluno da primeira série. Suas notas só estavam abaixo das notas de Masako. Seus trabalhos eram sempre completos. Ela só perdia nas partes práticas. O que deixava um tênue equilíbrio entre os dois.
O dia começara como sempre: Mitkov fazia seus exercícios matinais pelo castelo. Agora ele era acompanhado por Masako que era ainda mais ágil que ele, embora mais fraca fisicamente. Depois do café, ele volta para o Salão Comunal e começa a estudar na cama. Subitamente ele se lembra: seu violino. Há meses ele não tocava. Na verdade desde que ele chegara na escola. Simplesmente esquecera do presente da mãe. Um Stratovarius não deveria ficar parado. Ele acha o violino na mala e começa a tocar uma rápida melodia.
A melodia vai crescendo em força e ele começa a tocar uma sinfonia simples. Pouco depois ele ouve uma segunda melodia acompanhando a sua. Ele para de tocar e pouco depois o som para também. Ele reinicia a música e com um leve intervalo, a outra melodia se inicia. Mitkov se levanta da cama e anda até a porta. A música dá um rápido intervalo quando ele abre a porta, mas volta logo que sua mão estava livre novamente. A outra melodia não é interrompida, mas hesita por um momento.
Ele sobe as escadas em direção ao Salão Comunal e o som vai ficando mais forte. Quando ele entra no frio salão vê uma garota tocando violino e olhando para ele. Ela sorria levemente enquanto ele se aproximava. As músicas se complementavam numa harmonia belíssima. Eles estavam parados um em frente ao outro. O resto do Salão os observava. Não eram muitas pessoas, pois a maioria ou estava dormindo até tarde ou havia aproveitado um dos últimos dias de calor do ano e estavam nos jardins ou no lago.
A garota abre um pouco mais o sorriso e pára a melodia. Logo depois inicia uma um pouco mais complexa. Mitkov dá um de seus raros sorrisos sinceros e passa suavemente para uma melodia muito mais difícil do que a da garota. E eles começam a competir. Ambos complementam a melodia do adversário, mas tentando mostrar superioridade.
As músicas começam a se tornar assustadoramente complexas e rápidas. Mitkov estava começando a suar levemente, mas percebia que o braço de sua adversária estava tendo dificuldade em manter o ritmo. Erguendo uma sobrancelha, ele aumenta ainda mais o ritmo. A garota consegue começar a aumentar o ritmo, mas uma das cordas do violino subitamente se rompe e atinge o rosto da garota. O sangramento começa imediatamente. As duas músicas param ao mesmo tempo em que a garota dá um grito de dor e susto. O violino da menina cai no chão, rachando o corpo e quebrando o braço do instrumento. O de Mitkov é posto no chão de forma abrupta, mas com o mínimo de cuidado necessário. O sonserino se aproxima rapidamente, no momento em que quase todos do salão cediam ao impulso sonserino de se manter longe de qualquer “cena do crime”. Alguns ficam, mas começam a rir da situação. Mitkov puxa sua varinha e, com um rápido feitiço, estanca o sangramento.
Ele a apóia e começa a carregá-la para fora do Salão. Os outros alunos perdem o interesse e voltam para seus lugares. O rapaz a auxilia a ir até a enfermaria. Ela indicava o caminho e ele sustentava uma parte do peso dela. O corte não parecia tão grave sem o sangue escorrendo, mas as vestes da garota mostravam o quanto um corte no rosto sangra. Ao chegarem na porta branca que marcava a enfermaria, eles abrem a porta e Mitkov produz um rápido estalo com a varinha. A enfermeira, uma bruxa na casa dos quarenta anos, aparece prontamente antes mesmo do chamado de Mitkov.
Ela olha para a garota e ministra uma poção esverdeada com cheiro de hortelã. Pouco depois o ferimento fecha completamente.
- Nunca vi um ferimento dessa magnitude no rosto não sangrar. – Ela olhava para os dois com um ar inquisidor. Mitkov se move incomodamente, mas responde.
- Eu fiz um pequeno feitiço para estancar o sangramento. Estava sangrando muito. Foi um corte causado pela corda de um violino. – a enfermeira olhava para ele e deu um leve sorriso.
- Isso é muito impressionante para uma pessoa da sua idade. Mesmo que seja somente estancar o sangramento. Você quer ser curandeiro quando se formar?
- Não. – a enfermeira parecia desconcertada com a resposta pronta. – Vou ser Auror. – Logo depois, chega mais um aluno, desta vez com dentes muito grandes. A enfermeira corre para atende-lo. Ela pega uma espécie de lixa e começa a lixar os dentes do garoto, tentando faze-los voltar ao normal.
A garota que havia tocado com ele o encarava. Ela possuía cabelos castanhos compridos e olhos amendoados cor de mel. Esses olhos agora estavam fixados em Mitkov que fingia não reparar, olhando para a enfermeira lixando os dentes do rapaz que entrara.
- Meu nome é Alleria Omen. Pode me chamar de Alleria. Obrigada por me socorrer.
- De nada. Não fiz mais do que a minha obrigação. – Ele agora olhava para a garota, os olhos cor de mel dela olhavam fundo nos olhos negros dele. Quase como se tentasse desvendar o que se passava na mente de Mitkov.
- Não era sua obrigação. A maioria correu para longe. Você ficou para ajudar.
- Eu te fiz exigir mais do que o violino agüentava. A culpa foi minha. – logo depois, Mitkov se despede e, dando a desculpa de que precisava estudar, foi até o corujal.
Ele passou por diversos alunos, Pietro até mesmo o acompanhou por uma parte do trajeto, mas ele tinha que ir para a biblioteca. Pouco depois, Mitkov sente o vento quente batendo em seu rosto. Ele sobe a escadaria em espiral, rumo ao corujal e, ao entrar, é recebido por um falcão que bate asas na frente de Mitkov, até que ele estenda o braço direito para que o pássaro pouse.
O peso do pássaro nem mesmo chegava a ser incomodo e o falcão apertava levemente o braço do dono com as garras. Fazia pouco tempo que ele não vinha aqui. Na última semana ele mandara uma carta para sua mãe. E iria faze-lo novamente. Ele pega seu caderno no bolso e rasga uma folha. No corujal, ele pega uma caneta e escreve uma rápida carta para sua mãe.

“Mãe, ocorreu um pequeno imprevisto musical. Estava tocando violino com uma amiga e uma das cordas do violino dela arrebentou por minha culpa o que ocasionou sua queda e conseqüente quebra. Gostaria que a senhora me enviasse um outro violino para que eu possa repor aquele que quebrei.
Com amor,
Mitkov”
O rapaz relê o bilhete várias vezes e não percebe nenhum erro. Depois ele guarda o bilhete num envelope e o amarra na pata do falcão. O animal olha para ele como se falasse que iria voltar rápido e bate as asas, se afastando muito rapidamente. O sonserino volta para dentro do castelo e encontra Masako na escada.
- Estava procurando você. Preciso te mostrar uma coisa. – e começa fazer o caminho de volta para o coração do castelo. Mitkov a segue e ela faz um intricado caminho pelo castelo até que chega num corredor e dá a volta. Passa três vezes pelo corredor, Mitkov em seu encalço, até que aparece uma porta onde antes só havia parede nua. Com um sorriso nos lábios, Masako abre a porta e dentro estava uma academia.
A mais completa academia que Mitkov já vira na vida. Masako entrara e olhava para a expressão fascinada de Mitkov. Ele rapidamente dá uma volta pelo local. Havia espelhos em todas as paredes. Todos os aparelhos que o sonserino já vira estavam ali, e alguns que ele nunca havia visto. Num canto, havia um tatame e várias espadas dispostas de forma organizada. Havia bonecos para treinamento de artes marciais, havia sacos de areia. Todo o aparato necessário para treinamentos diversos estava em algum lugar da sala. E dentro de um armário no canto havia mais coisas.
- Que sala é essa? Como você achou isso? – Mitkov falava, mas não olhava para Masako, estava distraído olhando para os aparelhos que não conhecia.
- O nome é Sala Precisa. Um dos seus elfos me contou sobre ela e eu resolvi ver.
- Eu havia pedido para eles acharem um lugar para fazer exercícios, mas nunca imaginava que eles iriam achar algo dessa magnitude.
Masako sorri e depois puxa Mitkov para fora da sala. Ao fechar a porta, a mesma lentamente some, deixando somente a parede áspera em seu lugar.
- Como eu faço para entrar?
- Passe por esse corredor três vezes pensando na academia. – E sorrindo, Masako se despede e vai para a biblioteca. Mitkov a observa indo e pensa sobre o quanto ela mudara. Falava mais e estava perdendo a dificuldade com o inglês. Mas ainda o observava de um modo estranho eventualmente. E outras vezes sorria sozinha. Uma vez riu antes de Pietro contar uma piada. Quase como se houvesse lido seus pensamentos.
Ignorando suas teorias conspiratórias sobre Masako ler mentes, ele volta para o salão comunal da Sonserina. Sua mente divaga indo de Masako legilimens a Pietro sendo um meio-gigante anão, passando por Vanessa que tinha algo estranho, mas ele não sabia o que.
Ao chegar no salão ele volta para seu quarto, abre um livro e começa a ler. Era um livro um tanto quanto avançado. Era leitura extracurricular recomendada à segunda série, mas ele já havia lido todos os livros da primeira série e estava avançado na matéria da segunda então estava nos extras.
O restante do dia passa tranqüilamente. Uther tenta tirá-lo dos estudos várias vezes, chamando-o para irem ao lago, mas Mitkov prefere estudar. Ele tinha que estudar, por mais que fosse a matéria da segunda série. Seu pai lhe ensinara que sem sacrifício não havia glória.
A noite chegara rapidamente, todos começavam a se arrumar, buscando fantasias ou outras roupas atípicas. Mitkov para de estudar e resolve se arrumar. Toma um banho demorado e vai se vestir. Veste a roupa que usava para treinar luta com espadas pelo castelo. Ele sorria enquanto pensava que finalmente teria um lugar descente para treinar. Coloca a espada de madeira na cintura e quando estava saindo, Uther, Raphael e Richard chegam e pedem para ele esperar um pouco.
O sonserino se senta na sua cama e aguarda enquanto os três tomam um banho rápido. Pouco depois eles voltam, Raphael e Richard aproveitavam o fato de serem gêmeos idênticos e vestiam roupas trouxas iguais. Uther vestia o uniforme normal do colégio. Frente ao olhar inquisidor de Mitkov eles falam:
- Eu vou de Raphael. – ele supôs que fosse Richard.
- Eu vou de Richard – ele supôs que fosse Raphael.
- Eu vou de bruxo aluno da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Aposto que serei o único com essa fantasia. – e ria da própria piada.
Os quatro saem do quarto juntos e passam pelo salão comunal. O salão estava esvaziando rapidamente, todos iam para o baile. Quando eles estavam na porta, eles ouvem a voz de Aurora. Ela e mais algumas garotas subiam as escadas dos alojamentos. Os grupos se cumprimentam e eles saem juntos do salão. Aurora estava vestida de princesa e Mitkov ignorava as outras. Elas nunca haviam falado com ele sem querer alguma explicação e ele nunca se interessara em descobrir nomes ou decorar rostos.
O grupo sonserino esta andando, indo em direção ao Salão Principal, onde a escola já estava quase toda reunida quando um monte de penas entra na frente de Mitkov que liderava o grupo. Todos param tentando ver o que era, duas garotas se esconderam atrás de seus pares. A iluminação não ajudava a identificar o que era. Mitkov saca sua varinha e a ponta brilha forte, revelando o animal.
Kaledfwitch voava a sua frente, carregando um pesado pardo. A ave parecia impaciente, mas se mantinha no ar um pouco acima de Mitkov. O garoto pega o fardo do pássaro e o animal voa apressado, saindo por uma janela próxima rumo à escuridão da noite. Ou mais provavelmente para o corujal, dormir. Refeitos do susto, o grupo recomeça a andar rumo à festa no Salão Principal. Na porta do salão, onde o barulho já estava muito alto, Mitkov se despede dos amigos.
- Tenho que ir na enfermaria. – foi a justificativa dada. O violino precisava ser entregue. Ele vai até a enfermaria, eventualmente ele desvia de algumas pessoas e numa das passagens secretas, ele vê um casal atracado. Escolhendo por esse motivo o caminho mais longo, ele chega na enfermaria e ela estava vazia. Perguntando à enfermeira onde estava a garota do corte no rosto, ele descobre que ela foi para a Sonserina se arrumar para a festa.
Mitkov corre para o salão comunal, passa por diversas passagens secretas, inclusive esbarrando no casal distraído, que corre sem nem mesmo ver quem havia esbarrado neles. Ele chega no Salão Comunal dando graças aos deuses por sempre ter feito exercícios. Ao entrar, ele vê a garota vindo em sua direção.
- Olá. – ela diz simplesmente.
Sem uma palavra, Mitkov estende o embrulho. A garota abre e, pelo formato já adivinha o que havia dentro. Numa lixeira, no canto do salão, jaziam os restos do violino da garota, quebrado além da recuperação. Ao ver o que havia dentro do pacote ela dá um gritinho e abraça Mitkov com força.
- Um Stradvarius. Esse violino é o máximo. – Mas subitamente ela se afasta e estende o violino para ele. – Não posso aceitar... É muito caro...
Mitkov balança a cabeça numa negativa muda e coloca as mãos para trás. A garota sorri e abraça o violino. Pedindo para ele esperar, ela corre até o seu alojamento para guardar o presente. Voltando, ela passa pela porta do salão comunal, puxando Mitkov pelo braço e enlaçando o braço no dele.
- Você não me disse o seu nome.
- Mitkov. Mitkov Holopainen. – ele falava baixo. Sempre tivera dificuldades para falar com pessoas novas.
- Ah! Então você é o menino do duelo com espada. É um prazer. Agora você é meu amigo. Ta? – Ela sorria levemente levando o garoto para o baile de Dia das Bruxas. Mitkov simplesmente balança a cabeça concordando.
Eles chegam juntos no Salão, os braços ainda entrecruzados. A iluminação do local era feita somente com velas que flutuavam no alto. O teto encantado do local mostrava um céu estrelado e sem nuvens. Uma banda de bruxos com cabelos compridos tocavam um rock leve um tanto quanto emocore. A garota o segura e puxa para a pista de dança. Ela tinha a mesma altura que Mitkov. Seus olhos ficavam no mesmo nível e o sonserino corava com o olhar da garota, mas ela simplesmente dançava olhando para os lados.
Quando a música mudou para um ritmo mais lento, ela descansa a cabeça no ombro de Mitkov e os dois dançam abraçados. Mitkov vê Vanessa se aproximando e ela pára atrás de Alleria. Ela sorri e cutuca a sonserina. Alleria ergue a cabeça e solta o garoto.
- Posso dançar com ele agora? – Vanessa sorri levemente. Alleria parecia desconcertada, mas dá espaço.
- Nos vemos mais tarde. – e sai rindo ao ver um grupo de garotas de sua série e indo se unir a elas. Vanessa dançava da mesma forma que Alleria, com a cabeça no ombro de Mitkov, mas ao contrário desta, Vanessa tentava conduzir a dança. Para evitar atritos, o garoto permite que ela conduza disfarçadamente. Logo depois uma música agitada começa a tocar e os dois se soltam para dançar com mais liberdade.
Masako vem logo depois e se une à agitada dança dos dois. Vanessa no início parece um pouco irritada, mas logo se deixa levar pela música. Pietro, com seu jeito abrutalhado, vem junto com Masako. Formava uma dupla estranha Masako toda exatidão e destreza e Pietro, todo força e rusticidade. Os quatro dançavam numa espécie de círculo, às vezes rindo de alguma piada de Pietro ou do jeito de Mitkov. Algumas músicas depois, uma mão suave segura o sonserino e Mitkov se vira pensando ser Alleria. Mas era Aurora.
- Você dançou com todos os seus amigos. Falta eu. – ela estava um pouco vermelha, mas a música era agitada, então Mitkov acena para os outros que sorriem e se despedem, à exceção de Vanessa que fecha a cara e dá um adeus seco e sai sem falar com Aurora. O sonserino se vira e logo que eles começam a dançar, a banda encerra a música e iniciam uma outra muito lenta. O garoto nem mesmo considerava como rock. Ele abre os braços, a chamando para a dança. Ela olha para os lados e balança a cabeça numa muda negativa.
Mitkov sorri,mantendo os braços abertos, mas a garota recua uns passos. Subitamente Alleria se enfia nos braços de Mitkov, iniciando a dança lenta, seus braços envolvendo o pescoço de Mitkov. O rapaz olha para o local onde estava Aurora, mas ela não estava mais ali. A dança é lenta e logo depois a banda faz um intervalo. Alleria continua dançando sem música nenhuma, agarrada ao pescoço de Mitkov. O garoto sorri e segue a música que a sonserina murmurava. Quando a banda volta e a pista se enche novamente, os dois se olham e saem, indo se sentar em uma das mesas. Logo depois, Vanessa se senta na mesma mesa, com um copo de alguma coisa vermelha nas mãos.
As duas se entreolham e dão um sorriso frio. Mitkov começa a conversar com as duas, mantendo ambas na conversa, mas elas não faziam um esforço muito grande para conversar uma com a outra. Masako e Pietro se sentam nas outras cadeiras, fechando os cinco lugares. A oriental fica em silêncio e o lufo logo puxa assunto com Alleria. Vanessa tenta conversar com a corvinal, mas Masako responde com acenos de cabeça. Ela detestava falar na presença de estranhos. O sempre sociável Pietro tentava conversar com Alleria e Vanessa ao mesmo tempo, mas as duas começaram a cultivar uma espécie de hábito: ignorar uma a outra.
- Você tem algo contra a Sonserina? – era Mitkov. Ele estava começando a se cansar da atitude de Vanessa. Todos da sonserina eram mal tratados pela garota. Ela dá um sorriso irônico e se levanta sem responder a pergunta. Masako vai logo atrás. Pietro olha para as duas se afastando e o peso das amizades mais antigas faz com que ele se despeça de Alleria e as sigam.
- Você não vai com os seus amigos? – Alleria olhava para o rapaz que parecia um tanto irritado.
- Você também é minha amiga. Certo?
- Certo... – e se estica, dando um beijo no rosto do garoto. – Vem comigo rapidinho. – e se levanta, puxando o rapaz de leve pela mão.
O garoto se levanta e segue a menina. Ela o guia de volta para o salão comunal da Sonserina, eles dizem a senha “puro sangue” e passam pela parede deslizante. O salão estava vazio. Todos estavam na festa. Alguns barulhos estranhos indicavam presença nos quartos, mas Mitkov ignorava o que estavam fazendo. Alleria sorri e o puxa para um pufe oculto onde o fogo da lareira e das tochas não iluminava. Ela o senta no pufe que faz um barulho alto ao esvaziar o ar, tomando o formato do corpo de Mitkov. Alleria ri com o susto do garoto. Obviamente ele nunca sentara num pufe. A garota espera Mitkov se ajeitar e depois se senta no colo dele. O garoto começa a ficar vermelho, mas a encara com um olhar de “eu não vou admitir que estou com vergonha”. Ela faz um carinho de leve no rosto dele e sente um arrepio passando pelo pescoço do rapaz. Com um sorriso, ela aproxima o rosto dele, mas ele afasta a cabeça para trás.
Ela olha nos olhos do sonserino, buscando alguma resposta, mas ele só começa a fica cada vez mais róseo e ela começa a sentir o calor que emanava da pele dele. Ela continua o encarando nos olhos, mas ele acaba desviando o olhar. Ele olha, obviamente fingindo distração, para a lareira que queimava com fogo baixo.
- Você não quer? – ela murmura no ouvido dele.
Ele balança a cabeça negativamente. Mesmo respondendo a pergunta, ele evitava olhar nos olhos da garota.
- Não vai nem me olhar enquanto responde?- ela agora sorria com a hesitação e inocência dele.
- Acho que ainda não estou pronto pra esse tipo de coisa...- e se move em baixo dela, fazendo com que ela se sentasse ao lado dele.
- Ta bom. Mas me promete que quando você estiver pronto você vai me procurar?
- Prometo. – e os dois ficam abraçados dividindo um pufe individual. Eles ficam em silêncio, abraçados e adormecem juntos. O dia seguinte era domingo e ambos estavam cansados de tanto dançar.
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 8 – Rage of the Winter

Mensagem  Radamael em Qua 28 Jul 2010, 13:30

O natal estava chegando rapidamente. Mitkov havia incluído mais duas coisas em sua rotina: agora os exercícios eram na academia; e ele passou a estudar com Alleria, que estava o ensinando matérias da terceira série lentamente, conforme ela ia revisando a matéria. Vanessa e Alleria passaram a tolerar a presença uma da outra, pois Alleria ajudava muito durante os estudos deles. Quando Mitkov não conseguia explicar uma coisa de forma simples, Alleria mostrava o jeito mais fácil. Quando o recesso de natal chegou, Mitkov conseguira fazer com que sua mãe deixasse todos irem para a casa dele. Na realidade não fora nada difícil: sua mãe mesmo perguntou se ele queria levar algum amigo e reagiu com uma surpresa agradável quando ele disse que queria levar cinco. Ele chamou todos os seus amigos, mas Aurora e Masako não puderam ir. Aurora disse que sua família sempre passava o natal junto e Masako somente disse que não iria, sem explicar o motivo. Mitkov também não perguntou.
Os quatro ocuparam o mesmo vagão no trem. Mitkov era o único que levava um malão. Quando lhe perguntaram o motivo ele disse simplesmente “livros”. Alleria e Vanessa passaram boa parte da viagem azucrinando o juízo do menino, já que ele seria provavelmente a única pessoa na história de Hogwarts que iria estudar no natal. Era um óbvio exagero, pelo menos esse era o pensamento do garoto. A viagem foi muito agradável para todos, exceto para Mitkov que foi atormentado durante toda a viagem, no meio do caminho até mesmo Pietro começou a brincar com Mitkov. No fim da viagem, o garoto já estava com a cara fechada, mas as duas garotas o abraçam explicando que era tudo brincadeira. Isso melhora um pouco o humor dele. Ao desembarcarem, sua mãe estava esperando na estação.
Os cabelos dela estavam cor de mel. Combinando com os olhos. Ela se abaixara um pouco assim que o filho ficou à vista e abriu os braços, obviamente esperando que ele corresse para abraçá-la. Mas o resto de dignidade que ele conseguira manter durante a viagem fez com que ele simplesmente andasse mais rápido em direção a ela. Eles dão um longo abraço e um pouco depois sua mãe o solta, voltando os olhos para os amigos do filho. Cumprimenta a todos educadamente e os guia até um carro preto fora da estação de trem. Eles se entreolham e entram. De todos, somente Alleria era mestiça e sabia exatamente para que servia um carro. Mitkov se senta no banco da frente enquanto os amigos ficam no banco de trás.
A viagem é relativamente curta. O carro era aparentemente encantado. Em menos de meia hora estavam na mansão de Mitkov, nos arredores de Londres. O terreno ao redor da casa era grande e havia muito espaço para os amigos se divertirem. Quando o carro para na garagem, outros dois carros estavam estacionados no local. Mitkov olha para a mãe que sorri em resposta. Quando o carro para, todos saem e Mitkov vê os quatro elfos domésticos da família. Os elfos pareciam incomodados com alguma coisa e olhavam o sonserino com a cabeça baixa. Quando ele abre os braços, todos os elfos correm em sua direção para dar um abraço no menino. Um dos elfos dá um guincho de alegria e Sword vêm o mais rápido que suas pernas idosas permitem. Depois dar atenção aos elfos, ele guia os amigos até o interior de sua casa.
Alleria se impressiona com o tamanho dos cômodos, e o garoto rapidamente guia os amigos até quartos de hóspedes. Cada um ficaria em um quarto obviamente. Pietro acabou no quarto ao lado de Mitkov, enquanto Vanessa e Alleria ficaram em quartos um pouco distantes, mas próximos um do outro. Depois de alojados, todos desceram para a janta. Havia fartura de comida e sua mãe não parava de falar com as duas garotas, fazendo com que Mitkov e Pietro conversassem baixo. Pietro queria conhecer a cidade, já que ele nem mesmo era da Inglaterra. Gostaria de ver os trouxas em seu estado natural. Mitkov ri e garante que iriam à cidade. Todos ignoravam que lá fora, a neve crescia e caía cada vez mais rápido.
A noite fora tranqüila e Mitkov teve a estranha sensação de que trancar o seu quarto fora uma boa idéia. O dia amanheceu com grossas nuvens negras no céu. A neve não tinha parado. Ao contrário, até mesmo aumentara de intensidade. Os quatro tiveram que se divertir em casa, o que não foi difícil: eles mostraram a Pietro a televisão com assinatura por satélite. As garotas ficaram conversando com a mãe de Mitkov no quarto dos pais do menino. Aparentemente estava se divertindo experimentando a quantidade aparentemente infindável de roupas que sua mãe possuía.
Isso deu tempo para o garoto checar as finanças da família. Para sua surpresa, estavam melhores do que antes. A faculdade de sua mãe estava fazendo com que ela soubesse exatamente onde aplicar o dinheiro. Por mais que ela gastasse, uma quantidade muito maior entrava nos cofres da família. O cofre em Gringotes estava quase vazio: todo o dinheiro do cofre superior estava investido e gerava mais dinheiro. Ele riu e foi do escritório para a biblioteca. Fez todos os poucos trabalhos natalinos da escola e depois, foi para a sala mostrar a Pietro o vídeo game que sua mãe comprara para ele. O lufo ficou maravilhado e começou a jogar maniacamente. Era um jogo sobre gigantes. Quando Pietro passa de fase, ele olha para Mitkov e diz:
- Cara, preciso te contar um troço aí. – ele olhava para Mitkov com receio.
- Diz. – a curiosidade era o maior mal do garoto. Era atiçada por qualquer coisa.
- Eu não sou quem você imagina... É que eu... Tipo assim... – ele passava a mão incomodamente pelas tranças do dreadlock. – Eu meio que sou um... Meio-gigante... – e olhou para a expressão de Mitkov que parecia perdido em pensamentos.
Isso explicava tudo. Explicava o porquê de alguns feitiços ricochetearem no peito do lufo. Explicava sua força sobrenatural. E agora, explicava o porquê de ele não saber nada sobre os trouxas: nunca pode ficar perto deles.
- Você não devia ser... Sei lá... Um pouco maior?
- São os braceletes. Eles são encantados para fazer com que meu tamanho diminua até padrões aceitáveis.
- Cara. Você é maior do que o “aceitável” para a nossa idade. – e sorri para o amigo. Isso não mudava em nada o que nutria pelo lufo. Ele era diferente, mas Mitkov também era. Ambos começam a rir e Pietro se volta novamente para o vídeo game. Mitkov se levanta e pega um livro numa das estantes próximas. Deita-se no sofá e começa a ler.
Vanessa chega pouco depois e se deita em cima de do garoto, atrapalhando sua leitura. Ele a abraça e se ajeita de modo que consiga continuar a ler seu livro. Alleria passa olhando incomodada junto com a mãe de Mitkov que tinha uma atitude completamente normal frente ao comportamento do filho com a amiga: o pai do garoto era exatamente da mesma forma.
Depois que o almoço é servido, os quatro vestem roupas de frio e tentam sair de casa, mas são impedidos pelo mais de um metro de neve que estava estacionada na frente da casa. A neve caía muito forte e o vento uivava alto. Uma tempestade estava ocorrendo e eles nem mesmo haviam percebido. Um pouco desanimados, os quatro começam a conversar sobre suas famílias. A mãe do garoto aparata para algum lugar fora de casa, com a justificativa de comprar o necessário.
Os quatro começaram a falar de assuntos cada vez menos recomendáveis. Alleria chegou admitiu na frente de todos que Mitkov havia prometido beija-la. O garoto ficou completamente vermelho e começou a gaguejar muito quando tentou responder. Vanessa olhou para Alleria com uma cara de desprezo e riu.
- Você não vai conseguir.
- Por que não? – Alleria olhava para Vanessa. Pietro encarava Mitkov e seus lábios formavam as palavras:
- Cara de sorte. – Sem fazer som nenhum. O sonserino ficava cada vez mais vermelho e Pietro começara a rir alto com a discussão das duas. Ao perder a paciência, Mitkov consegue convencer Pietro a ir jogar vídeo game na sala ao lado.
- As duas disputando por você... Que inveja meu. – Pietro ria alto. O barulho do jogo conseguira abafar a discussão das duas. – Por que elas não te dividem? E por que você não foi em frente?
O sonserino olha para o amigo, ainda vermelho, mas inspira profundamente e conta para Pietro como conheceu Alleria e como ela tentara beija-lo. Disse também que ainda não se sentia pronto e que não queria testar a possibilidade de talvez estragar a amizade com Alleria. Depois disse que Vanessa não gostava dele. Ele era somente um amigo para ela. E ela para ele. Pietro sorriu e disse simplesmente:
- Masako ia gostar de estar aqui...
O dia seguinte amanheceu com presentes em frente à cama de todos. Mitkov que, como era natal, acordou uma hora mais tarde que o normal, acordou muito antes de todos os outros. Abriu os presente de todos. Sua mãe lhe dera um grosso livro cujo título era “Como tratar garotas”, o rapaz olha pasmo para aquilo e se pergunta o por que de sua mãe achar que ele precisava desse tipo de coisa. Passando para o próximo, ele abre um grande pacote de sapos de chocolate, presente de Pietro. Alleria lhe dá um livro de partituras. Vanessa lhe dá um livro sobre quadribol. Ele bufa e o coloca junto ao livro que sua mãe lhe dera. Abriu o presente de Aurora e encontrou um livro de Feitiços extremamente raro. Coloca numa pilha separada. Pega os livros que sua mãe e Vanessa lhe deram e os coloca na estante que ele batizara de “Livros inúteis que jamais serão lidos” Mais da metade era composta por livros que sua mãe dava. Ele mantinha essa prateleira no quarto para sua mãe achar que gostara do presente. O último pacote estava identificado com o nome de Masako. Ele abre o pacote esperando algo completamente inútil.
E se engana completamente. Era um kit completo para polir e afiar espadas. Incluindo a receita de uma poção que servia para manter a espada polida e afiada. E a amostra da poção. Ela tinha um brilho de aço um tanto quanto prateado demais. Ele sorri ao perceber que o brilho era idêntico ao da Holopan. Depois de organizar seus presentes, ele sai do quarto e vai para o quarto ao lado. A porta estava destrancada, então Mitkov entrou no quarto de Pietro sem fazer barulho. O rapaz ainda dormia, mas uma pequena pilha de presentes estava aos pés da cama. Mitkov abre a janela e faz com que uma bola de neve voe até ele. Teoricamente os estudantes não poderiam usar magia fora da escola, mas o sonserino sabia que eles ignorariam o chamado, supondo ser sua mãe a fazer magia, afinal, sua mãe era incapaz de ficar mais de cinco minutos sem usar a varinha.
Pegando a bola de neve, ele a joga no rapaz que dormia. Pietro acorda assustado, e se levanta da cama ainda com sono olhando para os lados, confuso. Ao perceber Mitkov, ele sorri bobamente e se senta na cama, esfregando os olhos. Pouco depois, ele começa a abrir os presentes. Mitkov espera até Pietro abrir o que ele enviara. Quando ele chega no embrulho de Mitkov ele encontra um pequeno bastão de metal, estranhamente grosso. Pietro olha para Mitkov que chega perto dele e mostra um pequeno orifício. O lufo coloca o dedo no buraco e retira assustado: algo havia furado seu dedo. Uma gosta de sangue escorrera para dentro do orifício. O lufo olha para Mitkov que sorri e diz para ele segurar o bastão firmemente e dizer o seu sobrenome. Pietro olha estranhamente para Mitkov e diz:
- Petraack. – o bastão brilha com uma luz amarela e se desdobra estranhamente nas mãos do lufo. Instantes depois um machado de lâmina dupla termina de surgir. Pietro olha para a arma em sua mão e olha para Mitkov. – Muito foda!
Mitkov sorri e sai do quarto, deixando o amigo desembrulhar o resto dos presentes. Logo que sai, ele vai para o quarto de Vanessa. A porta estava trancada, então o garoto bate na porta três vezes seguidas. A loira abre a porta poucos minutos depois, com o cabelo desgrenhado e cara de sono.
- Que que é? – ela olhava para Mitkov com uma expressão um tanto quanto assassina. Detestava acordar cedo. Principalmente quando não era obrigada.
- Feliz Natal. Já abriu os presentes? – Diz o garoto, abrindo a porta e entrando no quarto. A pilha de presentes estava intocada. O garoto fica em pé ao lado da pilha de presentes de Vanessa. A grifinória olha para Mitkov, se abaixa pegando o presente do rapaz e abrindo rapidamente. Um par de braceletes. Ela abraça Mitkov agradecendo e coloca os braceletes do lado da cama se deitando novamente.
- Feche a porta ao sair. – o rapaz sorri e sai do quarto, ela ainda iria descobrir a parte do sangue. A palavra de ativação ele iria falar depois. Ele vai para a porta ao lado e, ao testar a porta para ver se ela estava trancada, e ouve claramente a porta se destrancando. Ele abre a porta silenciosamente e vê, através da penumbra, Alleria dormindo. Ela estava somente com roupas íntimas e se levantava, olhando para Mitkov.
- Pode entrar. Ela abre as cortinas, mostrando o corpo já quase formado. O menino, evitando olhar diretamente para a garota, pergunta se ela já abrira os presentes. Como resposta, ela busca na pilha o presente de Mitkov. Abre rapidamente e vê em suas mãos um grande livro com diversas músicas. Foi a única que não ganhara uma arma portátil. Ele julgou que ela não gostaria deste tipo de presente, então dera música.
Ela sorri ao folhear o livro, e abraça Mitkov. O rapaz o abraça também e ela o puxa, fazendo com que ambos caiam na cama. O garoto se livra do abraço dela e rola, caindo no chão ao lado da cama. A garota ri e se sente na cama, colocando os pés no peito do rapaz.
A porta é aberta nesse momento e a mãe do sonserino olha estranhamente para os dois. Mitkov se levanta rapidamente e Alleria se envolve no lençol.
- O café da manhã será servido em meia hora. Podem voltar ao que quer que estivessem fazendo. Espero que tenham gostado dos presentes. – e sai, fechando a porta em seguida.
Um grito de susto ecoa no quarto ao lado e Mitkov ouve seu nome ser berrado a plenos pulmões. Aparentemente Vanessa acordara e tentara colocar os braceletes. O garoto sorri e sai do quarto dando um rápido “até logo” para Alleria. Ele chega no quarto de Vanessa no exato momento em que ela abre a porta enfurecida.
- Muito engraçado! Eu ri muito! Seu animal! Eu vou... – mas Mitkov abraça a garota, falando em seu ouvido:
- Encoste um bracelete no outro e diga o seu sobrenome.
A garota olha estranhamente para Mitkov, mas faz o que ele diz. Uma lança surge nas mãos da garota, com um leve brilho azulado. Ela olha para o objeto maravilhada. Era leve e quase que perfeitamente aerodinâmica. Ela abraça o sonserino novamente e agradece, desta vez com sinceridade. Dá um leve selinho no garoto, que recua com o susto. A vermelhidão no rosto do menino aumenta e ele sai do quarto sem falar mais nada. Era hora do café. Os jovens descem quase todos ao mesmo tempo. Pietro estava com a barra de metal no bolso, do lado oposto ao da varinha. Vanessa usava os braceletes e Alleria trazia o livro que Mitkov lhe dera debaixo do braço. Na parte de fora da mansão, rugia uma fortíssima tempestade de neve, mas todos ignoravam, no aconchego quente da Mansão Holopainen. O café da manhã foi rápido, mas bem aproveitado.
Vanessa e Pietro perguntaram por corujas dos pais, mas a mãe de Mitkov não havia recebido nada. Na verdade, ela achava que nada conseguiria voar com o clima que imperava no exterior da casa. Pouco depois do café, os quatro resolveram brincar na neve, mas a porta se recusava a abrir, mesmo frente à força monstruosa de Pietro. Nem mesmo os feitiços de Mitkov surtiram efeito. Até que Alleria chama a todos para perto da janela onde ela estava. Quando os três chegam perto, ela abre as cortinas e aponta para o que a janela mostrava: um muro branco que já cobria metade da altura da janela. O inverno estava mostrando toda a sua fúria. Vanessa se anima muito com a quantidade de neve. Ela começa a cantar cantigas em russo, coisa que somente Mitkov consegue compreender. Todas elas falavam da neve, de sua beleza e de seus perigos. Quando Vanessa começa a cantar, Alleria sobe para o seu quarto, mas volta antes que Mitkov resolva ir ver o que havia acontecido. Ela trazia um violino e tocava uma melodia para acompanhar as canções de Vanessa.
Mitkov sorri quando Pietro começa a batucar objetos próximos, de forma que se unisse ao todo harmônico da canção. Para não ficar sem fazer nada, Mitkov foi até seu quarto e trouxe uma guitarra que ele nunca usara. Quando chega na sala, sua mãe havia sentado na poltrona e ouvia atentamente a música deles. Mitkov começou a tocar a guitarra, lembrando rapidamente do como faze-lo. Ele nunca treinara muito com esse instrumento, mas ele tinha muita facilidade em aprender novos acordes. Quando Vanessa termina uma canção, a mãe de Mitkov aplaude. Pietro sorri, olha para o sonserino e diz:
- Um, dois, três, quatro... – e começa a bater nos objetos próximos de forma que lembrasse uma música bruxa popular. O sonserino reconhece e logo une sua guitarra à bateria improvisada de Pietro. Alleria começa a tocar e pouco depois Vanessa começa a cantar animadamente. Eles formavam um bom grupo. Meia hora depois a Senhora Holopainen volta aos seus afazeres e os jovens começam a tocar músicas cada vez mais agitadas. À noite eles já havia decidido formar uma banda. Somente Mitkov se lembrou de verificar se Masako tocava alguma coisa.
Durante a ceia de natal, a fogueira se aviva intensamente e o rosto idoso de Minerva McGonagall aparece nas chamas. Ela inspira profundamente e fala, com uma voz extremamente crepitante:
- Esta é uma mensagem à todas as casas onde se encontrarem alunos de Hogwarts. Informo aos senhores pais que o retorno de seus filhos será amanhã ao meio dia. O Salão Principal será o ponto de chegada. Pedimos aos senhores pais ou responsáveis que se utilizem da aparatação acompanhada ou até mesmo de Chaves de Portal. Avisamos também que o encantamento anti-aparatação só será retirado no período compreendido entre o meio dia e a uma hora da tarde. A supressão da proteção citada também só será retirada no Salão Principal. Qualquer tentativa de aparatar em outra parte do castelo se provará infrutífera.
E o fogo sobe mais uma vez e quando volta ao normal, o rosto da Diretora de Hogwarts já não estava mais lá. Todos se entreolham e Pietro volta a comer. Depois da ceia, eles começam a discutir sobre a causa da tempestade. Não era comum uma tempestade com esse tamanho. E pior ainda, com essa duração. Mitkov, como sempre, suspeita da presença de bruxos das trevas, mas Vanessa ouvira histórias sobre uma antiga profecia russa. Ela conta a todos o que ouvira quando era pequena.
“Virá um tempo, depois da queda de um Lorde, que o inverno mostrará sua raiva.
Um novo Lorde surge das sombras do antigo. Árvores sangrarão seiva.
E rios de sangue correrão. Do sangue derramado, caçadores caçados a esperança renasce.
Quatro eles são e quatro permanecerão. E assim a aranha tece:
Sombra, Neve, Força e Lâmina. O caçador se reergue e empunhando a arma de prata
Trespassa o coração do traidor. O perdido ressurge e ao algoz mata.
A volta dos que não foram embaça a prata e trás um perigo ainda maior:
Justiça sem limites e sem julgamento. Toda a impureza eliminada.
E toda a traição será vingada.”
- A rima é péssima. – Mitkov parecia entediado. Ele não prestara atenção na profecia. Não acreditava em profecias. Para ele adivinhação só servia para localizar inimigos, antever estratégia e prever se um curso de ação é aconselhável.
- Não é para ter rima. É para passar uma mensagem. – Era Alleria. – O que se pode entender é que um novo Voldemort vai surgir. E quatro pessoas vão se unir para derrota-lo. Imagina que legal seria se fossemos nós quatro...
Pietro olhava para todos em silêncio. A profecia era bem clara e, pelo que ele sabia, profecias tinham que ser obscuras. Mas ele não tinha a menor vontade de lutar contra um novo Voldemort. E riu pensando no fato de que toda a geração anterior à deles, tinha medo de pronunciar o nome dele.
Vanessa no momento reclamava com Mitkov que ainda zombava da profecia. Alleria olhava para os dois com um certo ar de melancolia. Pietro ligara a televisão e começara a jogar vídeo game. Todos dormiram na sala. Ninguém viu, mas tanto Alleria quanto Vanessa procuraram o sonserino durante a noite. Ele dormiu tocando o rosto das duas meninas.
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 9 – Tears of a Dying Angel

Mensagem  Radamael em Qua 28 Jul 2010, 13:33

O restante do ano passara muito rápido. A banda acabou sendo montada um mês depois do natal. Masako aprendia a tocar baixo rapidamente e Aurora recusou o convite, mas presenciava o ensaio. As provas de fim de ano Vieram e foram rapidamente. As notas de Masako e Mitkov ficaram praticamente iguais. Para diversão de todos no colégio, tentaram decidir quem seria o melhor aluno através de um duelo. Novamente Masako esquivava como se soubesse o que viria a seguir. E novamente terminam num empate tênue. A grifinória ganhou tanto o Quadribol quanto o Campeonato de Duelos, o que acabou fazendo com que ganhasse a Taça das Casas.
As férias estavam passando muito rápido e Mitkov era, novamente, o único aluno que estudava com afinco. Em sua casa ele seguia a rotina rígida de exercícios e estudos, mas passara a adotar duas horas diárias de lazer. Por influência de sua mãe. Essas duas horas ele passava no computador, surpresa de sua mãe que servia como presente de passagem de ano. No computador, ele passava as duas horas pesquisando sobre assuntos diversos na Internet. Muito era divulgado através dela, mas a maioria das pessoas não acreditava em magia, não importa o quão clara estivesse. Ficava também conversando com Alleria e com Pietro. Alleria, por ser mestiça, morava em Londres e morava numa casa com alguns confortos trouxas e Pietro por conseguir convencer seus pais meio-gigantes a comprar pra ele diversos aparatos trouxas, o que incluía o computador. Masako viajara para o Japão, mas mantinha contato com os amigos através de esparsas corujas. Vanessa e Aurora também mantinham contato com Mitkov através do correio-coruja, mas com mais freqüência que a oriental.
Um dia Mitkov marcou com todos no Beco Diagonal durante as férias, mas não avisou a Vanessa que Aurora e Alleria iriam, assim como não avisou a nenhuma delas que as outras iriam. Isso causou um pequeno alvoroço, mas Pietro resolveu prontamente. Foi um domingo divertido, mas Mitkov jamais admitiria isso à sua mãe. Afinal fora ela quem o proibira de estudar nos domingos.
Em geral, a companhia do garoto em casa eram os elfos domésticos, já que sua mãe possuía emprego e ainda fazia faculdade. Eles traziam comida, limpavam a casa, passavam a roupa e liam com ele. Comiam com ele, e brincavam no vídeo game e no computador com ele. O rapaz reparou que Sword estava cada vez mais lento. E mais fraco, então deu a ele dois dias de descanso. Na verdade, ele ordenou que o elfo descansasse por dois dias. Mas no fim desses dois dias Sword não se levantou. Sozinho e com então doze anos, chamou os medi-bruxos. Eles surgiram próximos a casa, afinal um feitiço de proteção cercava a moradia dos Holopainen. Ao chegarem vêem um garoto chorando sobre um elfo doméstico. Um dos medi-bruxos se recusou a prestar socorro a um elfo doméstico. Os outros, mais solidários, examinaram superficialmente o elfo e chegaram à brilhante conclusão de que o elfo estava velho.
Passaram alguns remédios para aliviar os sintomas, mas nenhum deles deu certeza de que o elfo voltaria ao normal. E depois partiram. Nesse dia, quando a mãe de Mitkov chegou em casa, procurou pelo filho, mas não o achou. Procurou por toda a casa, mas só encontrou seu filho quando entrou no quartinho dos elfos domésticos. O garoto estava com o rosto inchado de tanto chorar e dormira velando o sono daquele que cuidara dele durante toda a infância. Aquele que supria as necessidades dele quando sua mãe estava trabalhando e seu pai fora embora. Aquele que era muito mais que um amigo. Muito mais que um servo. Agora o menino estava ajoelhado aos pés da cama do elfo doente. Havia dispensado os outros elfos, mandando-os aos seus afazeres. Somente ele poderia cuidar de Sword.
Os outros elfos informaram a mãe do sonserino que ele havia chamado os medi-bruxos. Disseram que os midi-bruxos pouco ajudaram e que passaram alguns remédios para o elfo. Mitkov já havia comprado os remédio e os administrava com precisão de minutos. Recusava-se a sair do lado do elfo, não importando os argumentos. Não havia estudado e nem feito os exercícios que ele tanto prezava. Sword estava numa espécie de coma e respirava com muita dificuldade. O jovem sonserino acordava com freqüência e verificava temperatura e pressão. Seus conhecimentos médicos eram praticamente inexistentes e ele já tentara todos os feitiços de cura que conhecia. Todos foram inúteis.
Um dia depois, ele sai do quarto e corre para a biblioteca. Pega alguns livros rapidamente e volta, sua mãe somente repara sua passagem na volta e quando vai ver o que aconteceu ela se depara com seu filho inclinado sobre os mais complexos livros de magia de cura que havia na casa. Alguns dos livros eram de poções. O rapaz ergue o rosto e encara sua mãe. Depois se volta para os livros de poções e, num pergaminho que estava largado ao seu lado escreve uma lista imensa de ingredientes. Ele estende a lista para a mãe e diz:
- Mãe... Compra isso pra mim por favor... – os olhos do menino estavam brilhantes e cheios d’água. Ele passou boa parte do dia chorando pelo elfo. Tinha medo que o elfo morresse. Não queria perder Sword assim como perdera o pai. Então tentaria de tudo para trazê-lo de volta ao normal.
Sua mãe o encarou por um momento e depois olhou para o elfo. Sword servira à família Holopainen por longos anos. Ele já servia com afinco antes mesmo dela conhecer o pai de Mitkov. Ele fora o elfo que cuidara de seu marido quando ele era somente uma criança. Ele e outros elfos impediam que as crianças do clã Holopainen morressem devido ao rigoroso treinamento. Fora Sword que tratara Mitkov sempre que ele se machucava. Fora Sword que ministrava as poções que fizeram seu filho agüentar o treinamento da infância. Ela devia muita coisa à Sword e, mesmo ele sendo somente um elfo doméstico, merecia esse tratamento, mesmo que como forma de gratidão à todos os serviços prestados. Com um aceno da cabeça e um giro, ela desaparata. Mitkov dá um sorriso triste. Ele sempre se impressionava com os nuances da defesa de sua casa. Ninguém poderia aparatar ou desaparatar dentro da casa. Exceto um Holopainen. Mas sua mãe não pertencia ao clã guerreiro, mas à linhagem diplomata do clã. Ela podia portar o sobrenome somente por causa do casamento.
O garoto pegou diversas coisas pela casa, organizando-as no quarto dos elfos. Ele começa a aquecer a água necessária para uma das poções. Meia hora depois sua mãe chega com os ingredientes. Ele já havia tentado metade dos feitiços de cura que havia nos livros, a outra metade era complexa demais para ele. Ele levava os olhos marejados achando que era culpa sua. Sua incapacidade. Sua inabilidade em magia. Se ele fosse mais habilidoso ele poderia usar um feitiço mais poderoso. Tinha certeza de que a magia era a resposta para tudo.
Sua mãe olha para o filho que tentava inutilmente alguns dos feitiços dos livros mais avançados. Alguns dos que ele tentava nem mesmo ela, uma bruxa adulta e formada, sequer sonhava em conseguir. Era magia branca avançadíssima. Somente os maiores curandeiros conseguiam tais façanhas. Mas nenhum curava a velhice. O elfo era muito mais velho que ela. Era muito mais velho que o pai de Mitkov, afinal ela se lembrava que o elfo já estava idoso quando cuidava de Tuomas.
Ela entra no quarto silenciosamente, tentando não atrapalhar o filho que começava a chorar novamente. Somente quando ele estava desesperado ele parecia a criança que era. Ela deixa os ingredientes num canto e sai do quarto, resistindo ao impulso materno que a compelia a abraçar a criança e a confortá-lo frente à primeira morte de um ente querido.
Suspirando, ela sobe as escadas até a casa. Ao chegar na sala de estar tem a maior surpresa de sua vida. Havia um vulto vestido completamente de negro. Trazia na cintura uma bainha de espada e outra de varinha. A espada estava velha e maltratada. A bainha inexistia em diversos pontos, deixando ver a espada quase sem fio em seu interior. O vulto trazia uma cicatriz no rosto, provavelmente fruto de uma das inúmeras batalhas onde ele provavelmente se enfiou. Ele a encarava fixamente com os olhos negros e sem brilho. Os olhos de que há muito não sabia o que era felicidade. A roupa preta estava puída em diversos pontos. A parte de baixo do sobretudo estava queimada e a camisa trazia um corte grande que expunha uma cicatriz causada por um feitiço negro indizível.
Leneth avança rapidamente e abraça o vulto que responde o abraço num aperto feroz. Ela olha nos olhos negros de seu amado esposo e ainda consegue ver uma fagulha de luz dentro deles. Ele estava em casa. Ele iria ficar.
- Faz muito tempo. – Tuomas tinha uma voz muito rouca. Quase como se houvesse esquecido de como se fala normalmente.
- Tempo demais. Mas agora você voltou para nós. Voltou para mim... – Leneth encosta sua cabeça no peito do marido e o aperta mais forte.
- Não voltei para ficar. Voltei por que um velho amigo está no fim de sua vida. Ainda não completei minha missão. E vou até o fim para completá-la. Como um verdadeiro Holopainen. – Ele estava claramente obcecado ainda. Seus braços largaram a esposa que não via há seis anos. – Eu te amo, meu amor... Mas não conseguiria me olhar no espelho antes de destruir cada responsável pela queda dos Holopainen.
- Pelo menos fale com seu filho... Ele está no quarto do elfo.
- Não. Ele não deve nunca saber que eu vim até aqui. Um destino grandioso o aguarda. Somente verei meu filho depois de terminar aquilo que comecei.
Leneth respira profundamente e, mesmo envolta a noticia que seu marido não retornara, sorri. Ele não mudara nada ao longo dos anos. Continuava um cabeça dura que ia acabar morrendo por que era incapaz de recuar de uma batalha perdida. Ele era tão auto centrado em honra e na história de sua família que acabava se esquecendo da família que ainda vivia. E ele claramente não havia encontrado a Holopan. Ele ainda portava a velha espada encantada que sempre usara. Ela estende a mão e pega a espada. Sente um arrepio por parte de seu marido quando tira a espada de perto dele. Era a primeira vez em seis anos que ele ficava sem uma espada. Estava se sentindo quase indefeso. Nu.
Leneth anda silenciosamente, Tuomas a seguindo de perto. Ela vai até a forja. Felizmente a forja ficava distante do quarto dos elfos. Em poucas horas a espada de seu amado marido estava como nova. Ele arruma também a bainha da espada. Eles sobem sem medo de seu filho os verem. Tinham certeza de que ele não sairia do quarto do elfo para nada.
Leneth consegue obrigar Tuomas a tomar um banho e limpara a sujeira da estrada. Eles tomam um longo banho juntos. E acabam adormecendo abraçados na banheira. Leneth dormiu com medo de acordar no dia seguinte e descobrir que tudo não passava de um sonho...
O dia seguinte chegou rapidamente e ela estava deitada em sua cama. Procurou seu marido pelo quarto, mas não o encontrou. Ela se sentou na cama e chorou. Chorou da dor de perdê-lo novamente. Chorou pela saudade e chorou amaldiçoando seu coração que fora roubado por um cabeça dura metido a paladino medieval. O que quer que ele tenha vindo fazer já havia sido feito. Isso se tudo não passou de um joguete da mente dela...
Enquanto tudo isso acontecia Mitkov velava pelo sono e pela saúde do elfo. Já tentara boa parte das poções e nada funcionava. Ele estava desenvolvendo olheiras arroxeadas pela ausência de sono. E a água fervia no caldeirão. Outras séries de ingredientes estavam sendo adicionadas à água. Outra poção estava sendo feita. E ele olhava cuidadosamente para o caldeirão. Essa era a última poção que ele poderia fazer. Todas as outras tinham que ser deixadas cozinhando por um tempo que ele não tinha. Uma sensação de urgência se instalava em seu coração. Como se garras de gelo apertassem seu coração. Como se o tempo estivesse acabando.
A poção ficara pronta. Ele a colhe num copo de prata e a leva, cheia até a boca, até a cama do elfo. Cuidadosamente ele aconchega a cabeça cheia de calombos e rugas do elfo em seu braço, trazendo o copo com o outro. Ele despeja o líquido esverdeado na boca do elfo e o ajuda a engolir. Lentamente, todo o líquido é despejado no elfo.
O velho Sword tosse e abre os olhos, depois de mais de dois dias de coma. Mitkov dá um guincho alto de alegria, que ecoa pela casa. Sua mãe corre para o quarto dos elfos assustada. Abre a porta de supetão e vê o elfo se sentando, sendo auxiliado por um Mitkov muito feliz, novamente chorando, mas dessa vez de alegria.
- A poção funcionou... – ele repetia sem parar olhando para o elfo.
Sua mãe olhou para o elfo e viu claramente o que a felicidade de seu filho o impedia de ver... O elfo ia morrer a qualquer minuto. Quase como se ele houvesse despertado somente para se despedir. Ele estava ainda mais pálido que o normal e respirava com dificuldade e ruidosamente. Ele olhava ao redor como se estivesse procurando alguém. Talvez não tenha sido um sonho depois de tudo...
Leneth poderia não ser uma Holopainen da casta guerreira, mas tinha olhos vivos. Percebeu claramente que o baú negro de Sword estava destrancado. Os elfos nunca deixavam nada fora do lugar. Ou nesse caso específico, não deixavam destrancado. Algo estava diferente naquele baú e ela não sabia o que era. E também não se importava muito. Se fosse para ela descobrir alguma coisa seu marido teria dado a ela. Essa era com certeza outra missão ou ensinamento para o filho. Pelo menos o exílio auto-imposto não fizera com que se esquecesse de que possuía uma família quando resolvesse voltar.
- Meu senhor... – a voz do elfo estava muito fraca, quase como se fosse muito custoso falar.
- Fica calado Sword. Poupa sua energia. Você pode falar o que quiser depois. Eu te prometo que passo o dia todo te ouvindo se você quiser... – Mitkov abraçava o elfo. Lágrimas silenciosas caíam de seus olhos. Ele conseguira salvar o elfo. Sua felicidade o tornava incapaz de perceber a verdade...
- Foi uma honra servir à família, senhor... Todos os elfos deveriam ser tratados como os senhores nos tratam...
- Vocês são servos leais. Auxiliam magistralmente a causa...
Os olhos de Sword se embaçam por um momento, o que causa um aperto no coração de Mitkov. O elfo estava curado. Não estava? A verdade começava a ser percebida lentamente... A respiração ruidosa... A dificuldade para respirar e falar... O tom pálido na pele... O brilho estranho nos olhos... Tudo mostrava que Sword estava ainda pior e não curado como pensava Mitkov.
- Meu mestre... Seja sempre o bom menino que o senhor sempre foi... – Mitkov pareceu por um momento que iria interromper o elfo, mas ele levantou a mão debilmente pedindo que o rapaz esperasse um pouco. Isso fez com que Mitkov voltasse a prestar atenção no que o elfo dizia. – Obedeça a sua mãe... A senhora Holopainen o ama muito... – Uma inspirada mais longa fez com que o rosto do elfo se contorcesse de dor e que Mitkov voltasse a chorar silenciosamente. Agora ele via com clareza: o elfo ia morrer. – Estude menos... Brinque mais... Aproveite seus amigos... O senhor não será criança por muito tempo... – e fecha os olhos, expirando o resto do ar que havia em seus pulmões. O pequeno corpo do elfo fica subitamente mole nos braço de Mitkov que começa a soluçar cada vez mais alto, abraçando-se ao elfo.
Ele sabia que palavras não eram mais úteis. Sabia que nada no mundo o traria de volta e sabia que não importava seu poder, ele havia perdido o seu amigo mais leal. Tinha vontade de gritar de dor, mas o choro travava sua voz. Ele soluçava descontroladamente até que sente a mão quente de sua mãe em seu ombro. Ele solta o elfo e abraça sua mãe, afundando a cabeça na barriga dela, soluçando e chorando. Sua mãe o abraça faz carinho na cabeça dele numa tentativa vã de acalmá-lo.
Ela também chorava silenciosamente. O elfo era uma das constantes na vida dela. Não importa quando, ele sempre estava lá. Ele sempre estivera lá. Vigiando a família, cuidando dos herdeiros dos Holopainen. E agora simplesmente não estava mais ali. A presença carinhosa do elfo que a auxiliara tantas vezes durante a infância do filho. A única voz que trazia seu marido à luz. A única pessoa que o conseguia dissuadir de alguma coisa. Agora não existia mais. Ela tira o seu filho da presença do corpo do elfo mais leal que o clã já teve e murmura um leve adeus.
Ela pega Mitkov no colo e o leva para o quarto com dificuldade. O jovem Holopainen não aceitava colo desde que tinha cinco anos, mas nesse momento de dor e pesar, todo o conforto que sua mãe podia lhe dar era bem vindo. Agora ela era a única coisa que ele chamava de família que ainda estava presente. Os outros elfos eram amigos íntimos, mas Sword era quase um pai. Um irmão mais velho muito querido.
Ele estava muito pesado. Ela consegue leva-lo para o quarto dele com muita dificuldade. Ao chegar no quarto, retira discretamente todos os objetos de valor considerável do quarto, colocando-os no corredor da casa. Os elfos domésticos remanescentes se aproximaram e começaram a ajudar a senhora Holopainen em seu trabalho. Todos sabiam das crises destrutivas de fúria que o jovem Mitkov tinha quando se descontrolava. Uma vez ele conseguira explodir uma árvore no jardim. E ainda nem mesmo havia entrado em Hogwarts. Era sempre melhor prevenir do que remediar.
No dia seguinte o corpo do elfo idoso foi enterrado numa cripta dentro das propriedades da família. Nessa cripta eram enterrados os servos mais leais da família. Uma cópia da cripta no Castelo Holopan. As lágrimas foram silenciosas. Não houve desespero nem gritos, somente a tristeza abissal daqueles que perderam um ser que consideravam um parente valoroso. Ele era quase inestimável à causa. Sua missão era cuidar dos jovens Holopainen guerreiros, e foi cumprida com sucesso exemplar. Em sua lápide fora escrito os seguintes dizeres:
“Sword Holopainen, da casta dos servos. Nunca se viu servo mais leal. Que descanse em paz e vá com a certeza de que sua missão foi cumprida com sucesso exemplar. Morreu educando Mitkov Holopainen, o último da casta guerreira”.
O jovem Holopainen fizera questão de dar o nome da família ao elfo. Talvez fosse uma atitude infantil, mas era o que ele tinha de mais precioso e queria que seu amigo fosse para o além como parte da família. Os elfos remanescentes choraram ao perceber esta honraria. Para eles não havia presente melhor do que receberem o nome da família à que serviam. Os Holopainen sempre os trataram como iguais. Os viam como uma parte importante na luta contra o mal, mas nunca pensaram que fossem encarados como uma casta da família. Eles se entreolham e percebem que são a casta mais numerosa. Sobrara um da Casta Guerreira, o jovem Mitkov, uma da Casta Diplomata, a mãe do guerreiro Leneth Holopainen, e três deles, elfos da Casta dos Servos. A lealdade deles para com os Holopainen era infinita, assim como a bondade no seio da família.
Depois do funeral os agora cinco membros da Família Holopainen voltaram para casa. Mitkov estava exausto, mas a tradição dizia que os parcos bens de Sword deveriam ser vistoriados. A única vez em que o mestre via o que seu servo possuía, tamanha era a confiança depositada nos elfos.
O baú de madeira negra reforçada foi encontrado aberto, como percebera a mãe de Mitkov no dia anterior. O garoto estranhou o fato e abriu rapidamente a tampa. Se o elfo fora roubado ele não tinha como saber. Ele não sabia o que estava lá dentro. Essa era a tradição. A espada curta de Sword fora enterrada com ele. Então não deveria haver nada de valor na caixa. Dentro havia, acima de todas as outras coisas um diário de capa dura. Ele abre e percebe a letra de seu pai. Olha para os outros elfos e eles o encaram pasmo. Ele deixa o caderno em cima da cama e coloca o resto para fora do baú.
Dentre os pertences havia canecas, copos, algumas jóias de baixo valor e diversos trapos extremamente limpos. Mitkov distribui os pertences do elfo entre os outros, esvaziando o baú negro. Por fim, ele devia decidir que ficaria com o baú negro, símbolo do líder da recém nomeada Casta dos Servos. Pouco depois se decidiu por Rapier, o elfo mais velho ainda vivo. Ao passar o baú percebe um compartimento secreto. Ao abri-lo cai a seus pés um pergaminho velho. Mitkov o pega e lê o pergaminho.
“Eu, Marcus Holopainen, atual Patriarca da Casta Guerreira, e conseqüente líder da família Holopainen, que fique sempre pura. Decreto por meio desta carta que o elfo doméstico nomeado Sword é, a partir da presente data, um elfo livre. Liberto o elfo por serviços prestado e lealdade inabalável à família mesmo frente a torturas místicas. Ele está, desde já dispensado de todo trabalho não voluntário não sendo obrigado a obedecer nenhum membro da família.
Decreto também que o elfo é agora considerado um aprendiz de guerreiro. Por demonstrar fibra e poder de combate superior aos de um bruxo das trevas e por salvar a mim e a minha família em mais de uma ocasião”.
Mitkov olha pasmo para o papel e no verso do pergaminho estava escrito com letras garranchosas provavelmente do próprio Sword: “Eu nego a liberdade e me submeto à família para agora e para todo o sempre. Rejeito o status de guerreiro e passarei o resto da vida como o servo que sempre fui”.
Ele pede a um elfo para guardar o pergaminho. Ele nunca vira tamanha demonstração de amor e lealdade na vida.
Depois pega o diário de capa preta e sai do quarto, deixando que Rapier reorganize as tarefas. Antes de sair dá um abraço em cada elfo, agradecendo tudo o que eles tem feito pela família.
Sua mãe lhe faz carinho na cabeça ao sair. Nem mesmo ela que fora treinada para a diplomacia conseguiria angariar tal lealdade de um servo. Os elfos o tratavam com um fervor quase religioso.
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Mensagem  Radamael em Qua 28 Jul 2010, 13:37

Sei que passei um longo tempo sem acesso ao fórum, mas para a minha tristeza, isso não atrasou as minhas leituras nem em um décimo do que eu espera... Pelo menos a distância me permitiu adiantar certos projetos. Como prova... Alguns capítulos novos para os poucos que acompanham isso... Pode parecer que essa fic não tem nada de aventura, mas as coisas ficam mais agitadas no futuro da criança...

Tenham sempre boas leituras...
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 10 – When Demons Awake

Mensagem  Radamael em Qui 19 Ago 2010, 10:16

Uma semana depois da morte de Sword, o sonserino volta para a escola. Por mais que todos gostassem de férias, elas não eram eternas. Os seis amigos se apertam numa cabine, Alleria, para a irritação de Vanessa, se senta no colo de Mitkov que inocentemente descansa a mão na coxa da garota. A viagem segue tranqüilamente. Masako aceita tocar baixo na banda e Vanessa pede para tocar a guitarra no lugar de Mitkov, que fica feliz em passar o encargo. Ele tocaria teclado. Esse pelo menos ele sabia tocar bem. Aurora diz que não sabe tocar nenhum instrumento, mas concorda em ir aos ensaios assisti-los. Masako e Mitkov contam também sobre a Sala Precisa e todos marcam de passar a se encontrar lá no sábado depois do almoço. Exceto quando houver partida de quadribol. Vanessa pretendia se candidatar ao time da Grifinória.
As primeiras semanas transcorreram tranqüilamente. Vanessa conseguira o papel de apanhadora e, para a surpresa de todo o colégio, Masako se tornou batedora da Corvinal. Todos os outros batedores eram grandes e fortes como Pietro, que não se candidatara porque vassoura nenhuma agüentaria o peso dele. Os braceletes diminuíam o tamanho, mas o peso se mantinha, o que fazia com que a massa dele aumentasse muito.
Masako e Mitkov se exercitavam juntos pela manhã, antes do café. Rapier passara a levar o café da manhã dos dois para a Sala Precisa. Isso dava aos dois mais tempo de tomar banho e ir para as aulas. Ambos se mantinham na liderança. Eram os melhores alunos. As respostas de Masako eram exatamente o que o professor gostaria de ouvir, enquanto as de Mitkov era fortemente baseadas em observações pessoais, afinal ele estudava as matérias que a terceira série ainda iria ver, graças a Alleria.
Os seis passavam boa parte do tempo juntos, até que Aurora e Vanessa brigaram novamente, então Aurora passou a evitar o grupo enquanto Vanessa estivesse perto. Masako estava com uma participação brilhante no campeonato de quadribol. Ninguém na escola rebatia os balaços com tamanha força e precisão. Ela parecia saber exatamente onde os jogadores iam estar e jogava os balaços com uma força muito grande exatamente onde ele iria passar. O primeiro jogo, Corvinal contra Lufa-Lufa, foi ganho pela Corvinal depois de cinco horas de jogo. Masako fizera com que o apanhador lufo caísse da vassoura com um balaço bem colocado.
O Diretor da Corvinal faz questão de elogiar Masako durante o jantar do dia. Ele informava com satisfação que todas as cinco costelas quebradas do apanhador da Lufa-Lufa foram concertadas com sucesso. Depois informa que os trovões ouvidos durante a partida, mesmo com o céu limpo, eram produtos das rebatidas da garota. Diz também, com o sorriso alargando a cada palavra e os olhos buscando os jogadores das outras casas que ele mesmo iria encantar o bastão de Masako, já que ela quebrara cinco bastões de carvalho sólido durante a sua primeira partida. Depois que ele se senta dizendo “a Copa é nossa”, o salão se enche com os murmúrios impressionados de todos. Os lufos estavam começando a dizer que Masako Lee usava magia durante as partidas. Os corvinais rebatiam dizendo que ela era provavelmente um demônio enviado diretamente do inferno para acabar com os times rivais.
Masako, Mitkov e Pietro estavam fora, ela pedira para jantar na cozinha. Da cozinha eles ouviam os barulhos do salão principal. Masako olha para eles com um ar divertido no rosto.
- É verdade que você usou magia na partida? – Pietro olhava para ela com um ar duvidoso. Ele tinha sérias dúvidas de que Masako faria algo do gênero, mas todos na Lufa-Lufa estavam falando e ele mesmo fora visitar o apanhador depois do jogo, junto com metade da casa e a enfermeira disse que ele chegara com cinco costelas quebradas. Ele ainda ficou ouvindo reclamações da enfermeira sobre os esportes violentos da escola. Antes só havia o quadribol, agora tinham campeonatos de duelos.
- É claro que não. Mas era sobre isso que eu gostaria de conversar com vocês... Isto é, se me prometerem manter segredo. – Ambos balançaram a cabeça afirmativamente. Era raro Masako falar coisas pessoais, quanto mais revelar segredos. Frente à afirmativa dos dois, ela inspira profundamente e começa a falar. – Eu leio mentes e consigo mover coisas com a mente. – e olha a reação dos dois.
Pietro olha para ela impressionada, mas Mitkov a encara como se agora uma peça nova fizesse com que todo o quebra-cabeça fosse-lhe subitamente revelado. Agora fazia sentido. O duelo na primeira série. Como ela bloqueava a espada sem nem mesmo utilizar um feitiço. E como ela esquivava dos golpes. Ela sabia o que ele iria fazer. Por isso fugia sempre.
- Eu só não consigo ler a mente de uma pessoa no colégio inteiro. – ela encarava Mitkov, os olhos negros brilhando com o fogo de quem não sabe a resposta de uma pergunta. – Eu também consigo ver o que vai acontecer um pouco antes de acontecer de fato.
Pietro olha para a garota e, lentamente retira os braceletes. Assim que ele retira o segundo bracelete ele retorna ao seu tamanho normal. Ele era bem mais alto que Mitkov. Tinha o tamanho de um adulto totalmente crescido, mas os músculos inchados traíam sua ascendência meio gigante. Isso explicava a força monstruosa dele.
- Por que você consegue fazer isso? – era Mitkov. Curiosidade era seu pior defeito. Ou sua melhor qualidade.
- Meu pai é um Oni. – os olhos dela, geralmente completamente negros adquiriram, por um momento fugaz um brilho avermelhado, mas quando os garotos tentam olhar direito percebem que eles estão negros como sempre estiveram. Eles começaram a duvidar do que viram.
- O que é um Oni? – Pietro ainda olhava atentamente para os olhos de Masako na esperança de que mudassem novamente.
- É uma espécie de... Podemos chamar de demônio... – e sorri, seu rosto transparecendo inocência. Os garotos se entreolham e Pietro recoloca os braceletes, voltando a um tamanho relativamente normal.
- Do que são feitas suas varinhas? – Mitkov subitamente pergunta. Ele sempre se sentira estranho quanto às varinhas dos amigos. A de Vanessa ele sabia que era feita com a presa de um lobo ancestral. A dele era feita de um metal místico que feria anjos, por mais que nunca houvesse visto um e nem mesmo acreditava neles, mas agora que tinha um demônio como amigo qual o problema de acreditar em anjos também?
- É feita de Carvalho com Sangue de meio demônio dentro. Meu sangue.
- A minha é feita de Ouro, mas meu pai a encantou para parecer madeira.
Ele olha para os dois. Todos eram especiais. Nenhum deles era comum... Será que era o destino do último Holopainen se envolver com os seres mais estranhos do mundo? Um meio demônio, um meio gigante e a família Le Fay, conhecida pelo seu tipo estranho de magia. As únicas normais no grupo eram Alleria e Aurora. O sonserino se senta. Era muita informação para sua mente. Ele precisava de um dia para digerir tudo isso. Vanessa escondia alguma coisa também, mas ele não tinha como saber... Talvez Masako soubesse.
- Masako... Qual o segredo da Vanessa.
- Se eu contar para de ser segredo... Eu não vou servir de espiã pra você. Eu não consigo saber o que você planeja. Alguma coisa me impede de ver o que você pensa.
O sonserino encara o chão, pensativo. Ele precisava digerir essa nova informação. Por que ela não lia sua mente como a de todos os outros?
- Por que eu ganhei o duelo na primeira série? – ele sempre se perguntou isso. Ela esquivava dos feitiços com facilidade, mas não apresentava a mesma facilidade para se esquivar de espadas. Isso era estranho devido à velocidade do feitiço ser maior do que a do golpe de espada.
- Você ganhou porque começou a usar espadas. Um duelo de feitiços é mais simples de ganhar. O feitiço não depende tanto do oponente. Você pode planejar com certa antecedência o que você vai fazer. Assim eu prevejo com mais antecedência, o que me dava tempo de esquivar. No momento que passou a ser um duelo de espadas a previsão se torna quase inútil. Os seus golpes vão depender da minha reação a eles. Então a previsão vinha em cima demais para eu conseguir desviar.
Ele pára para pensar. Pietro faz a cara de perdido habitual que ele sempre faz quando começa a não entender o que estava sendo dito. Até porque ninguém estava explicando detalhadamente para ele. Ele começa a brincar com os elfos, deixando o “papo-cabeça” para Masako e Mitkov. Ele gostaria que Vanessa estivesse aqui. Pelo pouco que ele conseguiu entender Vanessa também era especial. E Mitkov era especial. Todo o grupo era. Eles estavam destinados a grandes coisas. Mas aparentemente Mitkov e Vanessa eram os mais fracos. Mitkov dependia demais de espadas mágicas. E Pietro não sabia exatamente o que Vanessa tinha de especial. Ele estava um pouco confuso.
Depois que Mitkov julgou ter passado tempo o suficiente da janta, os três foram para suas respectivas casas. Ao chegar no Salão Comunal da Sonserina nas masmorras o garoto é recebido por Alleria que pula nele antes que ele perceba o que estava acontecendo. Ela trazia o violino em uma das mãos. Aparentemente estava tocando para um grupo de garotos.
- Pega o seu teclado e vêm tocar também... – e depois volta para onde estava. Havia algumas garotas também, se você procurasse bem. O sonserino lança um olhar frio para o grupo, mas vai até o quarto pegar o teclado. Ele não tinha que estudar e se ele tocasse ninguém iria tentar conversar com ele. As pessoas vinham adquirindo esse hábito terrível. Principalmente as garotas. Será que ninguém percebia que ele não era do tipo que preferia ficar sozinho?
Ele abre um caminho no pequeno grupo ao redor da amiga e se senta no sofá. Ela estava de pé e de olhos fechados, apreciando a música. Logo o teclado de Mitkov se une ao som do violino. As músicas que eles tocavam eram tristes. Melancólicas. Donas de uma beleza nefasta. Faziam aqueles que ouviam sentirem como se houvessem perdido algo. É claro. As músicas eram composições de Mitkov. E era assim que ele se sentia.
Conforme eles tocavam, as músicas da banda deles, que ninguém conhecia, alguns casais se abraçavam. Buscavam conforto uns nos outros. Outras pessoas simplesmente saíam. O tipo de música não lhes agradava. Mas eles tocavam para si e não para que os outros gostassem. Tocavam para se expressar. Tocavam por que gostavam de tocar. Pouco depois Alleria para a música e se abaixa, dando um beijo na bochecha de Mitkov. O garoto fica vermelho, mas a noite que ia alta impedia que as pessoas reparassem em tais detalhes. Os dois foram para seus quartos dispersando o grupo. O dia seguinte seria agitado...
Durante o outro dia, as aulas transcorreram rapidamente e, no meio de uma aula, Kaledfwich lhe trouxe um bilhete. A caligrafia pequena e fina de Masako era facilmente identificável, por mais que sempre fosse difícil de enxergar.
“Encontre-me na Sala Precisa exatamente à meia noite”.
Ele estranhou, mas mandou um bilhete confirmando. O falcão voou rapidamente para longe e antes que o professor reparasse Mitkov já havia voltado a estudar a matéria avançada. É claro, intercalando com as anotações que ele julgava pertinentes da matéria que estava sendo dada. O resto do dia passou mais lentamente. A curiosidade era a pior característica de Mitkov. Ele procurou Masako pela escola inteira, mas ninguém sabia onde ela estava. Co m certeza ela estava se divertindo muito.
Ele manteve a rotina e, depois da janta fora para direto para o quarto. Aurora o procurou, mas ele já estava dormindo. Se ele iria perambular à noite, era bom que ele adiantasse o sono que iria perder. Faltando meia hora para a meia noite ele acorda. Olha ao redor e todos estavam dormindo em suas respectivas camas. Ele se levanta e sai do quarto silenciosamente. Furtivo como um gato ele passa pelo Salão Comunal que estava vazio exceto por um casal que dormia abraçado no sofá. Ele sai do Salão e anda cuidadosamente pelo castelo até chegar ao corredor correto. De uma sombra surge Masako, vestida completamente de negro e com o rosto oculto. Ela passa três vezes na frente do local e, como sempre, uma porta surge. Ao entrarem Mitkov vê uma espécie de arena. Um grande tablado circular apropriado para duelos. Ela sobe no local e sorri, estendendo a mão para Mitkov.
- Você se pergunta se me derrotaria num duelo se eu utilizar todo o meu poder. Testemos. E não, não li sua mente. Eu não consigo. É simplesmente natural para você...
Mitkov sobe no tablado. Olha em volta e rapidamente localiza uma espada. Ele a testa. Afiada. Bem balanceada. Muito boa. A segura na mão direita, passando a varinha para a esquerda. Masako abre a mão e fala em voz alta:
- Masako! – e uma adaga surge em sua mão. Trazia um leve brilho negro na lâmina. E a adaga flutuava sobre a mão de Masako. Os olhos da oriental estavam nitidamente vermelhos. Mitkov respira profundamente e ao expirar, sua mente estava vazia. Nenhum pensamento ocupava sua mente. Nada perturba um Holopainen durante um duelo. Os olhos negros dele perdem o brilho. Como se ele não estivesse mais lá. Masako ergue o braço subitamente e um círculo opaco pisca ao redor de Mitkov. Ela olha pasma para o garoto.
O combate já deveria ter acabado. Ele deveria ter sido jogado longe com o impulso que ela enviara. Tenta novamente e o círculo aparece novamente. Mitkov começa a disparar feitiços simples numa rápida sucessão, fazendo com que Masako só tivesse tempo de se esquivar. Sem poder contra atacar. No intervalo de uma respiração de Mitkov a adaga voa e Mitkov coloca o braço da varinha em frente ao objeto. Um escudo opaco impede a adaga e ela cai no chão. Mitkov executa um feitiço sobre a adaga prendendo-a no chão e logo depois esquiva de um feitiço de Masako. Ele se aproxima rapidamente, na dança do espadachim e fecha Masako num combate corporal. Ela tenta se defender com feitiços e bloqueia a espada com seu dom psíquico.
O combate se torna desigual. A vantagem de Mitkov era clara. Ele era treinado para a luta. Masako recebera outro treinamento. E de alguma forma ele neutralizara a maior vantagem de Masako. Ela estava encurrala e tentava esquivar e fugir, mas Mitkov era mais esperto. Sabia por onde o inimigo tentaria fugir. Sabia o que ele poderia fazer. Era um duelista nato. E ainda estava com sua arma preferida. Uma espada longa. Alguns segundos encarniçados depois, Masako se rende. A espada de Mitkov tocava levemente o pescoço da garota. A varinha de Mitkov apontava entre os olhos de Masako.
- Eu me rendo. – ela repete. Você ganhou. Mitkov relaxa a guarda. Ele não percebeu a adaga de Masako flutuando atrás de sua cabeça pronta para perfurar o seu pescoço. Silenciosamente a oriental recoloca a adaga no chão. Seria um empate. Ele não precisava saber disso. A corvinal não queria que o orgulho do amigo saísse ferido. Mas o resultado era previsível. Ele era uma pessoa preparada para combate frontal honrado. Homem contra homem. Ela era preparada para a covardia. Para a surpresa. Por isso usava uma adaga. A adaga que ganhara de natal de Mitkov.
- Pensei que seu nome fosse Masako. E esses itens são ativados com o nome da família que deu o sangue para ativa-los. – ele olhava para a garota. Estava suado e a oriental não. Ela parecia tranqüila. Não parecia ter se cansado. Exceto mentalmente.
- Meu sobrenome é Masako. Meu nome é Lee. É uma confusão normal... – ela sorria. Mitkov se esquecera que os orientais utilizavam o nome de família na frente do próprio nome. A garota nunca fizera questão de corrigir o “erro”. Eles se entreolham e Mitkov aponta para o próprio relógio. Já passava da uma hora da manhã.
Os dois sorriem, ele por ter ganhado o duelo e ela por achar tão fácil enganar Mitkov. Ele era muito crédulo. Ao sair da sala eles ouvem uma voz chamando.
- Os dois! Parados! – Mitkov olha para Lee e ela para ele. Foram pegos... – Dois alunos fora da cama há essa hora! – o zelador os encontrara. Azar. O homem magricela e mau-vestido era conhecido por sua rigidez. Trabalhava no castelo há pouco tempo. Não fazia três anos Argo Filch, o antigo zelador havia sido aposentado. O boato era que eles conseguiram outro aborto para substituí-lo. – Os dois na minha sala agora! Podem ter certeza que vão conseguir uma detenção mocinhos. Logo vocês dois. Os professores vivem elogiando! Vamos ver... Eu sempre disse: um aluno é sempre um aluno. Todos vocês desprezam os regulamentos da escola.
A sala do homem era cheia de armários de ferro enferrujados em vários pontos. As fichas de incontáveis alunos estavam guardadas na sala. No teto ficavam penduradas correntes, talvez as únicas coisas do local que não possuía poeira. O homem as limpava freqüentemente. Ao perceber o olhar dos dois para as correntes ele dá um sorrido de dentes amarelos e grandes e diz:
- Nunca se sabe, meus pestinhas... Nunca se sabe... Se eu estiver com sorte talvez... – e olhou para os dois maniacamente. Nem Masako nem Mitkov se alteraram. Não eram alunos normais. Seria preciso muito mais do que isso para perturbar Mitkov e Lee. Ambos sofreram muito mais do que ele poderia imaginar na infância.
Ele se senta à mesa e começa a escrever furiosamente sobre duas fichas escolares. Murmurava coisas desconexas enquanto escrevia. Seus olhos brilhavam doentiamente. Pouco depois ele selou os papéis em envelopes pardos e os deixou sobre a mesa. Pegou os dois pelos pulsos, mas soltou Masako como se queimasse. Olhou para Mitkov e achou melhor saltá-lo também. Levou os dois às entradas de suas casas e esperou até que entrassem. Na mente de Mitkov a voz de Masako ecoou.
- Talvez ele esqueça os papéis. E afinal, qual o nome desse cara? – depois ela entrou na Torre da Corvinal e a voz cessou.
O zelador caminhou com Mitkov até as masmorras e o viu entrando na Sonserina.
- Velho maldito... – ainda se pegou falando.
Ele foi dormir com uma estranha sensação no estômago. Ele havia errado e havia sido pego. Mas o durante foi tão divertido. Era divertido sair à noite. Ele só precisava descobrir um meio de faze-lo sem que fosse pego. Talvez se ele dormisse na Sala Precisa...
Pensando nisso ele adormeceu e acordou no mesmo horário de sempre. Estava cansado graças à sua aventura noturna, mas ele ainda fez todos os exercícios matinais. A Sala Precisa estava vazia. Masako não fora. Ele passa o resto do dia com Vanessa. Eles estudam na biblioteca com Alleria. Pietro não foi encontrado em parte nenhuma. Nem a amiga de Vanessa que fora para a Lufa-Lufa. Pouco depois de começarem a estudar Alleria e Vanessa começam a fofocar sobre o misterioso sumiço dos dois. Masako também não havia aparecido durante todo o dia. Mas Mitkov julgou que fosse devido à exaustão mental causada pelo duelo. Mal sabia ele que era exatamente isso. Ela passara o dia dormindo. Acordando somente à noite.
Ela se senta na cama e sua visão se torna cada vez mais negra. Ela não se assusta sabendo o que significava. O negrume começa a tomar forma e ela não vê seus olhos ficando totalmente negros.
Ela viu um cemitério. Viu um grupo de vultos vestido de negro. Todos usavam máscaras de caveira. Todos se portavam como bruxos das trevas. No meio do círculo, um dentre eles se destacava. Utilizava uma máscara dourada e claramente era o líder por ali. Ele ouve a voz abafada pela máscara.
- Os Potter irão pagar pela queda. Mas para aqueles que acharam que Lord Voldemort havia morrido, eu retornei... – Depois ele saca sua varinha numa velocidade assustadora e aponta para o alto.
Da ponta da varinha uma serpente verde se ergue velozmente e, ao chegar no alto do céu, explode formando um crânio verde e prata com a língua em forma de serpente. A risada gélida do vulto faz com que Masako se encolha de medo. Mesmo ela que julgava não temer nada.
No dia seguinte, sussurros amedrontados se alastravam pela Escola. Mãos trêmulas seguravam o jornal do dia. Na capa Mitkov vira a Marca Negra flutuando e leu a manchete: Será que Aquele-que-não-deve-ser-nomeado retornou?
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Mensagem  Jaum em Sex 20 Ago 2010, 12:25

CONTINUA... por favor ?
ainda não chegou onde eu parei...
mas to lendo mesmo assim, pra não esquecer nenhum detalhe
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 11 – My Last Heartbeat

Mensagem  Radamael em Qui 26 Ago 2010, 22:13

A semana que passa é uma semana de medo... O Inimigo havia voltado. O lendário Harry Potter havia constituído família. E um de seus filhos havia sido seqüestrado. Para a surpresa de todos Potter se afasta da nova batalha. Os Novos Comensais lhes enviam provas constantes de que seu filho estava vivo e bem. A Escola estava com regras cada vez mais restritas quanto aos alunos e haviam recebido proteção extra. A família Potter havia se hospedado em Hogwarts. Ele mesmo havia sido responsável por diversos incrementos nas defesas do Castelo. Mitkov o viu por duas vezes, mas ele estava sempre ocupado. Viu também sua esposa Ginerva e os filhos mais novos. Eles pareciam atormentados. Seu filho havia sido seqüestrado antes mesmo de Voldemort se mostrar novamente.
As aulas continuavam e seguiam a todo o vapor. “A Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts já enfrentou períodos piores e nunca foi fechada desde a sua fundação. Reunimos aqui os maiores bruxos do Reino Unido. Não há o que temer... por enquanto...” Foram as palavras da atual diretora McGonagall. Mitkov não se deixou abalar, por mais que tivesse vontade de sair e caçar ele mesmo o tal bruxo das trevas ele sabia que não tinha poder e nem conhecimento para tanto. Talvez ainda houvesse uma horcrux oculta por Voldemort antes de sua derrota no Salão Principal de Hogwarts.
As aulas de duelos passaram a ser obrigatórias e, mesmo que não fossem, Mitkov continuaria indo. Os duelos estavam ficando cada vez piores. Os alunos enfrentavam alunos mais velhos durante as aulas, geralmente com resultados ruins e os alunos do sétimo ano enfrentava os professores em duelos. Mitkov se destacou brilhantemente nesse quesito. Ele lutava feliz. Estava no segundo ano e já havia derrotado metade dos alunos da terceira série. Derrotara o primeiro aluno que enfrentou da quarta. Pietro havia derrotado dois alunos do terceiro ano, ao mesmo tempo. Vanessa enviara a aluna que estava duelando com ela diretamente para a enfermaria. Sua adversária havia sido eletrocutada com um relâmpago que estranhamente caíra e passara pela janela. Logo depois de Vanessa apontar para ela. Masako fora a mais impressionante. Havia derrubado a todos aqueles que lutavam à sua volta ao girar a varinha. O sonserino sorriu quando viu isso. Em nenhum momento do combate ela utilizara magia.
Os quatro receberam um convite pessoal para falar com Potter, que era o responsável pela defesa do Castelo. Ele esperava numa sala próxima. Os quatro entram e os olhos verdes de Potter se fixam neles. Havia mechas grisalhas nas têmporas do bruxo, não por ser velho, mas em função das preocupações que tinha. Ele estava em pé, encostado na mesa, os braços cruzados sobre o peito.
- Vocês são diferentes. – não era uma pergunta. Não soava como uma pergunta. – Não quero explicações. Não quero justificativas. Eu quero promessas. – Mitkov se apruma, endireita a posição. Será que ele iria pedir que eles se unissem à guerra? Ele o faria com certeza. Ele abre um sorriso de satisfação que morre lentamente conforme Potter volta a falar. – Quero que me prometam que não vão se envolver na guerra antes de se tornarem maiores de idade. Vocês podem ser bons, mas não tem experiência com Magia das Trevas. Acabariam mortos. E seus talentos seriam desperdiçados antes do tempo. – Depois ele sai da sala deixando os quatro pensando...
Os dias passavam rápido. A escola não era mais a mesma. As mortes nas famílias eram cada vez mais comuns. Mas somente os mestiços e os bruxos de “sangue ruim” eram assassinados. As famílias puras eram mantidas intocadas. Mensagens de segunda ou terceira mão diziam que Voldemort achava que as família puras eram muito poucas para perderem seus membros. Com essas ele trabalhava diferentemente. Ele tentava seduzi-las para o seu lado. Alguns membros foram por medo. As forças das Trevas aumentavam lentamente.
O Ministério da Magia conseguiu manter Azkaban, apesar dos dementadores terem sido novamente seduzidos para o lado de Voldemort. Esses seres sombrios passaram a vagar pelas cidades, e uma nova leva de Aurores especializados em caça-los foi criada. Eram os Bruxos de Prata. Foi criada também uma divisão de elite entre os Aurores. Bruxos responsáveis por caçar o próprio Voldemort. Eles foram batizados de Leões de Ouro, numa clara alusão à casa da Grifinória. Espalhou-se também outra série de boatos. Alguns dos Comensais foram divididos em grupos. Os Paladinos Negros eram compostos unicamente de Aurores que foram corrompidos ou alistados à causa. Havia dois ou três bruxos que Voldemort batizara de Necromantes. Eles comandavam hordas de Inferi, que espalhavam o terror entre os trouxas. Eles só foram contidos graças a esforços constantes de uma grande equipe de Obliviadores.
Por último. O golpe de mestre de Voldemort. Uma importante arma que ele não possuía antes. Era um único bruxo. Ele era chamado de Dragão. Ele sozinho fora responsável pela morte do ministro da magia, que fora substituído pelo ex-auror Quinsley Shacklebolt. E por dois Inomináveis. Ele tinha uma marca negra pessoal, que invocava no ar sempre que terminava um trabalho. Era a caveira de Voldemort, mas no lugar da língua em forma de cobra, a língua tinha o formato de um dragão.
A guerra seguia calmamente, por mais estranho que possa parecer. O bruxo das trevas parecia mais preocupado em angariar forças para um golpe único e fulminante. Havia somente alguns desaparecimentos misteriosos eventualmente, mas fora isso a vida era quase normal. Na escola, Potter não deixava que ninguém baixasse a guarda e Mitkov era um dos mais ferrenhos defensores da tática de atacar o mal em seu covil, mas eles tinham o filho dos Potter. Ele jamais faria nada que pudesse resultar na morte de seu filho.
Mitkov passava seus dias em uma rotina um tanto quanto alterada: ele pegava uma espada em alguma das armaduras no castelo e treinava com elas também. Dormia cedo, logo depois de terminar o ensaio com a banda. Alleria às vezes segurava a sua mão quando estavam estudando somente os dois, só não o fazia quando Vanessa estava perto. Mitkov não reparou nessa peculiaridade.
Alguns meses depois do início da guerra... Uma hora da manhã. Mitkov dormia calmamente. Era a única coisa que conseguia fazer com o semblante tranqüilo. Subitamente a voz de Masako grita em sua mente. Ele acorda assustado. A varinha já estava apontando para os lados à procura do perigo quando a voz ecoa novamente em sua mente. Ele sente a presença de Pietro e Vanessa em sua mente também. Lee falava com todos ao mesmo tempo.
- Tem alguma coisa errada no castelo! Algo muito ruim vai acontecer... – e murmúrios indistintos em sua cabeça. Era quase insuportável. Ele já estava pronto. Vestido e arrumado, varinha em punho, pensando com toda a força que conseguia.
- Onde?
Ele corre para fora, tentando diminuir o barulho causado por seus passos. Lee estava tentando reunir os amigos no Salão Principal. Péssima escolha estratégica, mas mesmo assim, era o ponto comum mais próximo de todos. Ele subiu as escadas correndo. Graças aos deuses não esbarrando em ninguém, apesar da segurança mais rígida no castelo, ele chega ao Salão. Masako já estava lá, havia descido da Torre da Corvinal pegando passagens secretas quase desconhecidas. Pietro chega correndo logo depois vindo do Sótão da Lufa-Lufa. Vanessa chega por último, a Torre da Grifinória ficava no sétimo andar, o que explicava sua demora. Reunidos no escuro, mas sem falar nada, todos seguem Masako. Ele percebe que todos portavam as armas que ele havia dado de presente de natal. Somente ele estava desarmado.
Eles andam aleatoriamente pelo castelo, mas não encontrar nada. Até que, quando estavam passando por um corredor percebem, da janela, um súbito clarão verde e prata que, logo depois, estabiliza numa tênue luz verde. Masako dá um pulo impelido psiquicamente e se agarra na janela. Seu rosto amarelado fica com uma cor estranha graças à luz verde. Sua boca se abre num espanto mudo e ela cai da janela, três metros acima do chão. Pietro a pega antes que ela encoste no chão, impedindo que ela se machuque.
Ela tremia levemente, olhava para Mitkov e segurava a mão dele com força. Sua mão suava e estava gélida. Ela tentava manter a aparência calma, mas seus olhos lhe traíam. Ela inspirou profundamente e conseguiu dizer:
- Dragão... – foi o necessário para Mitkov entender o que passava. O clarão foi a Marca Negra pessoal do assassino de Voldemort. Ele havia invadido o castelo e feito uma morte. Mitkov pega uma espada em uma armadura próxima e ajuda Lee a se levantar. Pietro pega ela nos braços, fazendo o machado se recolher. Eles correm até a sala mais óbvia: a sala onde Potter estava alojado. Masako se segurava em Pietro um tanto quanto amedrontada. Mas não pelo motivo que todos pensavam. Ela não estava com medo do Dragão das Trevas. Estava com medo por que alguma coisa estava interferindo em seus poderes. E ela não conseguia ver o rosto do Dragão em suas visões. Não conseguia detectar nenhuma mente diferente próxima.
Pietro abre a porta com um chute, que faz com que a mesma fique pendurada em apenas uma das dobradiças. A sala estava quase vazia. Somente a esposa e os dois filhos de Potter estavam na sala. As crianças, ambas mais velhas que os quatro, olhavam amedrontadas para a porta. Ginerva apontava a varinha para eles.
- Onde está Potter? – Mitkov estava com pressa. Essa era a sua chance de brilhar. Sua chance de mostrar a todos que os Holopainen ainda possuíam seu valor. Ainda eram Caçadores das Trevas. A esposa de Potter não responde imediatamente. Aqueles quatro lhe eram conhecidos. Eram os jovens que seu marido falara nos duelos. Os prodígios. Um deles forte como um touro. Outra especialista em combates grupais. A terceira convocava as forças da natureza e o último, aparentemente o que falara com ela, lutava muito bem. E portava, no momento, uma espada. Ela balança a cabeça numa muda negativa. Ela não sabia onde o marido fora depois da Marca aparecer nos céus. Mas disse às crianças que a Marca aparecera antes de Potter sair do quarto, o que indicava que outra pessoa havia sido assassinada. Eles deveriam procurar. Masako já estava refeita do que quer que havia lhe afligido, mas apesar de andar e poder lutar, informa a todos que seu poder estava no mínimo. Ela corre com os amigos. Mas eles não sabiam aonde ir. Masako pede a todos para parar e fecha os olhos se concentrando. Lágrimas de sangue começam a escorrer de seus olhos, mas Mitkov impede Vanessa de interromper. Pouco depois a oriental abre os olhos mareados de vermelho e diz:
- Sala da Diretora. Ele pegou a Diretora Minerva McGonagall. – e todos começam a correr. Ao chegar no local, percebem a passagem aberta. A escada rolava lentamente para cima. A gárgula estava ao lado, imóvel, mas sem tampar a passagem. Eles correm escada acima e entram de supetão no escritório. Potter, o professor de Feitiços, Guilherme e Carlos Wesley, além de um ruivo e uma mulher de cabelos castanhos cacheados estavam na sala e encaravam os quatro. Mitkov armado com a espada e a varinha. Pietro com a varinha na mão e os músculos retesados. Vanessa trazia os olhos num estranho tom de azul e uma de suas mãos faiscava com eletricidade estática. Por último Masako com as íris vermelhas e os rastros das lágrimas de sangue. Um grupo estranho.
Mitkov analisa rapidamente a sala. Vê o corpo da diretora caído no chão atrás da mesa. A sala estava desarrumada e quebrada, com vários indícios de um combate feroz. A mulher de cabelos cacheados olhava para o grupo, com a varinha erguida, mas não apontada para eles. Potter murmura alguma coisa ininteligível para o grupo e todos relaxam a posição.
- Eu pedi para não se envolverem. Nenhum dos alunos sabia disso. – e se voltando para o grupo dele - Ele não pode estar longe. O corpo ainda está quente...
- Engano seu Harry. – era a mulher – O Dragão já provou anteriormente ser capaz de aparatar em locais considerados impossíveis de fazer tal coisa. Ele pode ter aparatado aqui, assassinado McGonagall e desaparatado para longe.
- Se ele pudesse fazer isso Mione, por que demorar tanto? – Era o ruivo desconhecido. Obviamente era parente dos Wesley.
- Ele precisava de um plano. Por isso as mortes causadas por ele são tão esparsas e tão perfeitas. Ele deve passar meses planejando cada morte.
- O que a Mione disse está certo Rony. – Potter falava novamente. O professor Carlinhos havia fechado a porta, mostrando que ele sabia que os quatro ainda estavam lá. Mitkov já havia baixado a espada, Pietro estava relaxado, embora sério, os olhos de Masako voltaram à cor preta habitual e Vanessa estava com uma aparência angelical e inofensiva.
- Na realidade atravessar tais feitios de proteção é relativamente simples. Se você conhecer um feitiço de forma astral. – Mitkov se aproximava dos adultos reunidos e todos olhavam para aquela criança de doze anos falando como gente grande.
- Mas esses feitiços são avançadíssimos... E quase desconhecidos... – a mulher falava com Mitkov. –Seria preciso anos de pesquisa para sequer ouvir falar deles. Eu mesmo os descobri a pouco tempo. E ainda não os dominei. – Ela falava olhando para Mitkov como um igual. Ela demorara anos para descobrir esses segredos, e ele com doze anos já os conhecia.
Os dois começam a discutir métodos e motivos até que o dia começa a amanhecer e uma equipe do Ministério da Magia chega e toma conta do caso. Os dois grupos são expulsos da “cena do crime”. O problema que devia resolver agora era outro. Quem seria o diretor da Escola. Depois de uma curta discussão decidem que Hermione Granger seria a nova diretora de Hogwarts. Mesmo não lecionando na escola. Assim ela teria liberdade para suas pesquisas e ela já havia feito uma faculdade trouxa de Administração o que a tornava perfeita para o cargo. Ela o aceita em caráter temporário e, durante o café da manhã, sua posição é informada aos alunos. A informação divulgada é que a Diretora Minerva foi assassinada enquanto estava fora do castelo. Sugestão de Mitkov. Assim não seria disseminado o pânico entre os alunos.
Logo depois do café da manhã, os quatro são reunidos com a nova diretora. Ela estava sentada na cadeira do diretor. Um gato laranja que parecia velho como o tempo estava enroscado em suas pernas. Se é que aquilo era um gato. Poderia ser ou um gato muito grande ou um tigre muito pequeno.
- Por mais prestativo que vocês fossem durante a noite, fornecendo informações importantes, eu devo duas coisas. Primeiro. Devo punir vocês por andar à noite no castelo portando armas. Segundo. Devo pedir sigilo sobre a morte de McGonagall e informar que já invoquei um encantamento que previne que qualquer forma astral entre no Castelo. Isso infelizmente prendeu os fantasmas no terreno da escola, mas é um mal necessário.
- Detenção diretora? A gente só queria ajudar... – Era Pietro. Ele não gostava da idéia de detenções. Mitkov e Masako, que já deviam uma detenção se entreolhara e sorriram.
- Qual seria a detenção senhora? – Os olhos de Masako faíscam num vermelho fugaz, logo retornando ao normal, fazendo Mione se perguntar se realmente vira aquilo.
- Dado um grupo tão especial, a punição será especial também. Vocês devem passar uma noite na Floresta Proibida. Fomos informados de que algo estranho está acontecendo na floresta. Algo de uma bondade incrível. A floresta está quase pacificada. Existe algo novo dentro daquele lugar. A missão de vocês será descobrir o que está acontecendo.
Os quatro saem e vão para suas respectivas aulas. A escola ainda vivia, quase não sentira a morte da diretora. Ninguém soube que ela fora morta dentro da Escola. Foi o segundo diretor a ser morto nos territórios da escola. Primeiro o lendário Alvo Dumbledore. Agora, Minerva McGonagall.
Os ritos funerários foram realizados nos jardins do Castelo. Fora uma cerimônia simples, mas com vasta presença de pessoas importantes. Todos os alunos compareceram. Depois da cerimônia, o corpo foi queimado, segundo as vontades da falecida. Suas cinzas foram reunidas e logo depois, espalhadas pelo terreno da escola. Mas um terço das cinzas foram espalhadas sobre a tumba de Dumbledore, que ficava num pedaço semi-oculto do jardim. Essa era a última vontade de Minerva McGonagall.
A rotina da escola seguia pouco alterada. A segurança ficara ainda mais rígida e as aulas de duelos estavam cada vez mais difíceis. Feitiços de defesa avançados eram ensinados e por mais de um duelo, Mitkov se viu obrigado a utilizar o Estilo Holopainen e convocar uma espada. Pietro algumas vezes desistira de utilizar a varinha e jogava o oponente longe, enquanto os feitiços mais fracos batiam em seu peito sem fazer efeito. Masako treinava lutando contra três oponentes por ordem dos professores. Seu dom da vidência em combate era usado à exaustão. Vanessa sempre tocava o oponente e liberava uma descarga elétrica que desacordava o oponente.
Os quatro eram bons no que faziam e sua fama já se espalhava no colégio. Uma vez, num duelo de demonstração, os quatro foram convocados para lutar contra um professor. A intenção era mostrar como um bruxo adulto reagiria a diversos atacantes. Foi uma escolha infeliz de oponentes. O professor fora derrubado rapidamente, um grande corte de espada no peito sangrava muito, enquanto um forte zumbido em sua mente o impedia de pensar. Pietro quebrara o braço da varinha e, por final, Vanessa o fez desmaiar com uma descarga elétrica. Depois que o oponente fora derrotado, os quatro se entreolham e Mitkov limpa a espada, a colocando no lugar.
- Da próxima vez escolha um grupo de pessoas que não sejam amigas. Assim elas não coordenam o ataque. – Masako desce do palanque. Fora ela que criara o link mental que coordenara a todos. Mitkov ficara demoníaco contra um oponente dito superior.
As provas chegavam cada vez mais rápido e Alleria os ensinava matéria avançada. Agora até mesmo Pietro compreendia matéria de uma série acima. Mitkov já estava estudando a matéria que Alleria havia aprendido no início do ano, tendo passado pela da terceira série. A do segundo ele já sabia de cor. Masako tentava acompanhar, mas não conseguia. Mitkov ficava até tarde estudando. A guerra estava transformando ele em outra pessoa. Ele se distraía cada vez mais. Encarava tudo com mais seriedade do que o necessário e ficara uma semana sem falar com Vanessa depois que ela tentara beija-lo. Ele disse que não estava pronto para esse tipo de coisa.
Talvez nunca estivesse. Alleria brigou com Vanessa pouco depois. O professor de feitiços começou a se utilizar da ajuda de Mitkov nas aulas. Ele fazia com que Mitkov corrigisse os alunos, já que a maioria deles estava apresentado dificuldades na matéria. Alguns dias depois ele passou a auxiliar nas aulas de Poções e Duelos também.
Os alunos mais avançados ficavam irritados com a intromissão de Mitkov nos duelos, afinal, eles deveriam saber mais do que ele. A resposta do professor às reclamações foi marcar um duelo entre o reclamão e Mitkov depois que todos os duelos fossem encerrados. Ele liberou os alunos, mas deu permissão para que assistisse. Ninguém saiu. O autor da reclamação era da sexta série enquanto Mitkov era da segunda.
Mitkov usa um feitiço convocatório e trás uma espada às suas mãos. Troca a varinha de mão bloqueando um feitiço do oponente. Ele começa uma dança se aproximando do oponente. Ele bloqueia alguns feitiços com a espada e outros com a varinha. Quando está próximo o suficiente ele lança um simples Expelliarmus sem falar uma palavra. A varinha do oponente voa enquanto a espada traça um arranhão no peito do oponente. O uniforme preto do adversário arruinado, e o mesmo no chão com o susto do golpe. Mitkov pisa no peito dele, o empurrando para o chão com força, sua espada toca o pescoço do sextanista. O corte fora claramente de raspão. Mitkov havia nitidamente segurado o golpe. O adversário poderia estar morte se ele quisesse. A raiva nos olhos do oponente era claro. Mitkov acabara de provar que não era necessário feitiços poderosos para se ganhar um duelo. Simples estratégia era o suficiente.
- Mais alguém irá reclamar quando esse aluno os corrigir durante um duelo? – O professor de feitiços olhava para os outros alunos que estavam em completo silêncio. – Mais alguém?
Silêncio. E rostos admirados.
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 12 – Esmerald Sword

Mensagem  Radamael em Sab 09 Out 2010, 22:23

A detenção veio rapidamente sobre os quatro. Mas Masako avisara que a diretora queria testá-los mais do que puni-los. Os quatro iriam para a Floresta Proibida. Iriam descobrir o que havia de diferente na mesma. E iriam sozinhos. Em caso de necessidade, deram uma chave de portal. Ela os levaria diretamente ao local onde a diretora estivesse. Mitkov se prepara apropriadamente. Descobrira, com a ajuda de Masako, que um dos anéis criava uma espécie de escudo místico em seu braço. E uma leve armadura em seu corpo. Era impressionante. O outro ele achava que impedia Masako de ler seus pensamentos. Mas nunca o tirara para testar. A noite da detenção chega e os quatro se reúnem no Salão Principal às dez da noite de uma sexta feira. Assim teriam tempo de fazer o que for preciso sem perder aulas. No sábado havia somente um jogo de quadribol. Grifinória contra Corvinal. Ou seja, Masako e Vanessa deveriam jogar. Mas o jogo era à tarde. Elas somente não iriam descansar apropriadamente. Pietro ri isso somente aumentava as chances da Lufa-Lufa, que graças à Masako estava em última no campeonato.

Eles se entreolham e ficam em silêncio. Eles iriam esperar o responsável por levá-los na Floresta. Cinco minutos depois, a própria diretora Hermione Granger desceu as escadas. Olhou para eles com um sorriso bondoso. Abriu as pesadas portas de carvalho com um gesto da varinha. Ela falava alguma coisa, mas Mitkov a ignorava. Estava concentrado nos perigos que poderiam estar ocultos na Floresta. Ele sabia que iriam vê-los à distância com poderosas magias. Eles eram bons, mas havia criaturas negras naquele lugar. Centauros, acromântulas e lobisomens se os boatos estivessem certos. Mas a lua estava minguante, o que impossibilitava um possível encontro com lobisomens nativos da Floresta, mas centauros e aranhas gigantes era sempre uma possibilidade.
A floresta se aproximava lentamente, a lua pouco fazia para iluminar a floresta densa. Na orla da mata, Pietro ergue sua varinha e murmura:

- Lumus Máxima. – a ponta de sua varinha se inunda com uma luz forte. Masako aponta para a varinha dele com a própria e diz:

- Finite Incantatem! Sem luz. – ela olha para os lados. Esperando algo pular das sombras sobre eles. Felizmente estava muito próximo da orla da mata para haver algo espreitando nas sombras. Ela olha atentamente para as sombras. Seus olhos emitem um rápido fulgor rubro. Ela volta a encarar os amigos e a diretora. Os olhos num vermelho escuro. – A iluminação atrai os monstros.

- Mas como irão enxergar? – a diretora sorria. Mitkov a encara e pega sua varinha. Murmurando num idioma desconhecido e cortando o ar com sua varinha em volta de cada um deles, ele tece um encantamento. Os olhos de cada um deles se adaptam rapidamente à escuridão. Eles olham para a floresta, impressionados. Isto é, Vanessa e Pietro olham impressionados. Masako olha com indiferença, simplesmente deixando que seus olhos voltassem à cor habitual. Para onde eles olhavam viam a luz natural se ampliar. Como se fossem animais noturnos, o que era a intenção do feitiço. – Muito esperto... – a diretora volta a falar. Logo depois ela se despede silenciosamente e sai deixando-os sozinhos na fronteira da floresta.

Lee olha para as costas da diretora se afastando e convoca a adaga que Mitkov lhe dera. Ela faz com que a adaga flutue sobre sua mão aberta, pronta para atacar qualquer ângulo. Pietro e Vanessa invocam suas armas também. O machado e a lança aparecem nas mãos de seus donos e eles avançam.

A oriental permanece sempre uns passos à frente do grupo, atenta a todos os perigos. Ela simplesmente não fazia barulho ao andar. Nunca pisava em folhas ou galhos secos. Pietro por outro lado conseguia anunciar para metade da floresta que eles estavam ali. Vanessa olha para o grupo pede para esperar um instante. Todos param e olham para ela.

Ela estava com os olhos fechados. Rápidos tremores percorriam sua pele. Masako fala em voz baixa para todos ficarem quietos. Diz que Vanessa estava bem. Acalma Pietro que já começava a tentar se aproximar de Vanessa. Ele para no meio do caminho, ao ouvir a voz de Masako. Mitkov continua a olhar a situação com uma visão puramente científica.

A garota começa a se contorcer, mas não aparentava sentir dor. Pelos começam a crescer em todo o corpo e o rosto dela se contorce e se prolonga numa espécie de focinho lupino. Alguns segundos depois a transformação se completa. Onde estava Vanessa havia agora um lobo com pelos prateados. Havia uma mecha de pelos roxos no ombro dianteiro esquerdo do lobo em forma de lua crescente. O animal ainda trazia o brilho da inteligência nos olhos. Farejava Pietro e Mitkov amigavelmente. Talvez como forma de mostrar que ainda era a mesma Vanessa. O sonserino a olhava com interesse. Ele era de fato o elo mais fraco dessa corrente.

Isso não o agradava nem um pouco, mas tudo que podia fazer era compensar em treinamento o que os amigos tinham em Dons Naturais. Ele era um Holopainen. Mas isso aparentava não importar nesse grupo. Felizmente ele era esforçado. E assim tentava compensar seus “defeitos”.

Agora com o faro de Vanessa e as premonições de Masako, eles se guiavam mais facilmente pela mata. Guiavam-se, mas não sabia o que procuravam. Eles ouviam farfalhares ocasionais ao longe, às vezes próximo, mas nunca viam nada. Exceto quando Vanessa eriçou os pelos e Masako se armou, Mitkov entrou prontamente numa posição defensiva. Pietro foi mais lento em perceber o que ocorria e quando ele ergueu o pesado machado eles já estavam cercados. Aproximadamente sete centauros estavam cercando-os e apontando suas flechas contra o grupo. Lee estava com os olhos perfeitamente negros, o que agradou Mitkov. Ele não tinha medo de lutar, mas não gostaria de gastar energia em combates desnecessários em ambiente hostil.

- São filhotes. – Mitkov ouviu um deles falando com os outros em seu próprio idioma. Ele compreendia somente graças ao Dom das Línguas que sua família possuía.

- Mas estão portando armas. Em nossa floresta. – outro havia dito. Estava escuro nessa parte da floresta e a magia de Mitkov não permitia que eles vissem muita coisa sem um mínimo aceitável de luz. Viam somente os corpos semi-eqüinos e vultos dos torços humanos. As únicas coisas que viam com clareza eram as pontas brilhantes de metal das flechas que apontavam para eles.

Ele não estava disposto a ouvir calmamente enquanto esses seres discutiam o que deviam fazer com eles. Ele não sabia o suficiente sobre centauros para ter certeza do que eles fariam com essa situação. Seus olhos buscam Masako e ele se acalma um pouco ao perceber a calma dela. Se ela não estava nervosa era porque eles não eram hostis, pelo menos não ainda...

- Não viemos perturbar seu território. Somos alunos e estamos em detenção. Estamos procurando algo de grande bondade na floresta. – Mitkov havia falado no idioma dos centauros, o que causou estranhamento por parte de seus amigos. Mesmo Masako o olhava com curiosidade. Ele nunca explicara aos amigos sobre os dons de sua família. Ele até mesmo fingia não entender quando Lee ou Vanessa falavam em japonês ou russo. Para os amigos ele falava somente inglês e finlandês.

Os centauros se entreolham curiosos. Alguns abaixam as armas. O idioma dos centauros somente era ensinado aos maiores aliados da raça. Para eles o fato de Mitkov ter respondido no idioma deles mostrava que o garoto era, no mínimo, um forte aliado deles. Os centauros remanescentes abaixaram as armas com um sinal do líder do bando. Ele vai para um lugar onde a luz prateada da lua o iluminava com mais força, permitindo que todos o enxergassem perfeitamente.

- Seja bem vindo, aliado de meu povo. Pode me dizer qual grupo é seu aliado? – ele sorria enquanto falava e gesticulava bastante. Falava em inglês, aparentemente como forma de mostrar que não tinham más intenções.

- Obrigado por não nos atacar. Minha família é aliada de um pequeno grupo na Floresta Negra. Os recebemos em nosso bosque quando foram atacados. Os defendemos de seus inimigos. Nos tornamos aliados. – Mitkov falava sem hesitar. Era uma história verdadeira, o único problema era que havia mais de duzentos anos que isso ocorrera.

O bando balança a cabeça, como que concordando com algo. Por um momento Mitkov não soube se eles conheciam a história e sabia que era coisa antiga ou se eles acreditavam.

- Obrigado por defender nossa raça. Soubemos do ataque à Floresta Negra. Aparentemente o novo bruxo das trevas está expandindo seus territórios. Vaguem com liberdade pela floresta. Não iremos mais impedir seu movimento. Caso encontre e queira, será bem vindo em nossa aldeia... – e vira as costas para o grupo. Todos os centauros começam a cavalgar para longe, saltando e correndo aparentemente não se incomodando com o mato resvalando em seus corpos.

Os quatro estavam novamente sozinhos. Vanessa lambe a mão de Mitkov, que olha para baixo. Ela teve medo dos centauros. Masako olha para Mitkov com uma expressão vazia e Pietro dá uma tapa nas costas do sonserino, o que quase o derruba no chão. Subitamente Lee se vira e começa a correr pela mata. O grupo corre atrás dela, Pietro com dificuldade graças ao mato cerrado. Eles correm até que chegam numa vasta clareira. Um estranho barulho de cliques os cercava. Masako olha para o grupo, a expressão voltando ao normal. Ela cai de joelhos no chão, seus olhos haviam começado a sangrar. Como ocorria quando ela se esforçava demais.

Eles se unem no centro da lareira. E Vanessa solta um ganido estranho. Pietro ergue seu machado ao perceber movimentação na mata próxima. Havia uma única árvore no centro da clareira. Masako vai até ela e se encosta para descansar. A árvore estava negra e retorcida, como se houvesse sido queimada. E seu interior estava aberto. Antes que Mitkov pudesse investigar alguma coisa ele vê seis aranhas maiores que um cavalo vindo na direção do grupo, fazendo com que os cliques se tornassem mais altos. O grupo percebe que o clique vinha das quelíceras que batiam freneticamente. Mitkov pensou ter as ouvido conversando entre si. Ele sente em sua cabeça a presença de Vanessa, Masako e Pietro. Aparentemente a oriental havia criado o link empático entre os quatro. Era impressionante que o que quer que impeça a entrada de Masako em sua mente, não impedia atitudes não hostis. Vanessa se ergue nas patas traseiras e inicia outra transformação. Pietro fica perto dela, em posição atenta a qualquer coisa que se aproximasse. Os olhos de Lee começaram a sangrar, quando ela ergueu a adaga no ar novamente. Centenas de aranhas menores formavam um tapete vindo lentamente na direção deles. As aranhas gigantes, acromântulas na realidade, aparentavam liderar as outras.

Mitkov com seus reflexos treinados foi o primeiro a tomar a iniciativa. Um rápido feitiço feriu uma das gigantes e chacinou centenas das menores. Girando a varinha numa velocidade surpreendente ele ergueu uma pequena barreira de fogo, impedindo que o tapete de aranhas chegasse neles, mas não fazendo nada contra as maiores. Vanessa terminara a transformação. Havia se transformado numa espécie de lobo antropomórfico. Um lobisomem mais humano. As vestes dela haviam voltado a aparecer. Mas havia garras em suas mãos. Ela pula na aranha que chegara mais perto, arranhando as garras longas no animal. Pietro aproveita a distração da aranha que Vanessa estava em cima e passa o machado nas pernas do monstro. Ele consegue erguer uma das patas, mas a outra é decepada, um líquido esverdeado espirra no rosto de Pietro.

Uma das aranhas se aproxima perigosamente de Masako, mas ela estaca com o olhar da garota. O sangramento em seus olhos aumentava, mas a aranha estava parada. Ela e o monstro estavam se encarando. Os cliques das quelíceras daquela aranha em particular estavam cada vez mais frenéticos.

Alheio a Masako, Pietro decepa mais duas pernas da aranha, a fazendo cair com Vanessa por cima. Mitkov recita o encantamento da barreira de fogo várias vezes, até que ele consegue segurar a última aranha gigante longe. Cinco das acromântulas conseguiram passar da barreira de fogo antes de ela conseguir crescer o suficiente para impedi-los. Uma das aranhas estava no chão e encontrara sua morte quando Pietro acertou o machado na parte da carapaça que Vanessa estava fragilizando com suas garras. Mais do líquido esverdeado espirra em Pietro. A segunda aranha cai no chão, imóvel. Junta a ela cai a corvinal, seu rosto manchado pelo sangue do excesso de esforço.

Uma terceira aranha vinha em direção a Mitkov. Ele já havia ferido aquela com seu feitiço inicial, mas ela não parecia muito danificada. A quarta se une à terceira tentando flanquear Mitkov. A última vai em direção a Pietro e Vanessa. A lobisomem saca sua varinha e aponta para uma das aranhas que chegavam em Mitkov. Um relâmpago cai dos céus atingindo o animal, mas ele continua indo em direção ao sonserino. Ele disparava feitiço atrás de feitiço numa tentativa desesperada de afastar os monstros.

A aranha que fora atingida pelo raio subitamente percebe Masako caída no chão. Somente Mitkov percebe isso, Vanessa e Pietro sugados novamente pelo frenesi do combate. Ele corre em direção à Lee, o que se provou um erro, pois a acromântula que ele estava enfrentando aproveitou sua distração e afundou suas quelíceras na perna do garoto. Ele sente a dor quente começar a se espalhar por seu corpo, mas consegue chegar onde estava Masako. Ele se apóia na árvore queimada e começa a disparar feitiços na aranha que ia tentar capturara Lee.

A dor do ferimento na perna começa a se espalhar mais rápido e ele sente sua perna arder. As duas aranhas param, aparentemente observando o poderoso veneno agir. A mente de Mitkov começa a se nublar e ele percebe o brilho de três raios incinerando a aranha que a grifinória e o lufo enfrentavam. Suas mãos trêmulas encostam na árvore e a mão esquerda entra num buraco negro, oculto para que simplesmente olhava para a planta de longe. Sua mão se fecha numa coisa fria. A temperatura era diferente da do resto do toco queimado. Parecia um cabo de espada. Ele ri. O veneno parecia começar a afetar a sua mente. Mas sua visão em vez de escurecer, clareava. A dor diminuía. As forças voltam e o cansaço desaparecia.

Ele aperta o metal com mais força e puxa. E, para sua surpresa, ele saca uma espada levemente esverdeada da árvore. Ele olha abismado para a espada e, automaticamente, troca de mão, passando a varinha para a mão esquerda. Sua mente agora já estava normal, sua perna perfeita. Ele olha para as duas aranhas e sorri. A espada se inflama subitamente em fogo branco.

Agora ele tinha certeza. A espada passa a mostrar um brilho prateado. Os olhos negros de Mitkov se tornaram metálicos. Da cor do aço. O fogo branco iluminava os dois. Ele via Masako caída ao seu lado, via Vanessa abaixada olhando alguma coisa no chão. E via as duas acromântulas na sua frente.

Ele olha para os inimigos e sorri novamente. Ele havia encontrado a Holopan. A espada lendária de sua família. E ela o havia aceitado. Ele já não sentia mais os amigos em sua mente, Lee não conseguia mais manter o elo. Isso mostrava que ela estava inconsciente. Ele avança para longe da árvore, indo para os inimigos calculadamente. A primeira aranha, ferida pelo raio de Vanessa, avança impetuosamente. Ela provavelmente acreditava que o veneno havia feito efeito sobre a mente do rapaz. Com um movimento treinado à exaustão, ele afunda a lâmina sagrada na criatura. A carne corrupta do monstro queima com o fogo sagrado. O sangue chia com o calor da arma, mas para Mitkov ela estava fria como um pedaço aço normal. A espada afunda cada vez mais até que separa as partes que cortou e sai, pelo outro lado.

O ser tomba pesadamente no solo, espalhando a gosma no chão. A outra parecia reticente quanto a avançar, mas era impedida de recuar pela barreira de fogo. Ela queimava cada vez mais fraca, mas ainda impedia de voltar. Mitkov avança, mas essa aranha parecia mais esperta que a anterior. Ela não atacava rapidamente, esperando brechas nas defesas de Mitkov. O rapaz por sua vez lançava feitiços eventuais, mas a maioria deles resvalava na carapaça da criatura.

Num golpe calculado, ele decepa as duas patas dianteiras da criatura. Sorri quando a gosma verde espirra em sua direção, mas nenhuma gota o atinge, sendo bloqueadas pela espada e por um leve feitiço de proteção. A aranha tomba a seus pés, mas não desiste de lutar, Ainda tentava se ergue com as patas que sobravam. Ela se contorcia no chão e olhava para Mitkov. Ele viu o medo nos múltiplos olhos multifacetados do animal. E acabou com o sofrimento dela. Sua espada foi certeira. Exatamente no meio dos olhos. Afundando e ele ouvia o chiado no interior do monstro. O fogo cauterizando tudo que encontrava pela frente. Tudo que tocava a espada. Até que, num último espasmo de morte, ela para. Mitkov tira a espada. Olha para a lâmina. Limpa. O fogo purificava a espada. Evaporara tudo o que havia ficado na lâmina.

Seus olhos correm ao redor. Masako estava próxima, desmaiada. Vanessa estava na forma humana, afastada e estava sobre Pietro. Tentava fazer curativos improvisados, mas o rapaz se contorcia de dor. O tapete de aranhas havia fugido quando viram o grupo exterminar suas líderes. Não eram aranhas comuns. Provavelmente filhos de acromântula. O sonserino corre até Pietro, a Holopan ainda em sua mão direita. Assim que se aproxima, percebe um ferimento no braço do garoto. Era por isso que ele se contorcia. Havia sido envenenado. Mitkov sabia como ele se sentia. Ele mesmo havia sido envenenado. Sentiu a dor até tocar na espada.

No fim do cabo da espada sagrada, um diamente se ilumina. Ele encosta a espada Holopan no braço ferido do amigo. A Holopan fica levemente esverdeada enquanto as feições do lufo se atenuam. Mantendo a lâmina da espada encostada de lado no ferimento, ele vê o ferimento se fechando enquanto Pietro abre lentamente os olhos. Ele se senta bruscamente, tossindo e olhando ao redor. Ele vê os corpos das aranhas em volta e sorri. Logo depois reclama da roupa suja. Percebe que Vanessa também estava respingada, mas Mitkov só estava sujo do próprio sangue e de terra. Não havia a gosma das aranhas em suas roupas. Ele volta a olhar em volta aparentemente procurando alguém.
Nisso Mitkov se lembra de Masako. Corre até a oriental e vê o rosto sujo de sangue. Vê também a aranha morta próxima a ela. Morta, mas sem nenhum ferimento. Ele se abaixa, ignorando esse fato e encosta a espada na garota. Subitamente a espada se inflama com o fogo branco e Mitkov consegue tirar a espada de perto antes que ferisse a garota.

- Droga... Ela tem sangue de demônio... A Espada Sagrada não pode curar ela. – e olhava para a espada, um tanto quanto decepcionado. Pensava que a espada reconhecesse a moral da pessoa, mas ela iria ferir Masako simplesmente por causa de seus pais.

Ele busca os amigos, encostando a espada em Vanessa, o que a cura dos arranhões e outros ferimentos que ela adquirira. Guia-os até Masako e pega, na mochila, a Chave de Portal. Encosta Masako nela e faz com que todos os amigos toquem no espelho quebrado que ele segurava.

Todos sentem que o chão lhes foge dos pés. Sentem como se fossem fisgados pelo umbigo. São puxados para longe. Para algum local desconhecido. Subitamente todos param num lugar. Mitkov é o único a ficar em pé. Ele segurava Masako e não podia se dar ao luxo de cair no chão simplesmente por causa da desorientação de um transporte. Ele inspira profundamente o ar que a pouco lhe faltava. Ele ergue a cabeça e vê a porta do Castelo. Na porta estavam Potter, o Chefe dos Aurores e a Diretora Granger. Ela corre assim que os vê chegar, chegando pouco depois e tomando Masako dos braços do rapaz. Pietro dá um sorriso cansado ao passar por Potter. Vanessa passa arrogantemente por ele e Mitkov fica parado. A diretora leva Masako até a enfermaria e Potter fica olhando para Mitkov. Ele suspira e caminha até o auror. A Holopan ainda estava em sua mão.

- Achou o Bem que se ocultava na mata? – disse Potter quando o sonserino passava por ele.

- Está na minha mão. É a espada de minha família. Holopan, a Caçadora das Trevas. – a espada treme em sua mão. Quase como se reconhecesse seu nome. Ele vai andando calmamente até sua Casa, passando por Potter e pelo General dos Aurores sem falar mais nada. Ao entrar vai direto para o banheiro. Alleria e Aurora estavam dormindo próximas à lareira, de forma que ficasse o mais longe possível uma da outra sem se afastar demais do fogo. Ele dá um de seus raros sorrisos. Fora um dia bom. Fazia muito tempo que ele não lutava com ninguém de forma decente. Ele vai até o banheiro e se olha no espelho. Estava péssimo. Sujo. Cansado. Precisava tomar banho. No dia seguinte ele iria dormir até tarde, para descansar melhor o corpo.

Ele olha atentamente para a espada. O peso perfeito. A leveza incomum. Os desenhos no cabo. Ele inspira profundamente olha novamente para o espelho. Seus olhos estavam estranhos. Estavam ficando mais claros. Metálicos. Da cor do aço. Ele e a espada eram um. Ele sentia em sua mente a perícia de todos os Holopainen que já portaram a espada. Sentiu muito forte a ausência de seu pai. Mas a espada não carregava seus antepassados. Somente suas habilidades. Era somente uma falsa sensação de unidade. Mas ele sabia o que fazer. Encosta a espada nas suas costas e ela desaparece de sua mão.

Ele tira a roupa e vira de costas. Segura o longo cabelo negro no alto para olhar suas costas. Estava ali. Como uma tatuagem. Percebe seus olhos voltando à cor negra habitual. Ele estava cansado, mas consegue se forçar a tomar um longo banho quente para relaxar os músculos.

Ao encostar na cama ele dorme quase instantaneamente. Um longo sono sem sonhos...

E no dia seguinte acorda tarde, como havia prometido a si mesmo: levantou-se às seis e meia...
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Holopainen - by Radamael Empty Capítulo 13 – Amaranth

Mensagem  Radamael em Sab 06 Nov 2010, 10:38

O ano passava rapidamente. Depois de sua segunda morte, Voldemort parecia muito mais cauteloso. Estava tentando vencer pelo cansaço. Eram ataques raros, mas sempre bem executados. Com a única intenção de espalhar o medo, que crescia entre todos. Mitkov e sua mãe passaram as férias de verão juntos. Eles viajaram para Sérvia. Sua mãe possuía um pequeno apartamento lá e achou bom que o filho ficasse longe da guerra. Pelo menos por um tempo. Suspeitava também que Tuomas estivesse lá. Ela sabia que seu filho estava com a Holopan e sabia que o marido procurava pela espada. Ela temia que se espalhasse o boato de que estavam novamente com a Holopan os caçadores voltassem, portanto tentava confiar na perícia do marido em adivinhação.

Levava o filho a todos os possíveis locais turísticos do pequeno país. Próximo do apartamento havia um shopping aonde iam com certa freqüência para comer. Iam ao cinema também. Mitkov parecia gostar muito dos filmes trouxas. Eram melhores que as fotos bruxas. Em uma ocasião, Mitkov pedia para a mãe para deixá-lo ir aos brinquedos. Ela quase chorara de emoção. Mas ela nem mesmo desconfiou que Mitkov só havia feito isso para alegrar sua mãe. Ele pega a ficha e suspira cansado. Era difícil fazer sua mãe feliz...

Ele escolheu um dos fliperamas e foi jogar. Seu título era “Road of the Death”. Ele se identificou com o nome. Colocou a ficha e pegou a pistola de plástico no suporte. Quando ia apertar o botão para começar o jogo alguém apareceu do seu lado.

- Posso jogar? – era uma voz feminina, mas Mitkov não se dera o trabalho de olhar para o lado.

- É um país livre. – seco. Curto. Como sempre. Ele estava com a pistola em guarda baixa. Viu pelo canto dos olhos uma mão muito branca e de unhas negras colocar uma ficha na máquina e sacar a segunda pistola do suporte. Mitkov bateu no botão com a pistola, sem tirar a guarda. O jogo começou e ele acompanhou a curta história do início do game. Logo depois começaram a surgir zumbis na tela. Ele atirava sem piedade. Todos os tiros acertavam nas cabeças que apareciam na tela. Sua companheira desconhecida quase fora atingida duas vezes, mas ele matara os atacantes antes de causarem danos.

A garota ria gostosamente com o jogo. Tinha uma voz bela, mas Mitkov a ignorava. Ele queria acabar com o jogo e ir para a casa fazer exercícios. Ainda não havia terminado os trabalhos de casa por que sempre que ele ficava algum tempo fazendo eles sua mãe o chamava para sair. O primeiro chefe morreu rapidamente. A garota até que jogava bem, mas Mitkov não olhava para ela. Algum tempo depois, ela morre, mas coloca outra ficha para continuar o jogo. Mitkov sofre somente um golpe durante todo o jogo, para o chefão que ele descobriu ser o chefe final. Perdera a conta de quantos zumbis matara ao longo do jogo. E também de quantas vezes salvara a sua parceira. Ao terminar o jogo olha para fora da loja, ainda ignorando a garota a seu lado e vê sua mãe sorrindo com algumas bolsas nas mãos. Aparentemente ela aproveitara para fazer compras enquanto ele estava distraído.

Ele vai em direção a sua mãe. E quando chega perto dela sente alguém segurando seu pulso. Olha para seu braço e vê a mão de unhas negras o segurando.

- Não vai nem mesmo falar comigo? – novamente a voz melodiosa. Sua mãe olhara curiosa para a garota, mas Mitkov compreendera perfeitamente. Seu Dom das Línguas permitia que compreendesse sérvio com facilidade. Ele inspira profundamente e se vira olhando pela primeira vez para a garota.

Seu queixo é segurado por pura força de vontade. E mesmo assim foi por pouco. Ela era linda. Tinha a pele muito branca de quem provavelmente nunca vira o sol. Tinha cabelos muito escuros. Por algum motivo não parecia negro... Era quase como o céu noturno... Assim como seus olhos. Mitkov se perdeu por uns instantes em seus olhos. Por somente um desses instantes teve a impressão de ver estrelas nos olhos dela. Seus lábios eram pintados com um batom azul escuro que contrastava fortemente com sua pele. Ela vestia uma camisa preta, provavelmente de uma grife local e uma calça de couro também preta. Em seu pescoço trazia pendurado um cordão que aparentava ser de prata com um grande crucifixo. Mesmo isso ele acha atraente. Ele não conseguia parar de olhar para a garota. Seu corpo não respondia direito. Ele estava somente encarando a garota. Sua expressão estava congelada no mesmo olhar de quando ela o segurou. Somente ergueu as sobrancelhas ao se virar.

- Aparentemente não... – dia a garota e solta o pulso do garoto, se virando. O cabelo preto ou azul meia noite passa bem perto de Mitkov que sente o cheiro inebriante do que quer que ela passe na cabeça. Essa garota não era normal de forma nenhuma. Havia algo de muito estranho nela. Nunca garota nenhuma o deixara daquela forma. E não foi por falta de tentativa. Afinal, de acordo com Pietro, tanto Alleria quanto Vanessa tentava com freqüência. Ele nunca percebera nada, e Pietro não era capaz de tirar conclusões precisas. Quando ele perguntou para Masako ela simplesmente começara a rir histericamente... Então mesmo sem tentarem, ninguém o deixara daquela forma. Ele tinha somente treze anos recém feito. Seria isso normal?

- Desculpe... – respondeu ele com dificuldade no idioma da garota. – Eu... Não... – e sua mãe aparentemente percebendo o que quer que estivesse ocorrendo, resolveu intervir.

- Desculpe, mas nós somos da Inglaterra... Não falamos seu idioma. – uma diplomata. Como era típico de sua família.
A garota se vira, fitando principalmente Mitkov com aqueles olhos brilhantes. Mitkov percebe também que ela possuía longos cílios negros. O rapaz ficou levemente vermelho com o olhar dela. Não sabia o que falar. Na verdade, não queria falar nada, somente continuar olhando.

- Tudo bem. Pensei que fossem daqui. Desculpe incomodar. – a garota falou num inglês perfeito. Somente um leve sotaque mostrava que não era inglesa. Um sotaque muito menor do que o de Leneth. E se vira novamente.

- Não... Espere. Deixe-me pagar um lanche para vocês... Aposto que tanta jogatina deve ter cansado... – a mãe de Mitkov tocara o ombro da garota, mas não segurara dando a opção dela sair sem problema. A garota dá um sorriso e aceita, com um aceno da cabeça. Mitkov percebe os dentes muito brancos, ainda mais brancos que sua pele.
Sua mãe os leva até um Mc’Donald e deixa que ela peça qualquer coisa. A garota pede o lanche mais simples, mas sua mãe aumenta o tamanho de tudo o que ela pede. Como Mitkov não falara nada e voltara a sua postura fria habitual, sua mãe pedira para ele a mesma coisa que ela pedira. Guia os dois para uma mesa vazia na praça de alimentação e se senta deixando os dois lado a lado. Sua mãe precisava perder essa mania horrível. Ela vivia fazendo o mesmo com Vanessa e Alleria.

O lanche chega pouco depois e Mitkov come silenciosamente enquanto sua mãe e a garota conversavam animadamente. Sua mãe enchia a garota de perguntas sobre o país, sobre locais para se visitar e sobre a vida que se levava por esse lado da Europa. Aparentemente eles se recuperaram muito bem da guerra. Pelo menos nos bairros onde eles andavam que eram os mais destacados.

A garota tratava sua mãe com muita educação e logo sua mãe a convidara para assistir um filme com eles. A garota diz que precisava informar os seus pais, coisa que sua mãe facilita emprestando o seu celular. Assim os pais dela poderiam ligar para ela caso ficassem preocupados. Com a autorização paterna, eles vão assistir a um filme. Leneth compra inúmeras guloseimas. Ao entrarem no cinema ela diz baixo para somente Mitkov ouvir:

- O nome dela é Amaranth, como a flor. – e volta para onde estava. A fila estava pequena e o filme não era dos mais visto nesse horário. Era um filme de terror e eles ainda estavam no início da tarde. Ao entrarem, eles procuram um lugar bem atrás, nas últimas fileiras e se sentam. Quando o filme começa sua mãe diz que não gostou do lugar e deixa os dois ali, com as guloseimas indo mais para as fileiras do meio da sala. Mitkov estranha, afinal fora sua mãe que escolhera os lugares e ela sempre preferiu ver os filmes nas últimas fileiras. Ainda pensando no motivo para a dificuldade em desviar o olhar da garota, ele tenta assistir ao filme. A sacola de doces estava aberta no meio dos dois e por algumas vezes as mãos dos dois se tocavam acidentalmente. Ela tinha a mão fria, mas provavelmente era somente um efeito do ar condicionado. Ele ficava ruborizado quando suas mãos se tocavam.

- Você não vai mesmo falar comigo? – ela murmurou em seu ouvido. O tom de voz dela fez com que um estranho arrepio percorresse seu corpo. Ele olha para a garota e por um instante percebe novamente estrelas nos olhos dela. Mas elas somem rapidamente deixando a dúvida de se realmente estiveram lá. – Não quer me perguntar nada? – ela ainda olhava dentro dos olhos de Mitkov, como se buscando descobrir o que ele pensava. Quase como Lee.
Ele balança a cabeça negativamente. Não tinha nada para perguntar. Exceto que ele queria saber o porquê de ela ser diferente. O que ela era. Mas não podia perguntar isso para uma trouxa.

- Você não fala com ninguém? – ele devia admitir que ela era insistente. Ele responde balançando a cabeça negativamente. Tentava olhar para o filme, mas não conseguia desviar o olhar dela. – Você falou comigo. Falou no meu idioma. Você fala sérvio? – a última frase ela disse em seu próprio idioma. Mitkov simplesmente balança a cabeça afirmativamente. A garota coloca a mão sobre a sua. – Então fale comigo... – dessa vez ela não usou o inglês. Não que isso causasse alguma dificuldade a Mitkov.

Mitkov olha para a garota, mas continua calado. Não fala uma palavra. Ele não falava com estranhos. Na realidade ele não gostava de falar com quem não confiava. E essa garota, por causar esse estranho fascínio nele não era digna de confiança. E também não teria tempo para provar o contrário...

Mitkov não sabe exatamente como foi o filme. Ele sabia que era de terror porque havia muitos gritos e músicas de suspense. A garota havia desistido de enfrentar o que ela interpretara como timidez, então ela simplesmente abraçara um dos braços de Mitkov e o apertava em algumas passagens do filme. Ele mesmo não o assistia. Estava perdido olhando para o cabelo escuro da garota. O cheiro o deixava fascinado.

Depois que o filme terminou eles se levantaram e saíram. A garota saiu segurando a mão de Mitkov. Ele estava perdido em pensamentos então nem mesmo reparou. Mas o olhar atento de sua mãe não deixou escapar esse detalhe. Ao saírem do shopping, a garota pega o celular da mãe de Mitkov, um invento relativamente recente, e anota na agenda o seu número pessoal. Depois ela vai para casa. Sua mãe ainda deixa anotado o número do telefone da casa deles com a garota. Tudo para a felicidade de seu filho.

Ao chegarem ao hotel, sua mãe olha para ele, ela havia ficado calada o caminho todo, mas não conseguia mais se segurar. Não iria perguntar diretamente é claro. Sabia que o filho era reservado, mas se fosse como o pai, isso era somente uma fachada. Tuomas sempre fora sedutor.

- Como foi o filme? – ele olha para o filho com um olhar que dizia claramente “eu sei o que vocês fizeram”. Ironicamente eles haviam acabado de assistir um filme com esse nome.

Subitamente olha para a mãe com uma cara de “eu não sei o que você está falando”. Sua mãe dá um leve sorriso e o abraça. Haviam passado mais de uma semana na Sérvia. Era hora de eles voltarem. Sua passagem fora comprada para dali a dois dias. No outro dia foram no shopping e sua mãe convidara a garota. Mitkov havia pesquisado durante a noite sobre o que ele sentia e havia descoberto uma causa que ele julgou extremamente provável: sangue de Veela. Tendo uma idéia da genealogia da garota ele consegue reagir mais apropriadamente aos efeitos dela.

Eles passaram um dia animado na cidade. Afinal, como era o último dia sua mãe não iria se ater a ficar somente no shopping. O dia fora divertido, mesmo para Mitkov. A garota conversava muito com sua mãe e como a garota tentava freqüentemente puxar assunto com ele, ele acabou dizendo seu nome, coisa que a garota não sabia.

- Legal. – ele olha, sua mãe leva a garota para casa e insiste que Mitkov a deixe na porta. Ele acaba andando bastante. Aparentemente a garota era filha de alguma família muito rica. Na porta da casa da garota, ele olha para trás. Do lugar onde estava não dava para ver a sua mãe.

- Você tem sangue de veela. – era a primeira vez que Mitkov falava direito com ela. A garota olha pasma para ele. – E é uma bruxa. – os olhos se arregalam. Ela provavelmente pensava que ele era trouxa. Assim como sua mãe pensava que ela era.

- Como você sabe? – ela conseguiu perguntar. Ambos falavam em sérvio.

- Nunca encontrei uma garota que fizesse me sentir assim. – ele olha para ela. Estava sendo sincero. Ninguém nunca tinha tido esse efeito nele. Não que houvesse gostado. Mas era verdade. Seu olhar não mostrava paixão. Mostrava indiferença. Mostrava que ele não era afetado pelo encanto quase sobrenatural da meio veela.

A garota o encarava. O olhar dele continuava inexpressivo. Como sempre. Ela não sabia o que ele estava sentindo, mas o que ele disse geralmente significava somente uma coisa: ele a desejava. Ela sorri os dentes muito brancos contrastando com o batom azul escuro. A mão fria dela segura a dele e os seus dedos se entrelaçam. Ela olha nos olhos dele e vê que ele ergueu uma sobrancelha. Aproxima seu rosto lentamente do dele e fecha os olhos. Sente que sua mão é solta e espera ansiosamente pelas mãos dele em sua cintura. Mas elas não chegam. Ela abre os olhos e ainda o vê se afastando. Faz menção de ir atrás dele, mas ele se vira e acena uma despedida.

Mitkov sai sem ver a reação da garota. Ele tinha uma vaga idéia do que ela tentara fazer. Não achava que fosse agora. E não seria com que ele não confiasse. Ele não iria ter nada que o distraísse da guerra. Não se preocupava com mulheres. Alleria e Vanessa as mantinham afastadas. Ele entra no carro suspirando sob o olhar inquisidor da mãe.

- Vamos. – é tudo o que diz. Sua mãe começa a dirigir. Era um caminho longo até o aeroporto. E ele não queria ficar mais tempo longe de seus livros. Precisava voltar ao treinamento. Não toleraria distrações. Nenhuma.

A viagem é rápida e segura. Chegam ao aeroporto de Londres e percebe que Alleria estava lá o esperando. Ela corre para abraçá-lo quando o vê e descobre que ela acabara de chegar de Paris. Sua bagagem fora extraviada e ela já estava no aeroporto há muitas horas. Sua mãe fala com o pai dela, que ela sabia ser trouxa, e os convida para irem jantar em sua casa. Eles negam, mas deixam que Alleria durma lá. No dia seguinte eles iriam buscá-la. Mitkov bufa impaciente quando ninguém estava vendo. Ele havia acabado de prometer a si mesmo que não permitiria mais distrações nas férias. E pretendia seguir com isso. Voltaria a sua rotina. Ainda hoje. Assim que chegaram em casa, Mitkov foi para o seu quarto. Faltavam os exercícios de uma matéria que graças à sua mãe ele não havia feito. Encosta a porta de seu quarto e logo depois inicia os exercícios. Assim que começa percebe Alleria no seu quarto. Ela se inclina sobre ele para ver o que ele estava fazendo. Ao perceber que era o exercício da escola começa a ajudá-lo para que ele termine mais rápido.

Assim que ele coloca o último ponto final, ela o abraça. Dá um beijo leve nos cabelos do garoto e os afasta, beijando em seguida sua nuca. Ele se levanta e se livra do abraço da garota. Entra no banheiro e dessa vez se lembra de trancar a porta. Toma um longo banho, para tirar a poeira da viagem. Ao terminar o banho olha para o banheiro e percebe que se esquecera de pegar a roupa limpa. Se seca e entreabre a porta do banheiro. Alleria não estava mais lá. Ele vai para o quarto e se veste rapidamente. Ao se virar para a porta vê a sonserina parada ali. Encostada no batente da porta. Ele se pergunta o que ela havia visto.

- Visão muito boa... – ela diz e sai, deixando Mitkov sozinho com seus pensamentos. Ele vai para sua academia particular e fica por lá por pouco mais de uma hora. Havia pegado um pouco mais pesado que o habitual. Estava há um tempo sem se exercitar apropriadamente e um guerreiro não deveria jamais negligenciar seu corpo. Toma outro banho, dessa vez levando tudo o que julgava necessário para o banheiro. Ao terminar foi para a sala de jantar. O jantar foi servido assim que ele se sentou. Alleria conversava animadamente com a mãe de Mitkov.

Quanto o jantar terminou, Mitkov deveria gastar o resto do tempo com lazer até a hora de dormir. Como Alleria estava em sua casa ele resolve colocar um filme. Liga a televisão e inicia o filme. Com alguns gestos da varinha ele arruma um grande colchão e lençóis. Pega as almofadas nos sofás e faz com que o filme comece. Deita-se na cama.
- Você sabe que pode ser expulso por ter feito magia fora da escola não sabe? – ela olhava para ele com uma feição surpresa. Menores de idade não poderiam usar magia durante as férias. Isso era fato conhecido por todos. Eles possuíam uma espécie de rastreador neles.

- O rastreador verifica magia próxima a um bruxo estudante. Se a minha mãe fizer um feitiço eles irão detectar. Então quando eles percebem qualquer feitiço em minha casa, simplesmente supõe que é a minha mãe fazendo alguma coisa. – Mitkov explicava com um ar de quem sabe das coisas. – Portanto o rastreador só é eficaz em mestiços e filhos de trouxas. Contra os puros é inútil. Se chegasse qualquer carta eu poderia simplesmente dizer que foi a minha mãe. Mas não corro esse risco. Eu não tenho o rastreador.

- Como não? – ela olhava para ele surpresa. Com um aceno da varinha ele faz com que o filme pare e volte ao início.

- O rastreador é um encantamento lançado nos alunos. Simplesmente não lançaram em mim... Ou não me afetou. – ele olha para os anéis em sua mão. Provavelmente um deles impediu o encantamento. Ele descobriu que não era afetado graças à sua mãe, que viu isso numa visita ao Ministério. – Mistérios explicados. Vamos ao filme? – e sem esperar resposta, faz com que o filme comece. Desliga as luzes e se deita. Alleria se deita ao seu lado e abraça um dos braços de Mitkov. A mãe do garoto chega assim que o filme começa e se senta em um dos pufes. Olha para o filho que já havia começado a dormir. Ela ri quando Alleria disfarçadamente solta Mitkov. Suspirando ela resolve sair. Ela gostava que seu filho se relacionasse com as pessoas. Quem sabe assim ele não cometeria os mesmos erros de seu pai. Abandonando a família por causa de uma missão. Achava também que ele já tinha idade para ter suas namoradinhas. Mesmo que ele discordasse.

Assim que Leneth sai da sala, Alleria abraça novamente Mitkov. Olha para o rapaz e percebe que ele dormia. Ela sorri e se aninha no garoto. Descansa sua cabeça sobre o peito do sonserino. Ainda dormindo, o garoto a abraça. Ela assiste ao filme quase todo. Quando o sono começa a fazer suas pálpebras pesarem, ela se ajeita, encostando a cabeça em uma almofada. Sorri sonolentamente quando o garoto se vira, ficando de lado, com o rosto virado para ela. Ele dormia profundamente, mas sua mão estava na cintura de Alleria.

Não resistindo a um impulso, a garota se aproxima e dá um leve selinho nos lábios do menino. Ele se move um pouco e Alleria fica com medo de que ele acorde, mas ele simplesmente respira pesadamente e volta para a mesma posição de antes. A garota sorri e fica beijando Mitkov até adormecer. Pouco lhe importava que ele fosse lembrar. Ela tinha a certeza de que ele não permitiria isso caso estivesse acordado. Ela teria que ouvir outro sermão sobre juventude, responsabilidade e a missão dele.

Ela adormece profundamente, tendo sonhos felizes. No dia seguinte quando acorda Mitkov não estava mais ao seu lado. O encontra na sua academia, se exercitando. Ela se encosta no batente da porta e fica observando com um sorriso nos lábios. Alguns minutos depois ele percebe a presença dela e nos intervalos de uma máquina para outra pergunta para ela:

- O que foi? – ele se sentara em outra máquina, os pesos já ajustados no dia anterior.

-Nada, por quê? – ela mantinha o leve sorriso. Teria sido a noite anterior um sonho? Ela já não tinha mais certeza de nada. Seus sonhos se confundiram com a realidade durante a noite.

- Você está me olhando de um jeito estranho. – continua ele. Alleria observava os braços ganhando definição do garoto.

- Impressão sua...

E ouvem uma buzina. Um elfo doméstico aparece informando que os pais de Alleria estavam esperando na porta. Ela se despede do amigo com um beijo que acaba acertando o rosto dele. Ela se diverte o vendoele desviar a boca da dela. Nem mesmo suspeitava. E se dependesse dela, jamais saberia.

- Até semana que vem...

- Até semana que vem...
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